Uma nova tarifa global de 10% sobre importações, instituída pelo presidente americano Donald Trump, entrou em vigor nesta terça-feira (24), gerando apreensão em diversos setores da economia global. No entanto, para o Brasil, a medida veio acompanhada de uma lista estratégica de isenções que alivia a pressão sobre alguns dos principais produtos da pauta de exportação brasileira.
Você sabe quais são e por que foram escolhidos? Confira a seguir os detalhes dessa decisão e os itens que escaparam da nova taxação.
Fim de taxas antigas, início de uma nova tarifa
A recente decisão da Suprema Corte dos EUA anulou tarifas anteriores aplicadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Para o Brasil, isso significou o fim de duas sobretaxas importantes: as tarifas recíprocas de 10% e a pesada alíquota de 40% que havia sido anunciada em 2025.
Contudo, poucas horas após a decisão judicial, uma nova medida foi estabelecida. Com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, Trump instituiu a nova tarifa global de 10%, que pode chegar a 15% por um período de 150 dias antes de necessitar de aprovação do Congresso. A boa notícia é que uma lista considerável de produtos foi isentada, beneficiando diretamente setores da economia brasileira.
Por que alguns produtos ficaram de fora?
A escolha dos produtos isentos não foi aleatória. Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, ao portal do G1, a medida busca calibrar a pressão comercial sem causar grandes danos à própria economia dos Estados Unidos. “O objetivo é calibrar a medida para gerar pressão comercial sem provocar danos relevantes à própria economia dos EUA”, afirma Campos.
Ao isentar itens como combustíveis, insumos agrícolas e componentes tecnológicos, a administração Trump visa evitar o repasse imediato de custos aos consumidores americanos, rupturas em cadeias de produção e proteger setores considerados estratégicos para a segurança econômica e tecnológica do país.

Carne bovina do Brasil está entre os produtos que não serão atingidos pela nova tarifa de importação dos Estados Unidos.
Imagem: Freepik
Produtos brasileiros isentos da nova tarifa
A lista de isenções é ampla e abrange desde commodities até produtos de alto valor agregado, representando um alívio para exportadores brasileiros. O vice-presidente Geraldo Alckmin celebrou a isenção de itens chave como combustível, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves. Veja os principais produtos divididos por setor:
Agroindústria e alimentos
- Carne Bovina: Inclui todos os tipos de cortes, sejam eles frescos, refrigerados ou congelados.
- Café em Grão: Abrange café torrado, não torrado e descafeinado.
- Suco de Laranja: Isenção para as versões congelada e concentrada.
- Cacau e Derivados: Inclui grãos, pasta, manteiga e pó de cacau.
- Fertilizantes: Essenciais para a produção agrícola, os fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos também estão isentos.
Energia e combustíveis
- Petróleo Bruto: Isento em suas diferentes classificações de densidade.
- Óleos Combustíveis: Incluindo óleo combustível (fuel oil), óleos destilados e residuais.
- Querosene de Aviação (Jet Fuel): O combustível utilizado em aeronaves comerciais e executivas.
Setor aeronáutico e industrial
- Aeronaves Civis: Aviões de todos os portes, exceto militares.
- Motores Aeronáuticos: Turbojatos, turbopropulsores e outros tipos de motores para aviação.
- Peças e Componentes: Partes de fuselagem, sistemas de navegação e componentes de motores.
Mineração e tecnologia
- Alumina Calcinada: Importante insumo para a produção de alumínio.
- Ferro-ligas: Diversas ligas como ferromanganês, ferrossilício e ferroníquel.
- Minérios de Metais: Cobre, níquel, cobalto, zinco, estanho e titânio.
- Semicondutores: Componentes essenciais para a indústria de tecnologia.
- Eletrônicos Selecionados: Inclui processadores, memórias e máquinas para fabricação de semicondutores.
Atenção ao aço e alumínio
Apesar das boas notícias, é importante destacar que a situação para as exportações brasileiras de aço e alumínio continua desafiadora. Estes produtos permanecem sujeitos a alíquotas anteriores de 50%, que agora se somam à nova tarifa global de 10%, mantendo o custo de exportação elevado para esses insumos industriais.
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