Milhões de profissionais em todo o planeta vivenciam sensações de desconforto no peito, nervosismo e aflição quando o domingo se aproxima do fim. Denominada “Sunday Scaries” ou “síndrome do domingo à noite”, essa inquietação prévia tem se tornado cada vez mais frequente na atualidade. Esse fenômeno pode servir como indicador da relação entre as pessoas e suas vidas profissionais.
A expressão informal descreve um grupo de sensações que englobam nervosismo, melancolia, aflição ou preocupação diante do encerramento do domingo e do começo de uma nova semana. Além dessas questões de ordem emocional, a síndrome também pode provocar manifestações físicas, como fadiga, dores de cabeça e pressão no peito.
Pesquisas revelam a amplitude do problema
Um levantamento divulgado em 2018 pelo LinkedIn, indicou que 80% dos participantes declararam já ter passado por essa condição — o percentual é ainda mais elevado entre millennials e geração Z: 90%. Informações mais atualizadas da Adobe, que consultou 1.004 pessoas, apontaram que aproximadamente 82% dos trabalhadores já foram impactados pela síndrome, com o índice alcançando 92% entre jovens da geração Z.
No Reino Unido, uma pesquisa oficial identificou que 67% dos adultos vivenciam regularmente ansiedade dominical antes do início da semana laboral, chegando a 74% entre pessoas de 18 a 24 anos.
Consequências para o sono e o rendimento
De acordo com a Academia Americana de Medicina do Sono (AASM), aproximadamente 80% dos adultos norte-americanos relatam ter mais dificuldade para dormir aos domingos em comparação com outras noites. Uma pesquisa do Journal of Clinical Sleep Medicine calcula que até 76% das pessoas experienciam algum tipo de perturbação do sono nas noites de domingo.
O que essa síndrome indica sobre a vida no trabalho
Trata-se de uma espécie de estado de humor deprimido, ocasionado principalmente pela preocupação com o retorno a mais uma semana de atividades. Ambientes profissionais tóxicos ou desequilibrados, marcados por alta pressão, sobrecarga de tarefas e poucos estímulos positivos, podem agravar a ansiedade relacionada ao retorno à rotina. A percepção de estagnação, o sentimento de que o trabalho ou os estudos carecem de significado ou motivação, pode transformar a volta às atividades em algo penoso e desanimador.

Ao perceber aumento em sensações como angústia e ansiedade neste momento específico da semana, pode ser importante procurar auxílio. Imagem: Jornal Mix
Fatores que contribuem para o problema
A síndrome do domingo à noite, embora não seja classificada como patologia, pode ter relação com elementos como rotina extenuante. Pessoas que mantêm uma agenda intensa de segunda a sexta, ou mesmo durante o sábado e o próprio domingo, com pouco tempo para repouso ou entretenimento, tendem a sentir essa pressão no domingo.
O quadro pode aparecer por razões específicas ligadas ao ambiente de trabalho, como descontentamento com a chefia, com colegas, com os princípios da organização ou até mesmo com a função exercida.
Conexão com Burnout e bem-estar mental
A síndrome do domingo à noite possui vínculo direto com a Síndrome de Burnout. Desde janeiro de 2022, a OMS reconhece os impactos do estresse crônico provocado pelo ritmo de trabalho como componente de uma doença ocupacional.
Mais de um terço dos profissionais já cogitaram deixar o emprego por causa da ansiedade dominical, e 11,7% efetivamente o fizeram. Mais de 42% afirmam que suas atividades profissionais prejudicam sua saúde mental.
Como lidar com a ansiedade dominical
Para superar a síndrome, o primeiro passo é compreender o que originou esse conjunto de sentimentos. Somente ao entender como essa situação se desenvolveu, seus contextos e demandas relacionadas, torna-se viável adotar medidas e estratégias mais saudáveis de enfrentamento. A psicoterapia é recomendada para obter clareza sobre como se chegou a esse estado.
Organizar a semana com antecedência e evitar deixar para estruturar as atividades no domingo à noite, planejando-as na sexta-feira, pode diminuir a ansiedade sobre as pendências.
Nas tardes e noites de domingo, ao invés de concentrar-se nos aspectos negativos da semana ou imaginar o volume de tarefas, a pessoa pode aproveitar o tempo para programar atividades agradáveis — um almoço com amigos no meio da semana ou uma sessão de cinema após o expediente. Ao criar esses momentos de prazer, encontra-se boas razões para iniciar a semana.
Muitas pessoas já relatam diversas estratégias para administrar melhor esses sintomas, incluindo a prática de exercícios físicos, especialmente no domingo, para liberação de substâncias como serotonina, endorfina e ocitocina.
Ao notar aumento em sensações como aflição e nervosismo nesse momento específico da semana, pode ser fundamental buscar apoio. Quando percebemos que essas questões estão se tornando cada vez mais frequentes e intensas, pode haver necessidade de ajuda profissional, pois esse quadro pode evoluir para depressão ou burnout. Você se identificou com o conteúdo? Conte nos comentários e não hesite em procurar ajuda profissional.