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Gasolina ultrapassa R$ 7 em várias regiões do país e preocupa motoristas; entenda

Preço da gasolina subiu mesmo sem reajuste da Petrobras

por Quezia Borges
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Consumidor abastecendo veículo em posto de combustível após aumentos de preços investigados por órgãos federais.

O painel de preços no posto de combustível mudou de um dia para o outro e pegou muitos motoristas de surpresa. Em diversas cidades do Brasil, o valor do litro da gasolina já ultrapassa a marca de R$ 7, gerando apreensão e uma dúvida: se a Petrobras, principal fornecedora do país, não anunciou reajustes, o que explica essa alta repentina? A seguir, veja o que está por trás desses aumentos e quais as providências que já estão sendo tomadas.

O aumento da gasolina em diversas regiões

De Norte a Sul, os registros confirmam a tendência de alta, com variações dependendo da localidade. A situação levou órgãos de defesa do consumidor a intensificar a fiscalização.

Motorista abastece carro em posto de gasolina em meio à variação de preços do combustível entre estados brasileiros.

Valor da gasolina ultrapassa R$ 7 em várias regiões; confira!
Imagem: Freepik

Nordeste

Na Bahia, o aumento foi impulsionado por um reajuste de 7,5% anunciado pela Acelen, empresa que administra a Refinaria de Mataripe. Em Salvador, a gasolina comum chegou a ser encontrada por R$ 7,49 em alguns postos. Já em Feira de Santana,  segunda maior cidade da Bahia, o preço médio atingiu R$ 6,73. A Acelen justifica que seus preços seguem critérios de mercado, considerando a cotação do petróleo, o dólar e custos de frete.

No Recife, onde o litro chegou a R$ 7,50, o Procon autuou 12 postos por aumento injustificado, visto que o preço médio no estado era de R$ 6,52 em fevereiro. No Rio Grande do Norte, o cenário de alta se repete,  a gasolina subiu de R$ 2,59 para R$ 2,89 por litro, e o diesel de R$ 3,32 para R$ 4,07.

Norte

No estado do Amazonas, o debate sobre os preços chegou à Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (11/03). Em Manaus, a gasolina é vendida em média a R$ 7,29, mas a situação é ainda mais grave no interior. Em municípios como Pauini, o litro da gasolina alcançou R$ 9,14, e em Maués, o valor ultrapassou os R$ 10, evidenciando os desafios logísticos da região.

Sul e Sudeste

No Rio Grande do Sul, o sindicato Sulpetro registrou aumentos de até R$ 0,62 no diesel e R$ 0,30 na gasolina. Em São Paulo, o Sincopetro, que representa milhares de postos, relatou que o diesel sofreu reajustes de até R$ 0,50, enquanto a gasolina subiu cerca de R$ 0,07 por litro.

Preço do petróleo dispara devido ao conflito no Oriente Médio

A intensificação de conflitos no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo, matéria-prima dos combustíveis, a patamares não vistos em anos, superando os US$ 100 por barril. Esse aumento de custo impacta diretamente os importadores e as refinarias privadas no Brasil.

O mercado brasileiro de combustíveis é aberto, o que significa que, além da Petrobras, empresas privadas importam e refinam petróleo. Essas companhias, como a Acelen na Bahia, repassam as variações do mercado internacional de forma mais ágil aos seus clientes, as distribuidoras, que por sua vez repassam aos postos.

Petrobras vs. mercado: Por que os preços divergem?

A estratégia de preços da Petrobras difere da de outros players do mercado. A estatal adota uma política que busca suavizar as oscilações de curto prazo do mercado internacional, evitando repassar a volatilidade diretamente para o consumidor. Prova disso é que os últimos reajustes anunciados pela companhia foram de redução: em janeiro para a gasolina e em maio do ano anterior para o diesel.

Essa diferença de abordagem cria uma defasagem. Enquanto a Petrobras segura seus preços, importadores e refinarias privadas ajustam seus valores conforme a alta do petróleo e do dólar, resultando nos aumentos que os motoristas encontram nas bombas, especialmente em regiões não atendidas majoritariamente pela estatal.

Investigações em andamento

Diante da alta de preços sem um movimento correspondente da Petrobras, órgãos de fiscalização começaram a agir. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma investigação para apurar se há indícios de infração à ordem econômica ou práticas anticompetitivas.

Nos estados, os Procons também estão atuando. O caso do Recife, com a autuação de 12 estabelecimentos, é um exemplo da fiscalização que busca coibir aumentos abusivos e garantir que os postos não elevem os preços de estoques adquiridos com valores antigos. Ações semelhantes estão sendo intensificadas em outras capitais, como em Manaus, onde o Procon-AM anunciou que irá apurar os reajustes.

O cenário atual demonstra a complexidade da formação de preços dos combustíveis no Brasil. A variação sentida pelo consumidor final é resultado de uma cadeia que envolve a cotação internacional do petróleo, a política de preços de diferentes empresas e a fiscalização dos órgãos competentes, que agora investigam a legitimidade dos recentes aumentos.

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