Um caso que já chocou o Brasil inteiro continua se desdobrando — e as revelações que surgem a cada dia são ainda mais perturbadoras do que o episódio inicial. A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que investiga pelo menos dois novos casos de violência sexual ligados ao mesmo grupo de jovens acusados de estuprar uma adolescente de 17 anos em Copacabana, em janeiro deste ano.
Uma das novas denúncias envolve uma jovem que tinha apenas 14 anos à época dos fatos. Em depoimento prestado na 12ª Delegacia de Copacabana, ela relatou que os acusados afirmaram ter gravado imagens da violência como forma de chantageá-la e impedi-la de denunciá-los.
Continue lendo e entenda tudo o que se sabe até agora sobre este caso que revolta o país.
O crime que chocou o país e deu início à investigação
De acordo com o inquérito da 12ª Delegacia de Polícia, o crime ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana, Zona Sul do Rio. A vítima relatou que foi convidada pelo ex-namorado, um adolescente de 17 anos, para ir ao imóvel. Ainda no elevador, o rapaz avisou que outros amigos estariam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”. A adolescente afirmou que recusou.
A polícia acredita que a menina foi atraída por meio de uma “emboscada premeditada”. Segundo o delegado Ângelo Lages, responsável pelo caso, o crime foi tão chocante que chamou a atenção dos investigadores pelo relato da vítima — ela chegou à delegacia no mesmo dia com lesões aparentes e sangramento na região íntima, além de relatar abusos sexuais e psicológicos.
Após sair do imóvel, a adolescente enviou um áudio ao irmão dizendo acreditar que havia sido vítima de estupro. Em seguida, contou à avó e procurou a delegacia para registrar a violação. O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física.
Jovens são investigado pela Polícia Civil após novas denúncias
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra quatro adultos: Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18), Vitor Hugo Oliveira Simonin (18), Mattheus Verissimo Zoel Martins (19) e João Gabriel Xavier Bertho (19). Todos passaram à condição de réus. A Justiça também expediu mandados de prisão preventiva contra o grupo pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes. O outro adolescente, apontado como ex-namorado da vítima, responderá conforme o ECA, por ser menor de idade.
Dois dos acusados se entregaram voluntariamente à polícia. Mattheus Veríssimo Zoel Martins chegou à delegacia acompanhado de advogados. João Gabriel Xavier Bertho optou por se entregar em outra delegacia da Zona Sul do Rio. Nenhum deles prestou depoimento imediato, pois, como réus, possuem o direito legal de só falar em juízo.

Câmera de segurança registrou a movimentação dos suspeitos no apartamento em Copacabana no dia do crime. Imagem: Rede Globo
O detalhe que agrava ainda mais o caso
Um dos foragidos, Vitor Hugo Oliveira Simonin, é filho de José Carlos Costa Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Diante da repercussão, o subsecretário foi exonerado do cargo.
Novos casos com o mesmo padrão
A vítima do segundo caso tinha 14 anos em outubro de 2023 e também foi alvo de estupro coletivo em um apartamento no bairro do Maracanã. O delegado Ângelo Lages descreveu as semelhanças como impressionantes: “Um relato exatamente igual ao da vítima atual. Ela já tinha tido relacionamento anterior com o adolescente e ele se aproveitou dessa confiança para atraí-la até um apartamento.”
Já o terceiro caso envolve uma jovem menor de idade que relatou ter sofrido violência sexual em outubro do ano passado durante uma festa entre estudantes. Segundo ela, foi violentada por Vitor Hugo Oliveira Simonin, que segue foragido.
O recado da polícia para outras possíveis vítimas
As autoridades reforçam que qualquer pessoa que tenha sofrido violência ou abuso deve procurar imediatamente a delegacia para registrar a ocorrência. A orientação é que familiares ou pessoas de confiança ajudem a vítima a relatar os fatos, garantindo que a denúncia seja feita o quanto antes.
A Polícia Civil também alerta para a importância de respeitar o consentimento: atos sem concordância são considerados crimes graves e serão investigados. A mensagem principal é clara: vítimas não devem se sentir sozinhas e têm o direito de buscar ajuda e proteção das autoridades.
Se você ou alguém que conhece foi vítima de violência sexual, denuncie:
- Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher (gratuito, 24h)
- Ligue 190 — Polícia Militar
- Disque Denúncia: (21) 2253-1177 ou 0300-253-1177
No Jornal Mix, você encontra cobertura completa, responsável e humanizada dos acontecimentos que impactam o Brasil. Acompanhe as atualizações e mantenha-se sempre bem informado sobre os fatos mais relevantes do país.
Confira mais detalhes sobre o caso no vídeo a seguir: