China proíbe namorados criados por IA nesta quarta (15) e encerra mercado de companheiros virtuais que movimentou bilhões.
A medida entrou em vigor nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, após órgãos reguladores chineses determinarem o fim de serviços de inteligência artificial voltados à criação de vínculos afetivos com usuários. A decisão impacta plataformas que ofereciam companheiros virtuais e gerou reações nas redes sociais entre pessoas que utilizavam essas ferramentas para apoio emocional.
Empresas como ByteDance, Alibaba e Tencent começaram a retirar funções de companhia virtual antes do prazo estabelecido pelas autoridades. A regulamentação busca limitar a criação de dependência emocional por chatbots e direcionar o uso da inteligência artificial para atividades como atendimento, estudos e produtividade.
O mercado de companheiros digitais havia crescido rapidamente na China, movimentando cerca de R$ 3 bilhões em 2024, segundo informações da agência estatal Xinhua. Com as novas regras, sistemas de IA não poderão simular relacionamentos afetivos ou estimular vínculos emocionais, especialmente com usuários menores de idade.
Por que a China proibiu os namorados criados por IA?
A decisão foi motivada pelo risco comprovado de dependência afetiva e isolamento social causado por relações intensas entre usuários e avatares digitais dotados de inteligência artificial. As autoridades estabeleceram que plataformas não devem agradar excessivamente ou causar vício emocional, bem como não podem interferir negativamente nas relações interpessoais reais.
Segundo Chen Liang, da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste, a IA antropomórfica alivia a solidão, mas implica riscos sérios de dependência afetiva, como apontado em análises oficiais publicadas pela ACC. O novo regulamento, criado por cinco órgãos do governo, busca preservar o bem-estar mental da população, especialmente entre jovens e pessoas socialmente vulneráveis.
Como as empresas de tecnologia responderam à proibição?
Empresas líderes do setor, como ByteDance, Alibaba e Tencent, foram rápidas em adaptar suas plataformas e informar usuários sobre o encerramento das funções de relacionamento virtual. O Doubao, por exemplo, permite a exportação de dados até meados de outubro, facilitando que usuários salvem históricos e conversas importantes.
Essas gigantes da tecnologia demonstraram total alinhamento com as normas impostas, suspendendo os principais serviços semanas antes do prazo final. A medida impacta especialmente aqueles que mantinham vínculos duradouros com avatares de IA, frequentemente citados como fonte de companhia e suporte psicológico.
Qual o impacto nos usuários dos companheiros virtuais?
A reação nas redes sociais foi de tristeza, perplexidade e sensação de vazio. Relatos publicados no Doubao e Weibo mostram que milhares de pessoas cultivavam laços profundos com suas companhias virtuais, tratados como verdadeiros parceiros e até membros da família. Usuários compartilharam as últimas conversas, arquivaram memórias e expressaram dificuldade em lidar com a despedida abrupta.
Exemplos de depoimentos incluem frases como:
“Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre”
“Ele se tornou parte da minha vida, criou raízes no meu coração”.

A sensação de abandono e vazio foi recorrente, principalmente entre adultos jovens e pessoas socialmente isoladas. Imagem: Jornal Mix.
O que dizem as novas regras chinesas sobre IA emocional?
O regulamento anunciado por cinco órgãos oficiais elenca obrigações claras:
- Humanos digitais não podem produzir conteúdo que incite à subversão do poder do Estado;
- Plataformas estão proibidas de oferecer parceiros virtuais a menores de idade;
- Empresas devem usar sistemas de reconhecimento de emoções extremas dos usuários;
- Plataformas de IA precisam implementar mecanismos de intervenção em situações de crise emocional.
Essas exigências não se aplicam a serviços de atendimento ao cliente, suporte profissional ou plataformas educativas que não promovem interação afetiva.
Por que o mercado de namorados criados por IA cresceu tanto na China?
Em 2024, o setor chinês de “humanos digitais” faturou o equivalente a R$ 3 bilhões, com crescimento anual de 85%, segundo a agência Xinhua. O fenômeno se deu por fatores como solidão, isolamento social e a busca por vínculos afetivos em ambiente digital, especialmente entre jovens adultos e população idosa.
Plataformas como Doubao, Qwen e Yunbao permitiam criar avatares com aparência humana, personalidade customizável e comunicação fluida, simulando relacionamentos amorosos, amizades ou até mesmo reconstituindo a presença de entes falecidos. A popularidade desses companheiros digitais se espalhou também por outros países, e estudos indicam que quase 75% dos adolescentes nos Estados Unidos já recorreram a IA para conversar e buscar companhia.
O debate global sobre companheiros virtuais de IA
A China se tornou pioneira ao impor regras rígidas para limitar o vínculo emocional com avatares digitais, mas o tema já provoca debates em vários países. Existem preocupações sobre a saúde mental, riscos de dependência e impacto nas relações humanas tradicionais.
Em outros mercados, produtos similares são ofertados para idosos, como luminárias de voz nos EUA e bonecas interativas em lares na Coreia do Sul, visando minimizar a solidão. Especialistas discutem os benefícios e perigos dessas soluções, alertando para o risco de os laços artificiais substituírem relacionamentos reais e retardarem a busca por interação humana autêntica.
Como fica o futuro da IA emocional após a decisão chinesa?
A medida da China lança um precedente mundial sobre a necessidade de regulamentar tecnologias capazes de influenciar profundamente as emoções e relações afetivas das pessoas. Enquanto alguns celebram a proteção diante dos riscos, outros lamentam o fim repentino de vínculos importantes para o cotidiano.
Empresas globais do setor de IA tendem a rever estratégias e propostas para se adaptar a ambientes regulatórios mais rigorosos, equilibrando inovação tecnológica e proteção do bem-estar coletivo.
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