Uma investigação policial levou à detenção de um dentista de 40 anos, acusado de manter sua companheira em cárcere privado e exigir múltiplas tatuagens com seu nome. O caso aconteceu em Itapema, Santa Catarina, e ganhou repercussão após a vítima denunciar os crimes no início de abril de 2026 no Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Civil, a ação integra a Operação Ötzi, deflagrada em cooperação entre delegacias catarinenses e gaúchas.
O crime ocorreu durante um período aproximado de quatro meses, quando, de acordo com relatos, a mulher foi submetida a restrição severa de liberdade, isolada de familiares e impedida de sair de casa. O registro policial foi formalizado em 3 de abril de 2026, logo após a fuga da vítima, na Delegacia de Pronto Atendimento de Canoas (RS), fato confirmado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
Investigação aponta rotina de violência e isolamento social
Segundo informações colhidas pela DEAM de Esteio e DPCAMI de Itapema, a vítima relatou em depoimentos que o investigado controlava sua rotina de forma total. Ele teria tomado o celular da mulher, restringido o uso de internet e promovido isolamento social. Depoimentos prestados em 10 de abril de 2026 detalham agressões físicas, uso de objetos para espancamento e ameaças de morte frequentes, o que elevou o risco à vida da vítima, segundo a Polícia Civil.
O principal elemento do inquérito envolve a exigência, por parte do dentista, para que a mulher tatuasse seu nome dez vezes, incluindo uma das tatuagens no pescoço, fato apontado pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Esteio (RS).
De acordo com o inquérito, a mulher só deixou o local de cárcere após o suspeito dormir sob efeito de medicação. Auxiliada por terceiros, foi ao estado vizinho sem levar pertences pessoais ou veículo próprio, itens posteriormente recuperados e devolvidos por determinação policial. No local da prisão, policiais apreenderam duas armas de fogo, aparelhos eletrônicos e outros materiais que seguem sob análise.

Tatuagens que, segundo a Polícia Civil, a vítima foi obrigada a fazer sob coação durante o período em que esteve em cárcere privado. Imagem: Redes Sociais
Histórico de violência com outras mulheres e medidas judiciais recentes
Durante as investigações, as equipes da Polícia Civil identificaram registros anteriores envolvendo pelo menos duas ex-companheiras do dentista em Santa Catarina. Em ambos os casos, há relatos de isolamento, monitoramento, agressões físicas, cárcere privado e violência psicológica. Um dos depoimentos de vítimas anteriores descreve vigilância constante, ausência de convívio familiar e episódios semelhantes ao caso atual.
A gravidade dos fatos levou a DEAM de Esteio a solicitar a prisão preventiva do investigado, medida autorizada pelo Judiciário. Durante o interrogatório após a detenção, o suspeito optou por exercer seu direito ao silêncio, conforme relato das autoridades.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Janeiro a abril de 2026: Período em que, segundo a investigação, a vítima esteve em condição de cárcere privado e sob violência doméstica.
- 3 de abril de 2026: Registro da ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento de Canoas, um dia após a fuga da vítima.
- 10 de abril de 2026: Novo depoimento prestado à DEAM de Esteio, detalhando agressões, restrição de liberdade e imposição de tatuagens.
- 14 de abril de 2026: Cumprimento de mandado de prisão preventiva e apreensões de armas e materiais em Itapema (SC), conforme informou a Polícia Civil.
Este caso reforça a importância das redes de proteção e da denúncia imediata como ferramentas essenciais no combate à violência doméstica e ao cárcere privado. A cooperação entre as polícias de diferentes estados e o rigor das medidas judiciais são passos fundamentais para garantir que crimes dessa gravidade não fiquem impunes e que as vítimas recebam o amparo necessário para reconstruir suas vidas em segurança.
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Perguntas frequentes
Quem é o profissional acusado dos crimes em Itapema?
A identidade do dentista suspeito e da vítima não foi divulgada oficialmente pelas autoridades para preservar as vítimas e o andamento das investigações.
O que motivou a investigação e prisão?
O depoimento da vítima, que relatou ter sido mantida em cárcere privado, agredida e forçada a tatuar o nome do agressor dez vezes, resultou no pedido de prisão preventiva após apuração policial.
Qual a relação do caso com outros episódios anteriores?
De acordo com apuração da Polícia Civil do RS e SC, existem registros de comportamento semelhante envolvendo o suspeito e outras ex-companheiras, caracterizados por agressão, vigilância e restrição de contato social.
Quais medidas judiciais foram adotadas até agora?
Além do cumprimento do mandado de prisão preventiva em 14 de abril de 2026, a Justiça autorizou buscas e apreensões, com recuperação de bens da vítima, incluindo o automóvel.
O que acontece após a prisão do suspeito?
As autoridades continuam analisando o material apreendido e colhendo depoimentos. O inquérito segue em andamento para a apuração completa dos fatos.