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Celular caiu na água? Por que o truque do arroz pode ser perigoso e o que você deve usar no lugar

Fuja do arroz e siga estes passos para salvar seu aparelho!

por Quezia Borges
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Celular com tela quebrada caindo na água, destacando a importância de saber como agir quando o dispositivo se molha.

O momento é de pânico: seu smartphone escorrega e mergulha na água. A primeira reação de muitas pessoas é recorrer a um método popular, mas ineficaz e potencialmente perigoso: o pote de arroz. Contrariando a crença popular, o arroz não é a solução e pode, na verdade, agravar o problema.

A verdade é que o arroz absorve apenas a umidade superficial, sendo incapaz de extrair a água que já penetrou nos componentes internos do dispositivo. Pior ainda, o amido e a poeira fina dos grãos podem entrar nos conectores e aberturas, causando novos danos.

Existem métodos muito mais seguros e eficientes para lidar com um aparelho molhado, que envolvem desligá-lo imediatamente e promover uma secagem adequada, longe de “soluções” caseiras que mais prejudicam do que ajudam.

O que fazer imediatamente após o celular cair na água?

Agir com rapidez e seguir a ordem correta dos passos aumenta as chances de recuperação do aparelho. A prioridade máxima é cortar a energia para evitar curtos-circuitos.

  1. Desligue o aparelho imediatamente: Este é o passo mais importante. A combinação de água e eletricidade é a principal causa de danos fatais à placa-mãe. Não tente verificar se ele ainda funciona ou ligá-lo.
  2. Remova tudo que for possível: Retire o cartão SIM, o cartão de memória microSD e, se o seu modelo permitir, a bateria. Isso ajuda a expor mais áreas para a secagem e protege os cartões de danos.
  3. Seque o excesso de água externa: Utilize um pano macio que não solte fiapos, como microfibra, ou papel toalha para secar cuidadosamente toda a superfície do dispositivo. Para aparelhos que não abrem, como iPhones, a Apple recomenda dar leves batidas com a mão, mantendo o conector virado para baixo para ajudar a remover o líquido acumulado.
  4. Promova a ventilação: Coloque o celular em um local seco e arejado, de preferência em frente a um ventilador com ar frio. O fluxo de ar constante é o método mais eficaz para evaporar a umidade interna. Nunca use um secador de cabelo, pois o calor pode danificar a bateria e acelerar a oxidação dos componentes.

O tempo de secagem varia, mas fabricantes como a Apple sugerem aguardar pelo menos 5 horas antes de tentar ligar o aparelho novamente. Em alguns casos, pode ser necessário esperar até 24 horas para garantir que a umidade interna tenha se dissipado por completo.

Celular caindo na água, destacando os riscos de tentar salvar dispositivos com o truque do arroz.

Quando o celular cai na água, os cuidados imediatos são fundamentais. O truque do arroz pode não ser eficaz e pode até causar danos. Imagem: Freepik

Por que o truque do arroz é um mito perigoso?

A ideia de que o arroz cru pode secar um celular molhado se popularizou, mas não tem base técnica sólida. Embora o arroz tenha propriedades higroscópicas (absorve umidade), sua eficiência é extremamente baixa para a parte interna de um aparelho eletrônico.

  • Ineficácia interna: O arroz não consegue alcançar a umidade alojada sob os componentes da placa-mãe, que é onde o verdadeiro risco de corrosão e curto-circuito reside.
  • Risco de resíduos: A poeira, o amido e pequenos fragmentos dos grãos podem entrar nas portas de carregamento, saídas de áudio e outras aberturas, obstruindo contatos e causando problemas ainda mais difíceis de resolver.
  • Falsa sensação de segurança: Deixar o aparelho no arroz pode atrasar a busca por uma solução real, como a assistência técnica, permitindo que a corrosão avance silenciosamente.

Estudos e testes, inclusive de fabricantes como a Xiaomi, já comprovaram que deixar o aparelho secar ao ar livre é mais eficaz do que submergi-lo em arroz. Outras alternativas caseiras, como areia de gato ou aveia, apresentam os mesmos problemas de resíduos e devem ser evitadas.

O que NÃO fazer em nenhuma hipótese

Na tentativa de salvar o aparelho, algumas ações podem causar danos irreversíveis. Evite a todo custo:

  • Usar fontes de calor: Não use secador de cabelo ou deixe o celular secando sob o sol. O calor excessivo danifica a bateria, a tela e pode acelerar o processo de oxidação.
  • Utilizar ar comprimido ou aspirador de pó: A força do ar pode empurrar a água para áreas ainda mais profundas do aparelho. A sucção de um aspirador de pó pode gerar eletricidade estática e danificar componentes sensíveis.
  • Inserir objetos nas entradas: Não introduza cotonetes, palitos ou pedaços de papel nos conectores. Isso pode danificar os pinos de contato internos.
  • Tentar carregar o aparelho: Conectar o celular a uma fonte de energia enquanto ele ainda está úmido é a receita certa para um curto-circuito. Aguarde a secagem completa.

Certificação IP68: Uma proteção, não uma garantia

Muitos smartphones modernos possuem certificação de resistência à água, como a IP68. Isso significa que o aparelho foi testado para suportar submersão em água doce a uma certa profundidade e por um tempo limitado. Embora isso ofereça uma camada de proteção, não torna o celular à prova d’água.

É importante lembrar que essa vedação se degrada com o tempo, com o uso diário e com possíveis quedas que podem criar microfissuras na estrutura do aparelho. Além disso, a proteção é válida para água doce; líquidos como água do mar, refrigerantes ou sucos são muito mais corrosivos e podem causar danos mesmo em aparelhos certificados.

Quando procurar uma assistência técnica?

Se, após seguir todos os passos de secagem, o celular não ligar ou apresentar falhas no touchscreen, no som, no Wi-Fi ou no carregamento, é sinal de que a água causou danos internos. Nesse caso, a melhor atitude é levar o aparelho a uma assistência técnica especializada o mais rápido possível.

Profissionais podem realizar um procedimento de desoxidação, geralmente com um banho químico, para limpar a placa-mãe e remover os resíduos que causam a corrosão. Agir rapidamente aumenta as chances de uma recuperação bem-sucedida e com menor custo.

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