Home PolicialDaniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso novamente pela PF nesta quarta-feira (04)

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso novamente pela PF nesta quarta-feira (04)

 Mandado inclui bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens e investiga fraudes com títulos de crédito.

por Isabelli Pires
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Empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, de terno escuro e camisa branca, utilizada para ilustrar a notícia sobre sua nova prisão pela Polícia Federal.

Como um dos nomes mais influentes do mercado financeiro voltou a ser alvo da Polícia Federal em menos de seis meses? A nova prisão de Daniel Vorcaro em São Paulo expõe as entranhas de uma investigação que envolve desde invasão de dispositivos informáticos até obstrução da Justiça. Entre mandados de busca e bloqueios bilionários, o cerco se fechou contra o Banco Master, transformando movimentações de luxo em evidências de um esquema que coloca em xeque a credibilidade das instituições financeiras do País.

Prisão preventiva atinge nomes ligados ao Banco Master

Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro — proprietário do Banco Master — voltou a ser preso na manhã de quarta-feira, 4 de março de 2026, sob ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Trata-se da terceira fase da Operação Compliance Zero, ação que apura crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, relacionados à organização criminosa dedicada a operações financeiras ilícitas.

Além de Daniel Vorcaro, outros alvos foram atingidos pela investida policial. Entre eles, Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro), que se apresentou à PF; o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão (apelidado de “Sicário”) e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Operação Compliance Zero: bloqueio de bens e medidas judiciais

Na mesma operação, agentes federais cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e quinze mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Segundo a PF, o Banco Master está no centro de investigações por venda de títulos de crédito falsos, evidenciando suposta ausência de controles internos eficazes para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. Documentos judiciais mostram bloqueio e sequestro de bens no valor de até R$ 22 bilhões, focando em interromper movimentações suspeitas e assegurar valores potencialmente ligados aos crimes investigados.

Houve ainda ordens de afastamento de cargos públicos contra outros investigados e medidas cautelares para prevenir destruição de provas ou pressão sobre testemunhas.

Pilhas de maços de dinheiro em notas de Real, Dólar e Euro sobre uma mesa de escritório, apreendidas durante a Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

Dinheiro em espécie apreendido em operação que investiga fraude financeira; o bloqueio total de bens determinado pela Justiça pode chegar a R$ 22 bilhões. Imagem: GOV

Contexto: antecedentes e suspeitas de obstrução da Justiça

Daniel Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, durante tentativa de embarque para a Europa em um voo particular. Naquela ocasião, a PF alegou risco concreto de fuga do país. Após breve soltura, Vorcaro foi obrigado a utilizar tornozeleira eletrônica com monitoramento. A nova ordem de prisão teria sido motivada por suspeitas de tentativa de obstrução das investigações, uma vez que o empresário, segundo apuração da Polícia Federal, teria buscado intimidar envolvidos e testemunhas-chave do processo.

Os crimes investigados, apurados com suporte do Banco Central, têm caráter financeiro e digital; envolvem gestão de grandes ativos, potencial lavagem de dinheiro e manipulação de informações sensíveis no sistema bancário.

Depoimento à CPI e atuação do Judiciário

Na mesma data da prisão, Vorcaro era esperado para depor na CPI do Crime Organizado, em Brasília. No entanto, o empresário confirmou presença apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, autorizou que a ida de Vorcaro à CPI fosse facultativa, conforme decisão publicada na terça-feira, 3 de março.

Posicionamento oficial da defesa

A defesa de Daniel Vorcaro respondeu às acusações por meio de nota, na qual afirmou:

  • O empresário “sempre esteve à disposição das autoridades”.
  • Colaborou de forma transparente com inquéritos e procedimentos desde o início.
  • Jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
  • Confia que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”.
  • Reitera confiança no devido processo legal e no funcionamento das instituições.

A defesa de Fabiano Zettel declarou que, embora não tenha tido ainda acesso integral aos autos, o investigado se coloca integralmente à disposição das autoridades.

Próximos passos e impacto para o sistema financeiro

O caso permanecerá sob análise do Supremo Tribunal Federal e seguirá com apurações policiais iniciadas na Operação Compliance Zero. O bloqueio bilionário de bens e os afastamentos determinados buscam mitigar riscos de novas práticas suspeitas e ampliar a transparência nas instituições. A sociedade acompanha o desenrolar das investigações enquanto se espera a tramitação dos depoimentos e a consolidação de provas, preservando o direito de defesa dos investigados.

Diante da magnitude do bloqueio de R$ 22 bilhões e das acusações de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, o desfecho da Operação Compliance Zero promete redefinir os parâmetros de fiscalização sobre grandes instituições financeiras no Brasil. A nova prisão de Daniel Vorcaro e os desdobramentos no STF colocam o Banco Master sob um escrutínio sem precedentes, impactando não apenas o mercado de capitais, mas também a confiança dos investidores no sistema bancário.

Para acompanhar as próximas etapas desta investigação, o detalhamento dos depoimentos e as atualizações em tempo real sobre este caso, acesse o Jornal Mix, sua fonte de notícias atualizada sobre economia e justiça.

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