Home Saúde e Bem-estarAdeus limpeza segura: Anvisa encontra 76 irregularidades na fábrica da Ypê – veja quem deve parar de usar

Adeus limpeza segura: Anvisa encontra 76 irregularidades na fábrica da Ypê – veja quem deve parar de usar

Empresa apresentou recurso e aguarda julgamento do colegiado marcado para sexta-feira

por Aialla Andrade
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Garrafa de detergente neutro Ypê amarelo em prateleira de supermercado com texto sobre suspensão da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de produtos lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê, de todos os lotes com numeração final 1. A medida abrange mais de cem lotes de produtos acabados contaminados com a bactéria Pseudomonas aeruginosa.

A Resolução 1.834/2026, publicada em 7 de maio no Diário Oficial da União, determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos itens. Os itens foram fabricados pela empresa Química Amparo, na unidade localizada em Amparo (SP).

A decisão foi tomada após uma inspeção sanitária realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo.

Irregularidades encontradas na inspeção

Durante reunião da diretoria colegiada realizada nesta quarta-feira (13), o presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, detalhou que foram detectadas 76 irregularidades na fábrica da Química Amparo. Os problemas abrangem desde falhas relacionadas à qualidade microbiológica até deficiências no controle de materiais de embalagem.

Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo. Entre eles, incluem-se falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes.

Nove garrafas de detergentes Ypê coloridos enfileiradas sobre superfície reflexiva com fundo amarelo vibrante

A Anvisa encontrou 76 irregularidades na fábrica da Ypê em Amparo (SP), incluindo risco de contaminação bacteriana. Lotes com final 1 devem ser evitados. Imagem: Reprodução/ Ypê

O que é a Pseudomonas aeruginosa

A bactéria Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo ambiental altamente resistente a antibióticos e pode representar risco principalmente para pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, ouvido pela Agência Brasil, a bactéria raramente causa doenças em indivíduos saudáveis, mas pode provocar infecções em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes submetidos a procedimentos invasivos.

Os grupos de risco incluem pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas que usam medicamentos imunossupressores, pacientes com doenças crônicas graves e pessoas com feridas abertas, queimaduras ou dispositivos médicos como cateteres e ventilação mecânica.

Riscos à saúde

Na pele, a chamada foliculite por Pseudomonas provoca erupção cutânea, inchaço nos linfonodos axilares e febre. Já ferimentos por perfuração, especialmente em crianças, podem evoluir para infecções profundas com secreção purulenta.

Em pacientes com fibrose cística, queimaduras ou internados em UTI, o quadro tende a ser mais severo, podendo evoluir para pneumonia, sepse e choque séptico.

Posicionamento da Ypê

A empresa Ypê afirmou em nota estar em “colaboração máxima” com a Anvisa na busca por uma solução definitiva. Representantes da companhia se reuniram com a agência na terça-feira (12) e apresentaram atualização do plano de ação.

No encontro, a empresa informou que 239 medidas corretivas estão em andamento para tentar reverter a decisão da agência.

A Ypê informou que já havia iniciado, em novembro de 2025, um recolhimento voluntário de alguns lotes de lava-roupas líquidos, após identificar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos específicos.

A empresa esclareceu que manteve suspensas as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde o último dia 7 de maio.

Recurso e julgamento adiado

Segundo a Ypê, o protocolo do recurso suspende automaticamente os efeitos da medida até novo posicionamento da agência reguladora, com base no artigo 17 da Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa 266/2019.

A diretoria da Anvisa retirou da pauta o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo. O caso voltará à análise do colegiado na sexta-feira (16).

Mesmo com o efeito suspensivo, a Anvisa recomenda que os consumidores não usem os produtos indicados, por segurança.

Orientações aos consumidores

Quem tem em casa lotes dos produtos especificados na Resolução 1.834/2026 deve suspender imediatamente o uso e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para informações sobre o procedimento de recolhimento.

O consumidor que possuir produtos dos lotes suspensos — principalmente com final 1, produzidos em Amparo (SP) — deve interromper o uso imediatamente. Para substituição ou reembolso, a orientação é contatar o SAC da empresa pelo 0800 1300 544.

O consumidor não deve descartar o produto de qualquer maneira, pois o descarte incorreto pode contaminar o meio ambiente.

Produtos afetados

Entre os produtos estão: Lava-louças Ypê e versões Clear, Green e Toque Suave; Desinfetantes Bak Ypê, Atol e Pinho Ypê. Os demais produtos Ypê não são impactados pela decisão, incluindo os mesmos produtos de lotes com numeração final diferente de 1.

Críticas à politização do caso

O presidente da Anvisa aproveitou a reunião da diretoria para defender a atuação do órgão, baseada, segundo ele, em critérios científicos. Safatle criticou a politização nas redes sociais em torno da decisão que mandou retirar das prateleiras produtos da Ypê.

Para o dirigente, a circulação de informações falsas, distorcidas ou deliberadamente enganosas compromete a qualidade do debate público e coloca vidas em risco na área da saúde. Ele classificou o debate como “desserviço” à população.

A Anvisa deve analisar o recurso da Química Amparo na próxima sexta-feira, quando definirá se mantém ou revoga a suspensão determinada pela Resolução 1.834/2026. Para mais notícias, acesse Jornal Mix!

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