A influenciadora e advogada Deolane Bezerra, detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, foi obrigada a retirar seu alongamento capilar para permanecer na unidade prisional. A prisão ocorreu na quinta-feira, 21 de maio de 2026, durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo MP/SP e pela Polícia Civil contra suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Policiais penais explicaram que a medida foi tomada estritamente por motivos de segurança interna, já que o uso de mega hair é proibido por representar um potencial risco de fuga. Os apliques podem ser utilizados em tentativas de evasão ou como moeda de troca no comércio informal dentro da prisão.
Deolane foi encaminhada inicialmente à Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista, e, na manhã de sexta-feira, 22 de maio, transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) afirmou que a influenciadora foi alocada de acordo com decisão judicial, que reconheceu seu registro ativo como advogada.
Por que o mega hair representa risco de fuga na prisão
As regras do sistema penitenciário paulista proíbem extensões capilares por razões específicas de segurança. O comprimento do alongamento pode ser aproveitado por outras detentas para escapar no lugar de visitantes durante o horário de visitas, burlando a identificação. Outra possibilidade envolve o uso do material combinado com lençóis e outros objetos para facilitar tentativas de fuga.
A fiscalização também confiscou outros pertences de Deolane, como joias e adereços. O uso de piercings é totalmente proibido no estabelecimento prisional, integrando a lista de rígidas restrições aplicadas a todas as presas da unidade.
Em nota oficial, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que “todos os presos do estado estão sujeitos às normas do sistema prisional paulista”.

Extensões capilares são proibidas no sistema penitenciário paulista por questões de segurança interna. Imagem: Redes Sociais
Deolane Bezerra ocupa cela especial destinada a advogadas
A influenciadora está em uma ala especial destinada a advogadas presas, que conta com oito celas, cada uma com duas camas. Deolane divide uma cela de 9 metros quadrados com outra advogada em presídio superlotado.
Após sua transferência da capital paulista, Deolane Bezerra foi acomodada em um espaço com equivalência jurídica à sala de Estado Maior. A influenciadora está isolada das presas comuns do regime fechado.
O Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94), em seu Artigo 7º, V, determina que o advogado não será “recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, e, na sua falta, em prisão domiciliar.” A OAB-SP declarou que existe previsão legal para que advogados presos preventivamente sejam recolhidos em local equivalente, separados dos presos comuns.
Rotina de Deolane na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista
Mesmo com o isolamento e a prerrogativa do diploma de ensino superior, a rotina de Deolane Bezerra acompanha as regras estritas da instituição. Agentes de segurança relataram que a influenciadora veste o uniforme caqui padrão e utiliza os mesmos artigos de higiene e dormitório disponibilizados para as demais detentas.
As presas da ala especial recebem o mesmo uniforme e a mesma alimentação que as demais, mas têm direito a dois colchões, ventilador na cela e chuveiro individual. A SAP explicou que, assim como as demais presas que ingressam no sistema prisional paulista, ela cumpre o Regime de Observação, recebe refeição padrão e tem direito a banho de sol diário em horários pré-determinados.
Operação Vérnix: investigação aponta lavagem de dinheiro do PCC
A investigação aponta que valores oriundos da facção criminosa teriam sido movimentados por meio de uma transportadora de cargas usada como empresa de fachada. A Operação Vérnix também teve como alvos Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da organização criminosa.
A Justiça de São Paulo autorizou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em bens e valores dos investigados, além da apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões. O Judiciário determinou o bloqueio de R$ 27 milhões atribuídos à influenciadora, que soma mais de 21 milhões de seguidores no Instagram.
A Justiça manteve a prisão preventiva da influenciadora. Durante a audiência de custódia, Deolane declarou que os fatos investigados remontam aos anos de 2019 e 2020 e afirmou que os valores recebidos em sua conta bancária teriam origem em honorários advocatícios.
A defesa de Deolane afirma que ela é inocente e que os fatos serão esclarecidos em momento oportuno. Para mais notícias, acesse Jornal Mix.