O nome da pastora Helena Raquel ganhou grande repercussão nas redes sociais após sua participação no 41º Congresso dos Gideões Missionários. A líder religiosa, natural do Rio de Janeiro, fez um pronunciamento marcante durante o maior evento evangélico do país.
Helena Raquel subiu ao palco na noite de sábado (2) e dedicou parte de sua ministração a um tema sensível: a violência contra mulheres. A pastora, que está à frente da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADVIP), conquistou atenção massiva ao direcionar sua fala especificamente para mulheres que vivem situações de agressão em casa.
Durante a pregação, ela pediu que as vítimas busquem ajuda nas delegacias e não permaneçam em silêncio diante dos abusos sofridos. A mensagem incentivando a denúncia dos agressores fez com que vídeos de sua participação se espalhassem rapidamente pelas plataformas digitais.
O que disse a pastora Helena Raquel
Diante de milhares de fiéis reunidos no tradicional congresso evangélico, Helena fez uma fala considerada incomum em ambientes religiosos mais conservadores, onde muitas vezes o aconselhamento gira em torno da oração, da paciência e da manutenção do casamento.
A líder religiosa orientou vítimas a buscarem ajuda imediata:
“Pare de orar por ele hoje e comece a orar por você. A partir de agora você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra.”
Helena ainda disse que, nas igrejas evangélicas, as mulheres vítimas de violência são orientadas a não denunciarem o culpado em muitos casos.
“Não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride, mata. Saia daí”.
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Críticas ao silêncio das igrejas
Na pregação, ela criticou a postura de silêncio dentro de parte das igrejas diante de casos de violência doméstica. Em um dos trechos mais compartilhados, afirmou:
“Existe algo que a igreja não pode mais fazer: se omitir. Não existe unção que justifique abuso. Não existe chamado que autorize agressão. Se agride… não representa Deus.”
Nas redes sociais, a pregadora enfatizou que a igreja não pode mais se omitir diante da violência doméstica. “A igreja precisa voltar a ser lugar de cura, não de medo. E onde há verdade, há libertação.”, escreveu no post com o vídeo.
Alerta sobre pedofilia
A pastora também se referiu a dados da organização Safernet para apontar a participação de brasileiros em grupos de pornografia infantil, afirmando que, estatisticamente, pessoas com tais práticas estavam presentes no congresso. Raquel ainda alertou pais e responsáveis sobre a devastação causada em vítimas de pedofilia e disparou: “pedófilo não é ungido, pedófilo é criminoso”. Para ela, não existe unção ou chamado que justifique a opressão.
Repercussão nas redes sociais
No momento desta publicação sobre o caso, o vídeo já passava de 17,7 milhões de visualizações e 1 milhão de curtidas no Instagram. Com mais de 1,5 milhão de seguidores, a pastora foi apoiada por diversas figuras influentes do país nos comentários da publicação.
Dados sobre violência doméstica entre mulheres evangélicas
O estudo “Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto Datafolha, revelou que a violência doméstica é predominante entre mulheres evangélicas no Brasil. A pesquisa também indicou que a violência contra a mulher atingiu o maior índice desde o seu início, em 2016.
Entre as entrevistadas, 42,7% das mulheres evangélicas e 35% das católicas sofreram violência doméstica ao longo da vida. A maioria das vítimas são separadas ou divorciadas, possuem filhos e estão na faixa etária dos 25 aos 34 anos.
A igreja como primeiro apoio
Os dados comprovam que a resposta à violência ocorre majoritariamente fora do sistema de justiça: 57% das mulheres procuram a família e 53% recorrem à igreja. Em contraste, apenas 28% buscam Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e 11% acionam o Disque 180.
A segmentação por religião aprofunda essa dinâmica. Entre mulheres evangélicas, 69% recorrem à igreja como primeiro apoio, enquanto entre católicas esse índice é de 48% e, entre mulheres sem religião ou de outras crenças, 30%. No caso das católicas, o apoio familiar predomina, sendo buscado por 59% das vítimas.
Pesquisa Nacional de violência contra a mulher
O alerta tem fundamento: dados do Mapa do Feminicídio, divulgado pelo Ministério Público de Santa Catarina, mostram que homens evangélicos ocupam o terceiro lugar entre os que mais mataram mulheres no Estado entre 2020 e 2025. Na prática, dos 365 registrados em SC no período analisado, 66 foram cometidos por homens que se diziam evangélicos.
Quem é pastora Helena Raquel
Helena Raquel atua há mais de três décadas no ministério evangélico. A líder religiosa é conferencista e escritora, reconhecida como uma das principais vozes femininas no meio evangélico. Casada há 25 anos com o pastor Eleomar Dionel, o casal preside a Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADVIP) no Rio de Janeiro.
Em 2025, a pastora Helena também ganhou destaque ao anunciar que havia adotado Maria Clara, uma jovem de 18 anos, chamando atenção para a importância da adoção tardia entre cristãos.
Canais de denúncia
O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos e atua no combate ao abuso infantil, enquanto o Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher, com escuta e orientação especializada.
Em Santa Catarina, a denúncia pode ser feita de maneira online na Delegacia de Polícia Virtual da Mulher ou pelo WhatsApp (48) 98844-0011. Na Polícia Militar, utiliza-se o aplicativo PMSC Cidadão. Já por telefone, a denúncia pode ser anônima pelos telefones 181 (Polícia Civil), 190 (Polícia Militar) e 180 (Disque Denúncia).
O Congresso dos Gideões Missionários, encerrado nesta segunda-feira (4), reuniu cerca de 200 mil fiéis em Camboriú e manteve sua programação tradicional voltada à evangelização e missões. No entanto, entre tantas ministrações, foi justamente a fala da pastora carioca que ultrapassou os limites do evento e ganhou grande repercussão nacional nas redes sociais.