Uma explosão abriu uma cratera de 15 metros quadrados no meio da Rua da Consolação, uma das vias mais movimentadas de São Paulo, na noite de domingo (1º). O estrondo aconteceu por volta das 22h30, na altura do número 2.078, a poucos metros da Avenida Paulista, e foi registrado por câmeras de segurança. Nas imagens, é possível ver o asfalto se elevando com a força do impacto — e um carro escapando por segundos de ser atingido. Ninguém ficou ferido, mas a região ficou parcialmente interditada por mais de 30 horas.
Dois dias depois, a Enel finalmente explicou o que provocou tudo isso. Continue a leitura e entenda os detalhes dessa explosão!
O que causou a explosão
Segundo a Enel Distribuição São Paulo, a explosão foi provocada pelo acúmulo de gases inflamáveis dentro de uma galeria subterrânea. A origem desses gases, porém, ainda não foi identificada. A concessionária garantiu que a rede elétrica não foi danificada — no ponto atingido existem apenas cabos de energia, sem transformadores ou outros equipamentos.
Antes da explosão, testemunhas já relatavam fumaça preta saindo do asfalto e um cheiro forte, descrito como de borracha queimada.
Empresa nega envolvimento em polêmica recente
A Comgás também se pronunciou e negou qualquer relação com o incidente. Equipes técnicas chegaram ao local às 23h25 de domingo e, após análise detalhada, não identificaram vazamento na rede de gás natural. Equipamentos de medição apontaram nível zero de etano — composto característico do gás encanado — e amostras laboratoriais confirmaram o resultado.
A empresa fez, porém, uma observação importante: independentemente do tipo de gás, uma explosão assim só acontece com a presença de uma fonte de ignição, como uma faísca. Ou seja, além do gás acumulado, algo funcionou como estopim para detonar a explosão.
Subsolo de São Paulo: um labirinto de riscos

Momento exato da explosão na Rua da Consolação, registrado por câmera de segurança na noite de domingo (1º). Um veículo escapou por segundos de ser atingido. Imagem: Smart Sampa
Essa é a parte que pega muita gente de surpresa. O subsolo de uma metrópole como São Paulo é um labirinto de infraestrutura: galerias com redes de energia elétrica, tubulações de gás, redes de água e esgoto, cabos de telecomunicação e dutos de drenagem. Esses espaços confinados podem acumular gases ao longo do tempo, especialmente onde há decomposição de matéria orgânica ou infiltrações no solo.
Na região da Consolação, o cenário é ainda mais complexo: ali estão em andamento obras da Linha 6–Laranja do Metrô, o que ampliou a atenção das autoridades sobre o caso. Explosões subterrâneas não são inéditas em grandes cidades — casos semelhantes já foram registrados em São Paulo, geralmente ligados a problemas na rede elétrica, vazamentos ou acúmulo natural de gases no solo.
Trânsito afetado e interdição por mais de 30 horas
O impacto foi grande. Logo após a explosão, a CET interditou três faixas da Consolação no sentido bairro, além da calçada. Na segunda-feira (2), 25 linhas de ônibus operaram com lentidão. A situação só se normalizou na manhã desta terça-feira (3), quando a Prefeitura concluiu a recomposição do asfalto e liberou o trecho a partir das 6h22 — mais de 30 horas depois do incidente.
A investigação sobre a origem dos gases segue aberta. A Enel apontou o acúmulo como causa, a Comgás descartou gás natural, e nenhuma resposta definitiva foi dada até agora.
O que acontece debaixo das ruas de uma cidade grande pode surpreender — e, em alguns casos, até causar acidentes. O Jornal Mix acompanha todos os desdobramentos e traz informações completas para quem quer entender o que está acontecendo ao redor. Continue navegando no site e fique sempre à frente das notícias!