Home ComportamentoNove em cada dez acidentes de mergulho terminam em tetraplegia, aponta estudo da Rede Sarah

Nove em cada dez acidentes de mergulho terminam em tetraplegia, aponta estudo da Rede Sarah

Especialistas alertam que a água limpa e a aparência de profundidade enganam, e que socorrer errado piora a lesão.

por Amanda Beatriz Damascena
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Nove em cada dez pessoas que sofrem acidente ao mergulhar ficam tetraplégicas, ou seja, perdem os movimentos do pescoço para baixo. O dado é de levantamento da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação e ajuda a dimensionar o risco por trás dos saltos de altura em piscina, prática que volta e meia reaparece em vídeos nas redes sociais.

 

O impacto acontece antes de dar tempo de reagir

Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), o mergulho em água rasa é a quarta maior causa de lesão medular no Brasil ao longo do ano e sobe para a segunda posição no verão, atrás apenas dos acidentes de trânsito.

O mecanismo é quase sempre o mesmo. A cabeça atinge o fundo, a borda ou um ponto mais raso, e a força da queda comprime a coluna cervical. Vértebras fraturam ou saem do lugar, e a medula, estrutura que leva os comandos do cérebro para braços e pernas, é lesionada de um jeito que muitas vezes não tem volta.

A piscina engana mais que o rio

Existe a impressão de que piscina é ambiente controlado e, por isso, seguro. Especialistas em coluna alertam que a água limpa dá uma falsa noção de profundidade e que erros de cálculo em saltos de altura bastam para transformar lazer em lesão permanente.

Quanto maior a altura da queda, maior a velocidade de entrada e menor a margem de erro. Poucos centímetros de diferença na posição do corpo mudam completamente onde e com que força o choque acontece.

O perfil das vítimas é quase sempre o mesmo

A pesquisa da Rede Sarah aponta que a maioria dos pacientes atendidos após acidentes de mergulho são adolescentes e adultos jovens do sexo masculino. Dados citados pela SBC indicam que cerca de 90% das vítimas têm entre 10 e 25 anos.

É o mesmo público que mais consome esse tipo de vídeo, e aí mora o efeito multiplicador: cada gravação que viraliza funciona como convite para a próxima tentativa.

Socorrer errado piora tudo

Se alguém se machucar na água, a orientação dos especialistas é não retirar a pessoa às pressas. Cabeça e pescoço precisam ser mantidos alinhados com o restante do corpo, com o rosto fora da água, até a chegada do resgate.

Puxar pelo braço, sentar a vítima ou pedir que ela levante e ande pode agravar uma lesão que ainda seria parcial. O Samu atende pelo 192 e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.

Sinais que exigem chamada imediata

Dor no pescoço que irradia para os braços, formigamento ou dormência nos membros, fraqueza ou incapacidade de mover braços e pernas, dificuldade para respirar e alteração no nível de consciência são apontados por neurocirurgiões como indicativos de trauma na coluna.

Sobre o vídeo que circula nas redes, não há confirmação de onde a cena foi gravada nem informação sobre o estado de saúde do homem depois do salto.

Informação salva mais gente do que sorte. Se este texto fizer alguém pensar duas vezes antes de subir para o salto, já valeu. Acompanhe o Jornal Mix em jornalmix.com.br e nas redes para receber alertas como este antes que virem estatística.

 

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