Nove em cada dez pessoas que sofrem acidente ao mergulhar ficam tetraplégicas, ou seja, perdem os movimentos do pescoço para baixo. O dado é de levantamento da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação e ajuda a dimensionar o risco por trás dos saltos de altura em piscina, prática que volta e meia reaparece em vídeos nas redes sociais.
O impacto acontece antes de dar tempo de reagir
Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), o mergulho em água rasa é a quarta maior causa de lesão medular no Brasil ao longo do ano e sobe para a segunda posição no verão, atrás apenas dos acidentes de trânsito.
O mecanismo é quase sempre o mesmo. A cabeça atinge o fundo, a borda ou um ponto mais raso, e a força da queda comprime a coluna cervical. Vértebras fraturam ou saem do lugar, e a medula, estrutura que leva os comandos do cérebro para braços e pernas, é lesionada de um jeito que muitas vezes não tem volta.
A piscina engana mais que o rio
Existe a impressão de que piscina é ambiente controlado e, por isso, seguro. Especialistas em coluna alertam que a água limpa dá uma falsa noção de profundidade e que erros de cálculo em saltos de altura bastam para transformar lazer em lesão permanente.
Quanto maior a altura da queda, maior a velocidade de entrada e menor a margem de erro. Poucos centímetros de diferença na posição do corpo mudam completamente onde e com que força o choque acontece.
O perfil das vítimas é quase sempre o mesmo
A pesquisa da Rede Sarah aponta que a maioria dos pacientes atendidos após acidentes de mergulho são adolescentes e adultos jovens do sexo masculino. Dados citados pela SBC indicam que cerca de 90% das vítimas têm entre 10 e 25 anos.
É o mesmo público que mais consome esse tipo de vídeo, e aí mora o efeito multiplicador: cada gravação que viraliza funciona como convite para a próxima tentativa.
Socorrer errado piora tudo
Se alguém se machucar na água, a orientação dos especialistas é não retirar a pessoa às pressas. Cabeça e pescoço precisam ser mantidos alinhados com o restante do corpo, com o rosto fora da água, até a chegada do resgate.
Puxar pelo braço, sentar a vítima ou pedir que ela levante e ande pode agravar uma lesão que ainda seria parcial. O Samu atende pelo 192 e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Sinais que exigem chamada imediata
Dor no pescoço que irradia para os braços, formigamento ou dormência nos membros, fraqueza ou incapacidade de mover braços e pernas, dificuldade para respirar e alteração no nível de consciência são apontados por neurocirurgiões como indicativos de trauma na coluna.
Sobre o vídeo que circula nas redes, não há confirmação de onde a cena foi gravada nem informação sobre o estado de saúde do homem depois do salto.
Informação salva mais gente do que sorte. Se este texto fizer alguém pensar duas vezes antes de subir para o salto, já valeu. Acompanhe o Jornal Mix em jornalmix.com.br e nas redes para receber alertas como este antes que virem estatística.
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