O cantor MC Poze do Rodo foi solto na tarde desta quinta-feira (14), depois de quase um mês preso no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio, beneficiado por decisão da Justiça Federal que revogou sua prisão preventiva.
Segundo o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), a ordem de libertação foi assinada pela desembargadora Louise Filgueiras. O habeas corpus estendeu medida já concedida a outros investigados na Operação Narco Fluxo.
Entre as condições impostas para a liberdade estão a entrega do passaporte e o compromisso de comparecer a todos os atos judiciais, além de informar mudança de residência ou ausência prolongada.
A magistrada fundamentou a decisão citando excesso de prazo nas investigações e falta de denúncia formal, destacando que a prisão preventiva não pode ser usada para facilitar coleta de provas no processo.
Detalhes da operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas, com movimentação superior a R$ 1,6 bilhão, segundo dados oficiais.

MC Poze do Rodo deixou o Presídio Joaquim Ferreira, Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro , após decisão da desembargadora Louise Vilela Leite Filgueiras, do TRF-3, que concedeu habeas corpus ao artista. Imagem: Webert Belicio / Agnews
Durante a ofensiva, foram cumpridos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal. O processo também determinou o bloqueio de bens dos investigados.
Além de MC Poze, outros nomes do meio artístico e do entretenimento digital, como MC Ryan SP e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, figuram entre os alvos da operação.
Medidas cautelares estabelecidas pela Justiça Federal
A decisão judicial que permitiu a soltura de MC Poze determinou restrições para assegurar o andamento do processo. Entre as exigências, estão a obrigação de comparecimento a todos os atos processuais, notificação sobre qualquer alteração de endereço, comparecimento mensal em juízo, proibição de se ausentar de sua cidade sem autorização judicial por mais de cinco dias e entrega do passaporte, caso existente.
Essas determinações seguem o entendimento do TRF-3, de que o controle judicial é fundamental enquanto não há denúncia formal e a acusação não está consolidada.
Histórico de prisões e acusações anteriores
No ano anterior, MC Poze havia sido detido por suposta apologia ao crime e envolvimento com o tráfico, em inquérito conduzido pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O artista era suspeito de ligação com o Comando Vermelho e de realizar shows em áreas dominadas por facção, segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O repertório musical do cantor foi incluído pelo inquérito como parte das apurações, com acusações de apologia ao tráfico e ao uso ilegal de armas, além de incitação a confrontos armados entre organizações criminosas.
Desdobramentos judiciais e próximos passos
A defesa do cantor solicitou a extensão dos benefícios de liberdade dados a outros investigados, alegando igualdade de condições jurídicas. Em nota, os advogados comemoraram a decisão do TRF-3, ressaltando respeito às garantias constitucionais e criticando o que classificam como “aprisionamento desnecessário e ilegal”.
O caso segue sem denúncia formal por parte do Ministério Público Federal e a investigação prossegue para apurar as suspeitas apontadas pela Polícia Federal e analisadas pela Justiça Federal. Para mais notícias e atualizações, acesse Jornal Mix.