O uso de cães especializados mudou o rumo de uma investigação rotineira. Uma estrutura discreta escondia um volume recorde de drogas, revelando a dimensão do tráfico na cidade.
Na tarde de 8 de abril de 2026, equipes do Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro realizaram uma das maiores apreensões de entorpecentes do ano. O local foi um galpão situado na comunidade Nova Holanda, dentro do Complexo da Maré, Zona Norte da capital fluminense.
Segundo nota da Polícia Militar, os cães treinados localizaram aproximadamente 48 toneladas de maconha armazenadas em embalagens ocultas. O galpão aparentemente não levantava suspeitas e chamava pouca atenção das autoridades e de moradores antes da operação.
Procedimentos e legislação sobre apreensão de drogas
Após apreensões de grande porte, o protocolo legal prevê a condução dos materiais ilícitos para perícia e posterior incineração, conforme previsto na Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006, artigo 50, §1º). O inquérito policial será encaminhado ao Ministério Público para possível denúncia judicial dos investigados.
O crime de tráfico, previsto no artigo 33 da Lei 11.343/2006, tem pena de reclusão de cinco a quinze anos, além de multa. Quando há apreensão envolvendo grandes quantidades, as penas podem ser majoradas. Todas as ações permanecem sob análise judicial e as investigações seguem para identificar responsáveis logísticos e financiadores da atividade criminosa.

Operação no Complexo da Maré resultou em 48 toneladas de maconha apreendidas. Imagem: Terra
Impactos e próximos passos nas ações de repressão ao tráfico
A apreensão deste volume representa uma das maiores já realizadas em operação única, conforme informações da Polícia Militar. Esta ação visa desestruturar financeiramente grupos ligados ao tráfico e colaborar com a redução do poder bélico dessas organizações.
A PM também destacou a importância da colaboração entre diferentes batalhões e do uso de tecnologia, incluindo a atuação dos cães farejadores, para localizar e apreender mercadorias em grandes áreas urbanas. A operação integra estratégias estaduais de repressão ao tráfico e reforço da segurança pública.
Outros tipos de apreensão: veículos, bens e mercadorias
Além da apreensão de entorpecentes, as operações policiais envolvem frequentemente a retenção de veículos, bens, dinheiro e produtos de origem ilícita (conhecida como apreensão judicial). Tais medidas ocorrem quando existirem indícios de ligação com atividades criminosas, obedecendo ao que determinam as legislações específicas, como a Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/1998) e o Código de Processo Penal.
Depois da apreensão, os bens ficam sob guarda do Estado e só podem ser liberados mediante autorização judicial, após análise do processo.
Manifestação das partes envolvidas
A reportagem procurou a defesa dos investigados para conhecer sua posição sobre a ação policial e a apreensão dos materiais. Até o fechamento desta edição, não houve resposta.
A Polícia Militar reiterou, em nota pública, que continuará realizando ações coordenadas para identificar e responsabilizar os envolvidos, bem como encaminhar todos os fatos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
Perguntas Frequentes
O que acontece com a droga apreendida pela polícia?
Após a perícia, a droga é destruída por incineração com autorização judicial, conforme determina a Lei nº 11.343/2006.
O que é considerado apreensão judicial?
A apreensão judicial ocorre quando bens, veículos ou valores de origem suspeita são retidos por determinação da Justiça até a decisão final do processo.
Qual é a diferença entre apreensão de bens e apreensão fiscal?
A apreensão de bens está ligada ao combate ao crime, enquanto a apreensão fiscal ocorre em casos de dívidas tributárias, sendo regulada por normas da Receita Federal.
Como funcionam as ações com cães farejadores?
Cães treinados auxiliam a polícia a localizar drogas, armas e explosivos, atuando em operações e revistas em áreas públicas ou privadas.
Qual é a punição prevista para o tráfico de drogas no Brasil?
O artigo 33 da Lei 11.343/2006 define pena de cinco a quinze anos de reclusão, podendo aumentar conforme circunstâncias do caso e quantidade de droga apreendida.