Um homem de 25 anos foi detido preventivamente em Anápolis, Goiás, depois que sua sobrinha de 8 anos guardou material biológico dele (sêmen) como prova dos abusos sexuais que vinha sofrendo há quase três anos. A atitude da menina foi crucial para que a família finalmente apresentasse o caso às autoridades.
Conforme informou a delegada Aline Lopes, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiás, os crimes teriam começado quando a vítima tinha aproximadamente 5 ou 6 anos de idade. As primeiras investigações tiveram início em 2025, quando a menina relatou à escola as violências praticadas pelo tio.
Família ignorou relatos e puniu a vítima
A delegada responsável pelo caso afirmou que a menina já havia comunicado aos familiares sobre os crimes, porém eles se recusaram a acreditar e não tomaram providências. A escola onde a criança estudava acionou o conselho tutelar e encaminhou o caso para a rede de proteção, incluindo acompanhamento psicológico, mas a família não aderiu ao tratamento.
De acordo com a delegada, os parentes também passaram a agredir a menina e aplicar castigos, tentando fazer com que ela parasse de fazer acusações contra o tio. A esposa do suspeito chegou a flagrá-lo em situação suspeita com a criança, mas optou por protegê-lo.
Como a criança conseguiu a prova do abuso
Durante um dos episódios de abuso sexual praticado pelo tio, a menina guardou o material em um recipiente com o objetivo de obter uma prova concreta do que vinha sofrendo. Logo após, a criança pediu ajuda a um familiar que não residia com ela, e este acionou a polícia.
A DPCA informou que a menina também relatou às autoridades que, quando tentava se afastar ou gritar durante os abusos, o tio a sufocava e fazia ameaças de morte.

Momento da busca e apreensão na casa do suspeito de 25 anos, preso após a vítima de 8 anos reunir provas do abuso sexual que sofria há quase três anos. Imagem: Reprodução
Prisão e confissão do suspeito
Com a evidência biológica apresentada, o Ministério Público e a Justiça autorizaram a prisão preventiva do suspeito, além do cumprimento de mandado de busca e apreensão. Durante a abordagem policial, o homem, inicialmente, negou as acusações, mas confessou após ser confrontado com as provas reunidas e responderá por estupro de vulnerável.
Responsabilização dos familiares
A delegada Aline Lopes informou ainda que familiares da vítima também serão responsabilizados por omissão, uma vez que ignoraram os repetidos relatos da criança e deixaram de protegê-la.
Situação atual da vítima
Após a prisão do autor dos crimes, a menina foi acolhida e afastada do núcleo familiar. A criança está recebendo proteção das autoridades e sendo acompanhada por órgãos competentes, com o suporte necessário. O caso segue em investigação.
A expectativa é que a perícia do material biológico entregue pela criança confirme a autoria dos crimes, fortalecendo as acusações. Novas responsabilizações podem ocorrer conforme o avanço das apurações sobre a conduta dos familiares que se omitiram diante dos relatos de abuso.
Por trás de cada notícia como essa, há uma criança que precisa de cuidado, proteção e esperança. É nosso dever como sociedade garantir que ela não esteja sozinha nessa luta, oferecendo apoio e voz para que a justiça seja feita. Que esse caso sirva para abrir os olhos de todos sobre a urgência de proteger as crianças e romper o silêncio que tanto as prejudica. Fique atento(a)!