O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quinta (30) uma nova fase do programa Desenrola Brasil de renegociação de dívidas, que promete ampliar o alcance e reduzir os valores devidos.
A nova fase do programa Desenrola Brasil. Com descontos de até 90% sobre o saldo das dívidas, possibilidade de usar até 20% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Confira como o programa deve funcionar.
O contexto do anúncio: endividamento recorde e pressão sobre as famílias
O pronunciamento de Lula no Dia do Trabalhador não foi escolha aleatória. O governo aproveitou a data para anunciar uma medida voltada especificamente à classe trabalhadora — justamente o público mais afetado pelo endividamento recente.
Dados do Banco Central de abril de 2026 mostram que 49,7% da renda das famílias brasileiras está comprometida com dívidas — nível próximo ao recorde histórico. Mais de 80% das famílias estão endividadas, e o comprometimento mensal de renda chegou a 29,3%. O custo desse endividamento é alto: cartão de crédito cobra em média 15% ao mês no rotativo, e o cheque especial supera 8% ao mês.
Para o governo, a lógica do novo Desenrola parte de uma constatação: o FGTS rende apenas a Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano — muito menos do que os juros cobrados pelas dívidas elegíveis. Usar parte do saldo para quitar esses débitos é financeiramente beneficioso para o trabalhador.
Condições detalhadas do novo Desenrola Brasil 2026
O novo Desenrola Brasil concentra as principais estratégias para reduzir dívidas e facilitar o pagamento, ampliando o alcance do alívio financeiro. Veja como cada uma funciona:
- Desconto sobre o saldo devedor: de 40% a 90% sobre o valor total da dívida, conforme o tipo de débito e a instituição financeira. O desconto é aplicado antes de qualquer pagamento — ou seja, o valor a quitar já começa muito menor.
- Uso do FGTS: até 20% do saldo disponível na data de adesão pode ser usado para abater o valor já com desconto. A Caixa Econômica Federal transfere diretamente ao banco credor, sem passar pela conta do trabalhador.
- Refinanciamento do saldo residual: o valor que restar após o desconto e o FGTS pode ser parcelado a 1,99% ao mês em até 48 meses (quatro anos).
- Fundo Garantidor de Operações (FGO): o governo disponibiliza até R$ 9 bilhões para cobrir eventuais inadimplências das instituições financeiras no programa, garantindo que os bancos participem sem risco excessivo.
- Restrição a apostas online: quem aderir fica proibido de fazer apostas em bets via Pix, cartão de crédito ou qualquer outra modalidade durante todo o período de participação. A verificação é automática por integração entre o sistema do Desenrola, o Banco Central e os bancos parceiros.

Confira quem pode participar do novo Desenrola Brasil. Imagem: Jornal Mix
Critérios de elegibilidade: quem pode participar
O programa tem foco claro: trabalhadores formais com renda baixa a média que estejam inadimplentes. Os critérios confirmados pelo governo são:
- Renda de até 5 salários mínimos: equivalente a cerca de R$ 8.105 em 2026. Trabalhadores acima desse teto não estão cobertos nesta fase do programa.
- Ter saldo no FGTS: contas ativas (trabalhador empregado) e inativas (empregos anteriores) são elegíveis. O uso é limitado a até 20% do saldo total na data de adesão — não é obrigatório usar o FGTS para participar do Desenrola.
- Dívidas inadimplentes entre 90 e 180 dias: o programa foca em inadimplência recente. O governo avalia ampliar esse critério para dívidas com até dois anos de atraso.
- MEIs e pequenos empresários: o programa também prevê condições específicas para microempreendedores individuais (MEIs) e pequenos empresários, com detalhes a serem confirmados no lançamento.
Tipos de dívidas contempladas pelo programa
Não são todas as dívidas que entram no Desenrola. O programa tem escopo definido, voltado às modalidades com juros mais altos e que mais pesam no orçamento das famílias de baixa renda:
- Cartão de crédito: incluindo rotativo e parcelado. É a modalidade com os juros mais altos do mercado — em média 15% ao mês — e a que mais aprisiona as famílias em ciclos de endividamento.
- Cheque especial: modalidade de crédito automático vinculada à conta corrente, com taxas que chegam a 8% ao mês.
- Crédito privado não consignado: empréstimos pessoais sem desconto em folha, que cobram taxas muito superiores às do consignado.
Ficam de fora desta fase: empréstimos consignados (já têm taxas reguladas e menores), financiamentos imobiliários e veiculares, e dívidas com o poder público como FGTS, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Receita Federal.
Próximos passos: quando e como acessar o programa
O programa ainda não está disponível para adesão. O detalhamento operacional — incluindo o passo a passo para renegociar e como autorizar o uso do FGTS — deve ser divulgado a partir de 4 de maio, após a finalização dos acordos com os bancos parceiros e a Caixa Econômica Federal.
- Canal de adesão: o processo deve ser feito digitalmente, pelos aplicativos dos bancos participantes e pela plataforma do Desenrola. Não há previsão de atendimento presencial obrigatório.
- Alerta contra golpes: o programa ainda não está disponível. Qualquer site, mensagem ou pessoa que ofereça acesso antecipado ao Desenrola ou cobre pagamento para “liberar” a renegociação é golpe. Aguarde os canais oficiais do governo federal.
- Onde acompanhar: o portal oficial do programa é desenrola.gov.br. O MTE e o Ministério da Fazenda também divulgarão as informações pelos canais oficiais nas próximas horas.
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