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Justiça manda soltar MC Ryan, Poze do Rodo e proprietário da Choquei

Decisão do STJ libera artistas e influenciador investigados por lavagem de dinheiro em operação da Polícia Federal.

por Isabelli Pires
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Montagem com fotos de Raphael Sousa (Choquei), MC Poze do Rodo e MC Ryan SP. Raphael sorri de óculos, Poze usa óculos escuros e Ryan exibe correntes douradas.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura de Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP), Marlon Brendon Coelho Couto da Silva (MC Poze do Rodo) e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, conforme decisão do ministro Messod Azulay Neto. Eles estavam detidos desde 15 de abril em decorrência de uma investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de lavagem de mais de R$ 1,6 bilhão. O processo envolve acusações de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, laranjas, criptoativos e transferências ao exterior, de acordo com relatório da Polícia Federal divulgado em 2026.

Os acusados estavam sob prisão temporária, requerida inicialmente pela PF para durar cinco dias. O ministro Messod Azulay Neto entendeu como ilegal o prolongamento do prazo para 30 dias, motivo pelo qual concedeu habeas corpus. A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo não informou o momento exato da liberação dos investigados até o fechamento desta matéria.

O caso envolve a Operação Narco Fluxo, executada em vários estados. A ação da Polícia Federal busca provas de organização criminosa para lavagem de dinheiro, investigação que teve início a partir da análise de arquivos do iCloud de um dos operadores financeiros. A defesa dos envolvidos afirma não haver comprovação de ilegalidade nas movimentações financeiras dos investigados.

Como a investigação começou e principais dados do processo

A Operação Narco Fluxo teve origem na análise de arquivos armazenados na nuvem do contador Rodrigo de Paula Morgado, durante a Operação Narco Bet, deflagrada em outubro de 2025. O material acessado pela Polícia Federal mapeou movimentações bancárias, contratos, registros societários, conversas e comprovantes que, segundo a corporação, revelam mecanismos de lavagem de dinheiro envolvendo apostas digitais e rifas clandestinas.

MC Ryan SP é apontado pelas investigações como o líder da organização. Segundo a Polícia Federal, ele utilizava empresas de entretenimento para misturar recursos considerados lícitos e ilícitos, utilizando operadores financeiros para distanciar o dinheiro das atividades criminosas da sua pessoa física. A Justiça autorizou confiscos de dinheiro, carros, imóveis, joias, armas e bloqueio de valores e criptoativos em várias corretoras nacionais e internacionais.

Retrato de MC Ryan SP sorrindo, vestindo moletom branco com estampas pretas, boné preto e rosa, óculos de grau e exibindo grossas correntes e pingentes prateados sobre um fundo vermelho texturizado.

MC Ryan SP é apontado pela Polícia Federal como o líder de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que financiava bets e rifas ilegais. Imagem: Redes Sociais

MC Poze do Rodo, de acordo com a decisão judicial, integrava a engrenagem financeira do esquema investigado, com empresas em seu nome participando de fluxo de recursos oriundos de rifas e apostas, bem como de eventuais operações de evasão de divisas.

Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil Choquei, figura nos autos como operador midiático, segundo a PF. Ele teria recebido valores do grupo para divulgação de conteúdo, favorecimento de imagem pública dos investigados e promoção de plataformas de apostas.

Impacto, apreensões e sequência jurídica

Durante as buscas ligadas à Operação Narco Fluxo, a Polícia Federal apreendeu veículos de luxo, relógios, joias, armas, dinheiro em espécie e diversos equipamentos eletrônicos. O valor estimado em bens bloqueados pela Justiça chega a R$ 2,2 bilhões, incluindo ativos em criptoativos. Parte das operações e bloqueios alcançam até 77 pessoas físicas ou jurídicas, conforme decisão judicial.

A defesa de Ryan e de Poze do Rodo declarou oficialmente que não teve acesso integral ao processo devido ao sigilo, mas afirma que o patrimônio dos artistas é lícito e documentado. Paralelamente à decisão de soltura, a Polícia Federal protocolou novo pedido de prisão preventiva, justificando haver risco à ordem pública pelo volume financeiro e gravidade das ações investigadas. O desdobramento desse pedido permanece pendente no Judiciário.

Linha do tempo e desdobramentos da Operação Narco Fluxo

De acordo com documentos enviados ao STJ, a investigação contra o grupo começou a partir de trabalhos anteriores, em especial a Operação Narco Bet (2025), que por sua vez sucedeu a Narco Vela. As investigações correlacionam grandes apostas, movimentação de recursos ilegais e uso de estruturas societárias complexas com envolvimento de artistas, influenciadores, operadores financeiros e supostos “laranjas” para redistribuição dos valores.

A obtenção de dados em nuvem, como backups do iCloud, foi possibilitada por decisões judiciais, permitindo à PF rastrear conversas, contratos e transferências financeiras entre os suspeitos. Novas diligências, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal, seguem ocorrendo para aprofundamento da apuração criminal.

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Perguntas frequentes

O que motivou a decisão do STJ de liberar MC Ryan, Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira?

O STJ avaliou como ilegal a extensão da prisão temporária para 30 dias, já que a solicitação inicial da PF era de apenas cinco dias. Por isso, o ministro Messod Azulay Neto concedeu habeas corpus aos investigados.

Quais crimes são investigados no caso?

A Polícia Federal apura lavagem de dinheiro, organização criminosa, evasão de divisas, apostas ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, além do uso de empresas de fachada e laranjas.

Como o iCloud foi importante para as investigações?

O acesso judicial ao iCloud de um dos operadores financeiros permitiu a coleta de contratos, transferências, documentos e conversas que ajudaram no rastreamento do suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Quais bens foram apreendidos durante a operação?

Foram confiscados automóveis de luxo, imóveis, joias, armas, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos, além do bloqueio de contas bancárias e criptoativos.

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