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Conflito no Irã dispara petróleo e ameaça novo aumento na gasolina no Brasil

Alta internacional pressiona valor dos combustíveis

por Luiza Pereira
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Bomba de combustível em posto brasileiro exibindo os indicadores de litros, preço por litro e total a pagar nas opções de gasolina comum e etanol, ilustrando possível reajuste nos preços após disparada do petróleo

Quem abasteceu o carro neste fim de semana pode ter aproveitado os últimos dias de preços mais baixos. A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada no sábado (28), provocou uma forte alta no preço do petróleo no mercado internacional — e esse movimento pode chegar rapidamente às bombas dos postos no Brasil.

O impacto não deve ficar restrito à gasolina: diesel, frete e até o preço de alimentos podem sentir os efeitos dessa tensão global.

O que está por trás dessa alta? Quando o reajuste pode aparecer nos postos? E quanto pode pesar no seu bolso? Continue lendo e entenda como esse conflito pode afetar diretamente o seu dia a dia.

Operação Epic Fury: o que aconteceu no Irã e por que os mercados reagiram

No sábado, EUA e Israel lançaram a chamada “Operação Epic Fury”, uma série de ataques aéreos coordenados contra alvos militares e o programa nuclear do Irã. A ação resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de outras autoridades do alto escalão. O objetivo declarado pelo presidente Donald Trump foi forçar uma mudança de regime no país.

A reação dos mercados foi imediata. Na segunda-feira (2), primeiro dia útil após os ataques, o petróleo tipo Brent — referência global — chegou a subir 13% durante o dia, fechando o pregão cotado a US$ 82,37 o barril. O WTI, negociado em Nova York, saltou cerca de 6%. Alguns analistas já falam em barril a US$ 100 caso o conflito se prolongue.

Por que o valor do petróleo subiu?

O grande fator por trás da alta não é a produção em si, mas a logística. O Irã fica às margens do Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde circulam cerca de 20% de toda a produção mundial de petróleo e gás. Com o conflito, o estreito foi parcialmente bloqueado — houve relatos de centenas de embarcações ancoradas sem poder atravessar.

A Opep+ anunciou aumento da produção no domingo (1º) para tentar compensar a oferta, mas analistas apontam que o gargalo está no transporte, não na capacidade de extrair petróleo. Enquanto o Estreito de Ormuz seguir comprometido, os preços tendem a permanecer elevados.

Como isso afeta o Brasil?

Plataforma de extração de petróleo em alto-mar vista de cima, com heliponto, guindastes e estrutura industrial sobre o oceano, ilustrando a alta do barril após ofensiva militar dos EUA e Israel contra o Irã

Guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã pressiona o mercado global de energia e ameaça encarecer combustíveis no Brasil. Imagem: Agência Brasil

Mesmo sendo um grande exportador de petróleo, o Brasil importa derivados como diesel e gasolina. Quando o barril sobe lá fora, a pressão por reajustes chega em cadeia: a Petrobras reavalia seus preços com base na cotação internacional e no câmbio do dólar, as distribuidoras repassam e o consumidor paga mais caro no posto. Hoje, a defasagem entre o preço praticado pela estatal e o mercado internacional já existia antes dos ataques — com a nova alta, analistas estimam que um reajuste pode se tornar inevitável nas próximas semanas caso o barril se mantenha acima dos US$ 80.

E o impacto não para na bomba. O diesel mais caro encarece o frete rodoviário, e isso atinge praticamente tudo o que chega às prateleiras — de alimentos a produtos de limpeza. Economistas estimam que cada 1% de aumento na gasolina eleva o IPCA em 0,05 ponto percentual. Na prática, se o litro subir R$ 0,15 a R$ 0,20 nos postos, uma família que enche o tanque toda semana pode gastar de R$ 30 a R$ 40 a mais por mês só com combustível — sem contar o encarecimento do restante das despesas.

E os juros? Copom pode frear corte da Selic

A Selic é a taxa básica de juros do Brasil — quando ela cai, fica mais barato financiar um carro, uma casa ou pegar um empréstimo. Hoje ela está em 15% ao ano, e o Banco Central já havia sinalizado que começaria a reduzi-la na reunião de março, o que seria uma boa notícia para o bolso dos brasileiros.

Só que a guerra mudou o jogo. Com petróleo e dólar em alta, a inflação pode voltar a subir — e cortar juros nesse cenário seria arriscado. Por isso, analistas já consideram que o corte pode vir mais tímido, de 0,25 ponto percentual em vez dos 0,50 esperados, ou até ser adiado. Para quem esperava crédito mais barato em breve, pode ser preciso esperar um pouco mais.

Há algum lado positivo para o Brasil?

Curiosamente, sim. Com restrições ao petróleo do Oriente Médio, o Brasil pode se tornar uma alternativa para compradores asiáticos, especialmente a China. O país já exporta cerca de 2 milhões de barris por dia e, se o conflito se consolidar, a demanda pelo petróleo brasileiro pode crescer. Ações da Petrobras subiram quase 4% na segunda-feira, refletindo essa expectativa.

Porém, especialistas alertam: os benefícios da exportação não compensam o impacto inflacionário no consumo interno se a crise se prolongar.

A verdade é que o que acontece a milhares de quilômetros pode mudar o preço do arroz, do feijão e da gasolina aqui no Brasil. O Jornal Mix segue acompanhando cada desdobramento do conflito e seus reflexos no bolso do brasileiro. Continue acessando o portal para ter acesso as melhores notícias em primeira mão!

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