O relato de um homem sobre sua experiência de quase-morte está circulando na internet e atraindo milhares de comentários. Yusuff Shakur compartilhou um esboço feito à mão que representa o que ele afirma ter presenciado enquanto estava clinicamente morto. O desenho viral mostra uma espiral brilhante que, segundo o autor, evidencia como “tudo está conectado”.
Dois anos após ser declarado clinicamente morto — circunstâncias que não foram divulgadas publicamente —, Shakur produziu um diagrama que ilustra uma estrutura em camadas posicionada acima da Terra. O homem optou por usar desenhos em vez de palavras para descrever uma vasta estrutura em múltiplos níveis acima do planeta, onde almas se moviam por uma espiral luminosa enquanto outras observavam de patamares superiores.
O que o diagrama representa segundo Yusuff Shakur
Na ilustração, a Terra aparece na parte inferior, funcionando como ponto de partida. Segundo o relato de Shakur, o planeta parecia “um jogo de tabuleiro ou um tablado de teatro circular”, onde todo o globo e seus habitantes podiam ser observados simultaneamente.
Linhas finas partem do nível terrestre em direção às camadas superiores do desenho. Essas linhas representariam os laços que conectam cada pessoa a diferentes dimensões da realidade. O autor descreve ter visto pessoas deixando o plano material: elas ascendiam gradualmente e passavam por uma estrutura que ele comparou a um estádio em formato de cone espiral.
No ponto mais alto do esquema, uma esfera grande representa o que Shakur interpreta como uma “alma suprema” — uma fonte coletiva de consciência ligada a todos os seres. Próximo a essa esfera, ele afirma ter visto uma figura feminina com uma coroa e rosas no pescoço, que brilhava mais intensamente que as outras presenças.

Desenho inspirado em ‘quase-morte’ viraliza com reflexão sobre conexão de tudo. Imagem: Reprodução/Redes Sociais
A mensagem recebida durante a experiência
De acordo com o relato, a figura feminina teria proferido as palavras “Não tenha medo”, momento em que todas as outras presenças fizeram silêncio. Shakur descreve ter sentido filamentos finos conectando todas as consciências, tanto no local onde se encontrava quanto na Terra.
“Ele voltou com apenas uma mensagem da qual tinha certeza absoluta: tudo está conectado.”
Reações na internet e comparações com tradições espirituais
A ilustração de Shakur conquistou muitas pessoas nas redes sociais. Em vez de usar palavras, ele optou pela representação visual para comunicar sua vivência durante o momento crítico.
Um internauta afirmou: “Conheço ateus que experimentaram partes desse desenho”, sugerindo que experiências pessoais podem transcender sistemas de crenças. O esboço gerou discussões animadas em plataformas online, com comentários variando entre reflexões profundas e ceticismo sobre a precisão de tais experiências.
Elementos do diagrama apresentam semelhanças com conceitos presentes na teosofia, movimento espiritual originado no século XIX que defende a busca pela verdade divina. Nessa tradição, corpo físico e alma se conectam através de três fios: o fio da vida (também denominado “Sutratma” ou “cordão de prata”), o fio da consciência e o fio da criatividade. O primeiro estaria ligado ao coração e manteria a encarnação, independentemente da vontade consciente do indivíduo.
O que dizem pesquisas científicas sobre experiências de quase-morte
O maior estudo já conduzido sobre o tema foi liderado pelo médico intensivista britânico Sam Parnia entre 2008 e 2014, quando ele e outros cientistas da Universidade de Southampton examinaram mais de duas mil pessoas que sofreram paradas cardíacas em 15 hospitais.
Experiências de quase-morte são descritas como altamente lúcidas, “mais reais do que o real”, e comuns entre pessoas de diferentes contextos religiosos e culturais, sendo relatadas por 10 a 20% dos sobreviventes de paradas cardíacas.
Entre as características frequentemente descritas estão: sensação de deixar o corpo, consciência intensificada, percepção alterada de espaço e tempo, sensação de passar por um túnel, encontro com luz brilhante ou outros seres, visita a paisagens distantes e uma revisão de momentos da vida.
Objeto de estudo da psicologia e da neurociência, especialistas afirmam que, não há consenso científico que explique de forma definitiva o fenômeno, suas causas ou significados. As teorias se dividem entre aqueles que acreditam que as experiências são reações cerebrais à isquemia (visão monista) e aqueles que as interpretam como evidência de que a consciência não é produzida pelo cérebro (posição dualista).
Impacto psicológico nos sobreviventes
Aproximadamente 90% dos entrevistados em pesquisas demonstraram que a experiência diminuiu o medo da morte e resultou em mudanças positivas relacionadas ao bem-estar pessoal ou satisfação com a vida.
O caso de Yusuff Shakur se soma aos milhares de relatos catalogados desde que a expressão “experiência de quase-morte” foi cunhada pelo psiquiatra Raymond Moody em 1975, no livro “Vida Depois da Vida”. Milhões de pessoas relataram experiências similares desde que a ressuscitação cardiopulmonar foi desenvolvida em 1960.
As discussões sobre o desenho de Shakur continuam ativas nas redes sociais. Até o momento, o autor não divulgou detalhes sobre as circunstâncias que levaram à sua morte clínica ou sobre planos de elaborar mais representações de sua vivência.