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Rolagem infinita não será mais permitida para crianças nas redes sociais; veja regras

Novas diretrizes criam limites para uso de redes sociais por menores; ANPD detalha próximas etapas

por Luanna Silva
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Menino sério segurando um celular, ao lado de símbolo de proibição de uso de telefone

A partir de 2026, jovens notarão mudanças importantes nas redes sociais e aplicativos para conter o uso excessivo. Práticas como rolagem infinita e autoplay de vídeos, comuns em Instagram, Facebook e TikTok, serão proibidas para crianças e adolescentes. Essas funções criam um fluxo contínuo e quase automático de conteúdos, aumentando o tempo de uso de forma prejudicial. O objetivo é limitar esse estímulo e promover um uso mais saudável das plataformas.

Por que a rolagem infinita saiu do ar para menores de idade?

Segundo especialistas do Ministério da Justiça e da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), design manipulativo é toda escolha de interface pensada para criar urgência, escassez ou até angústia. Crianças e adolescentes acabam mais vulneráveis a esse tipo de arquitetura, o que pode aumentar ansiedade e dependência digital.

Além da rolagem infinita, o decreto também veta notificações compulsórias e mecanismos que forcem interação constante. A preocupação central é evitar que o design das plataformas “capture” a atenção dos mais jovens, afetando seu bem-estar emocional e hábitos digitais.

O que muda nas redes sociais e apps em 2026

  • Rolagem infinita desativada: redes sociais populares terão de implementar limites ou interrupções para contas de menores de 18 anos.
  • Autoplay bloqueado: reprodução automática de vídeos deverá ser desabilitada por padrão, em especial em plataformas de vídeo e streaming.
  • Notificações sob controle: notificações que geram pressão por interação, como prazos artificiais ou avisos de escassez, vão precisar de nova regulamentação.
  • Verificação etária reforçada: será obrigatório adotar mecanismos seguros de verificação de idade, sem expor dados sensíveis dos usuários.

A ANPD é o órgão responsável por detalhar requisitos técnicos, realizar audiências públicas e fiscalizar a implementação dessas medidas. Já está prevista uma primeira orientação sobre aferição de idade e, nos próximos meses, ajustes finos sobre os recursos que entram na proibição.

Criança usando tablet com notebook ao fundo e ícones de controle parental

Saiba como funcionará a verificação de idade. Imagem: Jornal Mix.

Como funcionará a verificação de idade?

Para cumprir a lei, plataformas devem impedir que menores acessem recursos inadequados apenas com autodeclaração de idade. O ECA Digital exige precisão, proporcionalidade e proteção de dados – ou seja, nada de exigir dados pessoais sem justificativa. Cada plataforma terá que adaptar seus mecanismos para garantir acurácia e respeito à privacidade.

Iagê Miola, da ANPD, reforçou que as bases da lei já estão definidas, mas detalhes técnicos passarão a ser discutidos junto à sociedade civil e especialistas para garantir equilíbrio entre proteção e experiência de uso.

Combate ao crime digital e proteção ampliada

Entre as novidades do ECA Digital está o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, ligado à Polícia Federal. A nova estrutura vai centralizar denúncias e ações contra crimes, como aliciamento online, vazamento de dados e exploração infantojuvenil em ambientes virtuais.

Maria Mello, do Instituto Alana, resumiu: “É uma lei que protege crianças e adolescentes na internet, e não da internet”. O novo marco legal reafirma princípios da Constituição, garantindo direitos digitais para o público infantojuvenil em todo o contexto online, seja em apps de redes sociais, games ou plataformas de vendas.

Impactos esperados e próximos passos

Os principais impactos vão do uso diário — mais limites para acessar conteúdos sem fim — à responsabilização maior das empresas de tecnologia. Plataformas que descumprirem a legislação enfrentarão sanções e investigações. Já as famílias terão respaldo para exigir proteção dos jovens no ambiente virtual.

Nos próximos meses, a ANPD abrirá consultas públicas, detalhando como as novas regras serão aplicadas nas redes sociais, games e serviços digitais. O decreto inaugura uma nova fase da discussão sobre tecnologia e comportamento infantojuvenil no Brasil.

Perguntas Frequentes

Quando a proibição da rolagem infinita para menores começa a valer?

As regras já estão em vigor, mas as plataformas terão prazo para adaptação após as orientações técnicas da ANPD e publicação das normas detalhadas.

Quais redes sociais vão precisar adotar mudanças?

Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, além de aplicativos de vendas online e streaming entrarão na regulamentação, caso permitam acesso de crianças e adolescentes.

Como será feita a verificação de idade sem expor dados pessoais?

As plataformas devem adotar métodos confiáveis, que preservem a privacidade. Detalhes ainda serão definidos pela ANPD, mas a exigência é evitar coleta excessiva de informações.

Pais podem acompanhar as mudanças no uso dos filhos?

Sim, as novas regras ampliam o papel das famílias, facilitando monitoramento e controle parental, além de dar respaldo caso haja descumprimento da lei pelas plataformas.

A lei impede que adolescentes usem redes sociais?

Não. O acesso continua permitido, mas sem recursos como rolagem infinita, autoplay e notificações manipulativas. O objetivo é tornar o ambiente mais seguro e saudável.

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