Home EconomiaVai ter greve dos caminhoneiros? Veja o que se sabe até o momento

Vai ter greve dos caminhoneiros? Veja o que se sabe até o momento

Alta do diesel chega a 17,45% em março e pressiona assembleias de sindicatos pelo país.

por Isabelli Pires
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Fotografia tirada de baixo para cima mostrando a cabine de um caminhão pesado azul vivo. No banco do motorista, um homem barbudo, vestindo uma camisa xadrez vermelha e cinza sobre uma camiseta bordeaux, segura o volante com as duas mãos. Ele está sorrindo levemente e olhando para o lado, através da janela aberta. A luz solar brilha intensamente no céu azul claro ao fundo. O retrovisor lateral do caminhão ocupa o canto inferior direito.

O dia D para o setor de transportes chegou. Entidades representativas dos caminhoneiros definem nesta quinta-feira, 19 de março, se o país entrará em uma nova greve geral. A decisão, que havia sido adiada, ocorre sob forte tensão devido à disparada dos combustíveis — reflexo direto do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que desestabilizou o preço do petróleo no mercado global.

As assembleias ocorrem em cidades como Santos (SP), onde o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam) reúne a categoria para definir se haverá adesão ao movimento. O ponto central das discussões envolve o aumento dos preços do diesel, que chegou a registrar alta de até 17,45% em estados como o Piauí nas últimas semanas, segundo dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log divulgados pelo Broadcast.

A pressão por reajuste nos preços dos fretes e denúncias de que empresas estariam descumprindo o piso mínimo regulado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estão entre as queixas dos caminhoneiros. Segundo Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), trabalhadores autônomos estão neste momento “pagando para trabalhar“.

Impasse sobre paralisação divide associações e amplia tensão

Sindicatos e associações divergem sobre adesão à greve

Enquanto entidades regionais em Santa Catarina, como o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes e Região (Sinditac), confirmaram adesão à paralisação a partir de 19 de março, outros grupos aguardam decisões de assembleias marcadas para o mesmo dia.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) apoiou inicialmente a greve, mas voltou atrás após reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, segundo nota assinada pelo presidente Paulo João Estausia.

O Ministério dos Transportes, por sua vez, anunciou intensificação na fiscalização do cumprimento do piso do frete rodoviário, com possibilidade de penalização eletrônica a empresas reincidentes em descumprimento das normas, conforme afirmou Renan Filho, titular da pasta, em coletiva na quarta-feira (18).

Líderes relatam queda de atividade e dificuldades de operação

De acordo com o caminhoneiro Wanderlei Alves, conhecido como Dedeco e liderança durante a greve de 2018, o custo de abastecimento do trajeto entre Paraná e Minas Gerais subiu R$ 890 em apenas uma semana, enquanto os valores de frete permaneceram inalterados. Para ele, a alternativa foi reduzir as viagens em detrimento de operar no prejuízo.

Segundo Everaldo de Azevedo Bastos, presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens), o atual reajuste do diesel agravou problemas estruturais já antigos do setor, impactando principalmente os transportadores autônomos.

Governo adota medidas para barrar aumento do diesel e tenta evitar desabastecimento

Cortes de tributos e subvenção ao diesel são anunciados

O governo federal lançou um pacote para conter a alta do diesel, anunciado por Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, incluindo corte de PIS/Cofins e subvenções que somam R$ 0,64 de queda nas refinarias, conforme detalhado pelo Ministério dos Transportes. Entretanto, impostos estaduais e municipais seguem vigentes e entidades denunciam que parte das distribuidoras mantém repasse de aumentos vindos do exterior.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou a abertura de investigações sobre eventuais preços abusivos de combustíveis, em colaboração com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e Procons estaduais e municipais, de acordo com comunicado divulgado em 18 de março.

O governo também anunciou possível elevação do imposto de exportação sobre petróleo, medida que objetiva ampliar a oferta no mercado interno.

Fiscalização eletrônica do frete e apuração sobre aumentos nas bombas

A ANTT reajustou os valores do piso do frete em até 7% para cargas de alto desempenho a partir de 16 de março, buscando compensar parte do aumento dos custos operacionais para os caminhoneiros.

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar denúncias de elevação abusiva de valores nas bombas, como detalhado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Dias, que afirmou que o efeito da guerra internacional não justificaria aumentos acima dos custos reais do setor.

Pressão por greve dos caminhoneiros reacende temores de 2018

Setores econômicos monitoram risco de desabastecimento e impacto financeiro

Em 2018, paralisações de dez dias afetaram o abastecimento em todo o país, provocando interrupção na entrega de alimentos, combustíveis, cancelamento de voos, redução na produção industrial e impacto direto sobre o agronegócio. De acordo com dados do Ibovespa, o índice acumulou queda de 10,87% apenas em maio daquele ano com o agravamento da crise.

Entidades do agro pressionaram o governo por aumento na mistura obrigatória de biodiesel, como resposta emergencial para compensar a alta do petróleo e reduzir custos no abastecimento nacional.

O governo tenta evitar repetição da crise, buscando manter canais de negociação com as lideranças e reforçando a fiscalização de contratos e preços em todo o país.

Vista aérea de uma rodovia com várias faixas. No lado esquerdo, uma fila de caminhões de diversos modelos e cores (branco, vermelho e cinza) ocupa o acostamento e a faixa da direita. Motoristas e pedestres estão parados ao lado dos veículos, conversando. Nas faixas centrais, o tráfego de carros de passeio e utilitários continua fluindo. Ao fundo, árvores e uma área verde margeiam a estrada sob luz solar clara.

O fantasma de 2018: setores do agronegócio e da indústria monitoram o risco de desabastecimento e a queda de indicadores financeiros. Imagem: Agência Brasil

Linha do tempo: principais eventos da possível greve dos caminhoneiros

  • Fim de fevereiro de 2026: Início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, causando disparada global no preço do petróleo.
  • Início de março: Índice IPTL registra alta de até 17,45% no diesel em estados como o Piauí.
  • 16 de março: ANTT anuncia reajustes nos pisos mínimos do frete rodoviário.
  • 18 de março: Ministério dos Transportes e ANTT divulgam novas ferramentas para fiscalização e penalização eletrônica de empresas.
  • 19 de março: Assembleias de entidades nacionais e regionais definem, em Santos (SP) e outras cidades, se haverá adesão à nova greve nacional dos caminhoneiros.

Para acompanhar em tempo real as decisões dos sindicatos, atualizações sobre possíveis bloqueios em rodovias e os reflexos nos preços dos combustíveis, acesse o Jornal Mix. Mantenha-se informado para entender como essa mobilização pode impactar o seu dia a dia.

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