Home ComportamentoMulher em situação de rua dá à luz na calçada da BR-307, em Cruzeiro do Sul, e é atendida pelo Samu

Mulher em situação de rua dá à luz na calçada da BR-307, em Cruzeiro do Sul, e é atendida pelo Samu

O nascimento ocorreu antes que a equipe conseguisse remover a gestante, e nenhum boletim oficial sobre o estado de mãe e filho foi divulgado.

por Amanda Beatriz Damascena
A+A-
Reiniciar

Uma mulher em situação de rua deu à luz na calçada de um trecho da BR-307, no sentido da Ponte da União, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, na tarde de sexta-feira (24). O nascimento aconteceu enquanto uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestava os primeiros atendimentos no local.

 

Bebê nasceu antes que a remoção fosse possível

Segundo informações apuradas no local e divulgadas pela imprensa da região, a gestante entrou em trabalho de parto em frente a um estabelecimento comercial, e populares acionaram o socorro.

Quando os socorristas chegaram, o nascimento já era iminente e não houve tempo de transferir a mulher até uma unidade de saúde. O bebê veio ao mundo ali mesmo, sobre a calçada, durante os procedimentos iniciais da equipe.

Os profissionais seguiram no atendimento à mãe e ao recém-nascido depois do parto. Até a publicação desta reportagem, nenhum boletim oficial havia detalhado o estado de saúde dos dois nem confirmado para qual unidade eles foram levados.

Por que uma gestante chega ao parto sem assistência

Situações assim expõem uma falha que se acumula ao longo de meses. Uma gravidez acompanhada desde o início permite identificar riscos, tratar infecções, corrigir carências nutricionais e programar o nascimento em ambiente hospitalar.

Para quem vive na rua, esse acompanhamento raramente acontece. Sem endereço fixo, sem documentos em mãos e muitas vezes sem vínculo com nenhuma equipe de saúde, a mulher só entra no sistema quando já está em trabalho de parto, quase sempre por meio de uma emergência.

A rede que deveria ter chegado antes

O Sistema Único de Saúde (SUS) prevê equipes de Consultório na Rua, que fazem atendimento itinerante à população em situação de rua justamente para alcançar quem não procura uma unidade básica. A assistência social atua pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e pelos serviços de acolhimento do município.

Quando essa articulação funciona, a gestante é identificada meses antes, recebe pré-natal e chega ao parto com leito reservado. Quando não funciona, o desfecho é o que se viu na calçada da rodovia.

O que acontece com o recém-nascido

Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a criança passa a ser prioridade absoluta do poder público. Cabe à rede de proteção, com participação do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e da Juventude, avaliar as condições de cuidado e definir o encaminhamento, com preferência pela permanência ao lado da mãe sempre que houver suporte para isso.

O Jornal Mix não divulga a identidade nem imagens que permitam reconhecer as duas pessoas envolvidas. Trata-se de uma mulher em situação de extrema vulnerabilidade e de um bebê protegido por lei contra exposição.

Histórias assim dizem menos sobre uma tarde de sexta-feira e mais sobre o que a cidade deixou de enxergar durante nove meses. O Jornal Mix vai atrás das respostas da prefeitura e da rede de saúde do Juruá. Acompanhe a gente em jornalmix.com.br e nas redes sociais para saber o que muda a partir daqui.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por Jornal Mix (@jornalmixbr)

Gostou? Então não fica de fora!

Siga o Jornal Mix nas redes e receba as notícias quentes em primeira mão. Misturou. Deu notícia. Tá no Mix!

Instagram TikTok YouTube X (Twitter) Facebook

Deixe sua Avaliação!

Compartilhe sua reação

Você também pode gostar

Deixe um comentário