Cinco cidadãos italianos perderam a vida durante uma expedição de mergulho em cavernas subaquáticas no Atol de Vaavu, nas Maldivas. Autoridades maldivinas conduziram uma busca de alto risco nesta sexta-feira (15) pelos corpos de quatro dos mergulhadores. O corpo de um quinto mergulhador foi recuperado na última quinta-feira (14).
Autoridades maldivinas afirmaram que este foi o pior acidente de mergulho único já registrado no país, um arquipélago formado por 1.192 pequenas ilhas de coral espalhadas por cerca de 800 quilômetros pelo Oceano Índico.
O porta-voz presidencial das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, declarou que “a caverna é tão profunda que mergulhadores, mesmo com os melhores equipamentos, não tentam se aproximar”. O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que os cinco mergulhadores “aparentemente morreram enquanto tentavam explorar cavernas a uma profundidade de 50 metros” no Atol de Vaavu, na quinta-feira (14).
Operação de resgate mobiliza navios, aeronaves e especialistas
As autoridades maldivinas lançaram uma grande operação de resgate após o incidente , implantando barcos, aeronaves e equipes de mergulho para vasculhar a área.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália declarou: “Navios de resgate da Guarda Costeira das Maldivas chegaram ao local do incidente em que cinco mergulhadores italianos perderam suas vidas. A bordo estão mergulhadores da Guarda Costeira e da polícia, bem como um mergulhador especialista italiano que já cooperou com as autoridades.”

O atol Vaavu, nas Maldivas, é conhecido como o menos populoso do arquipélago e famoso por mergulhos em canais de classe mundial , mas recentemente foi palco de uma tragédia fatal com cinco italianos.
A busca foi suspensa nesta sexta-feira após o mar agitado atrapalhar repetidamente os esforços. A polícia informou que o tempo estava instável no Atol de Vaavu na quinta-feira, com alerta amarelo emitido para embarcações de passageiros e pescadores. As Forças de Defesa Nacional das Maldivas disseram que uma embarcação da guarda costeira permaneceu na área coordenando a operação de busca durante a noite.
O presidente das Maldivas, Mohamed Muizzu, afirmou que a busca pelos quatro italianos restantes continua sendo a maior prioridade. “Estamos profundamente entristecidos por esta tragédia, e nossos pensamentos e orações estão com as famílias dos falecidos”, disse Muizzu em comunicado nas redes sociais.
Identificação das vítimas
Quatro dos mergulhadores foram identificados como parte de uma equipe da Universidade de Gênova, incluindo a professora de ecologia Monica Montefalcone e sua filha Giorgia Sommacal. Os outros dois membros da equipe foram identificados como a pesquisadora Muriel Oddenino e o graduado em biologia marinha Federico Gualtieri, enquanto o quinto mergulhador seria o instrutor de mergulho e gerente de operações da embarcação Gianluca Benedetti.
A universidade prestou homenagem a Monica Montefalcone, professora associada de ecologia, e sua filha Giorgia Sommacal, estudante de engenharia biomédica na universidade, bem como aos dois jovens pesquisadores.
Monica Montefalcone é descrita como “um rosto familiar na televisão” pela mídia italiana, como diretora científica do projeto “Mare Caldo”, que monitora os efeitos do aquecimento dos mares nos habitats marinhos italianos.
Detalhes do corpo recuperado
O corpo recuperado é o de Monica Montefalcone, noticiou a agência de notícias italiana Ansa, citando a imprensa local.
As Forças de Defesa Nacional das Maldivas informaram: “O corpo foi encontrado dentro de uma caverna. Acredita-se que os quatro mergulhadores restantes também estão dentro da mesma caverna, que se estende a uma profundidade de cerca de 60 metros.”
Circunstâncias do acidente
Os mergulhadores participavam de uma atividade de mergulho perto de Alimathaa, uma das zonas mais procuradas devido às grutas subaquáticas. Eles entraram na água durante a manhã e a tripulação comunicou o desaparecimento quando, ao meio-dia, ainda não tinham retornado à superfície.
Os cinco turistas italianos viajavam no “Duke of York”, uma embarcação “operada por estrangeiros”, e desapareceram durante um mergulho perto de Alimathaa, na quinta-feira.
Um porta-voz das Forças de Defesa Nacional das Maldivas disse que um chamado de socorro foi recebido às 13h45 no centro de coordenação marítima da Guarda Costeira das Maldivas.
No momento do mergulho, as condições meteorológicas eram adversas, informou a polícia, tendo o serviço meteorológico das Maldivas emitido um alerta amarelo para a região.
Possíveis causas sob investigação
A imprensa italiana apontou que, entre as hipóteses avançadas por alguns especialistas em mergulho, está a chamada toxicidade do oxigênio, devido ao aumento da pressão associada à profundidade. Este fenômeno pode provocar danos nos tecidos e afetar o sistema nervoso central, causando perda de consciência, convulsões e outros graves efeitos neurológicos.
Investigadores estão agora examinando se condições severas do mar, complicações técnicas de mergulho, problemas relacionados ao oxigênio ou desorientação subaquática contribuíram para a tragédia.
Segundo a agência de notícias italiana Ansa, o Ministério Público de Roma já abriu um inquérito, estando também as autoridades das Maldivas investigando o caso.
Apoio internacional e assistência consular
O embaixador da Itália em Colombo, que supervisiona as relações com as Maldivas, viajou para a capital Malé para se reunir com autoridades da guarda costeira. A Embaixada italiana também estava em contato com as famílias das vítimas e prestando assistência.
O Ministério das Relações Exteriores informou hoje que outros 20 italianos a bordo do navio “Duke of York” que participaram da expedição de mergulho estão seguros.
Histórico de acidentes nas Maldivas
Acidentes de mergulho e esportes aquáticos parecem relativamente raros nas Maldivas, embora vários incidentes fatais tenham sido registrados nos últimos anos.
Reportagens da mídia local indicaram que pelo menos 112 turistas morreram em incidentes relacionados ao mar no arquipélago nos últimos seis anos, sendo 42 deles vítimas de acidentes de mergulho ou snorkel.
As autoridades maldivinas aguardam melhores condições climáticas para retomar as buscas pelos corpos dos quatro mergulhadores restantes. O governo das Maldivas continua avaliando a possibilidade de solicitar assistência internacional para a operação de resgate, considerada de extrema complexidade técnica. Para mais informações, acesse Jornal Mix.