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Canetas emagrecedores estão matando pessoas no Brasil? Entenda investigação da Anvisa

Dados não confirmam causa direta; Vigilância da Anvisa monitora riscos e orienta população

por Lorena Santos
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Pessoa aplicando injeção subcutânea no abdômen.

Milhares de pessoas enfrentam diariamente o desafio de conviver com a insatisfação corporal, e, em busca de soluções rápidas para emagrecer, muitos acabam recorrendo a métodos não comprovados e potencialmente perigosos. As chamadas “canetas emagrecedoras” têm ganhado popularidade, mas recentes relatos de mortes associadas ao seu uso no Brasil acendem um sinal de alerta.

É fundamental entender os riscos envolvidos, como funciona o monitoramento dessas substâncias e o que dizem as autoridades e fabricantes, para que a perda de peso não se transforme em uma ameaça à saúde e à vida.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Segundo a Anvisa, 65 notificações de óbitos, possivelmente relacionados ao uso desses medicamentos, foram registradas entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025. Boa parte dos casos envolve mulheres, e outras centenas de eventos adversos também chegaram ao conhecimento das autoridades.

O que são canetas emagrecedoras e como funcionam?

Chamadas de “canetas emagrecedoras” por serem aplicadas por injeção, esses medicamentos foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas, em alguns casos, têm indicação para obesidade. Entre os princípios ativos mais comuns estão semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida – nomes que talvez você reconheça em marcas como Ozempic, Saxenda, Wegovy, Mounjaro ou Victoza.

Como essas substâncias atuam?

Essas substâncias atuam simulando hormônios que ajudam a controlar o apetite e o açúcar no sangue. Por isso, podem promover a perda de peso em algumas pessoas.

Mortes e eventos adversos: o que mostram os números da Anvisa

Entre 2018 e 2025, o sistema Vigimed, responsável por agrupar relatos voluntários de eventos adversos, recebeu 2.436 notificações de efeitos indesejados associados aos principais ativos das canetas emagrecedoras. Os registros incluem reações de diversos tipos — de efeitos leves a situações graves, incluindo suspeitas de óbitos.

Relação causal

O fato de um evento ter sido notificado não significa que o medicamento tenha causado o problema. Segundo a Anvisa, a relação causal só pode ser confirmada após investigação clínica detalhada, considerando histórico de saúde, uso de outros remédios e situação de cada paciente. Entre as 65 notificações de morte, não há certeza se o produto vinha de farmácia regular, manipulação ou importação sem registro, já que nem sempre o notificador informa a sua origem.

Principais riscos

Veja quais são os principais riscos à saúde:

  • Complicações gastrointestinais graves como náuseas, vômitos, diarreia, constipação, dores abdominais, gastroparesia;
  • Pancreatite aguda (inflamação no pâncreas), risco grave e potencialmente fatal;
  • Perda repentina da visão e problemas oculares;
  • Efeito sanfona: reganho rápido de peso após a interrupção do tratamento;
  • Pedra na vesícula devido ao emagrecimento rápido;
  • Perda rápida de gordura facial e massa muscular, causando aparência envelhecida;
  • Desidratação grave por vômitos e diarreia persistentes;
  • Hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue), especialmente com dose inadequada.

Quais sinais merecem atenção

Em caso de sintomas abruptos ou graves, procure um serviço de emergência imediatamente. Para sinais leves ou dúvidas, agende consulta com seu médico de confiança. Se você ou alguém próximo utiliza canetas emagrecedoras, observe cuidadosamente qualquer sinal de alerta:

  • Dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para costas;
  • Náuseas ou vômitos que não melhoram;
  • Pele ou olhos amarelados;
  • Fraqueza intensa ou desmaios;
  • Fome ou sede exageradas sem motivo aparente.

Como usar canetas emagrecedoras com mais segurança

Esses medicamentos nunca devem ser usados sem prescrição e acompanhamento próximo de um profissional de saúde. A automedicação, o uso de doses diferentes das orientadas e a compra de produtos de procedência duvidosa aumentam riscos e dificultam o controle de efeitos indesejados. Durante o tratamento, conte ao seu médico todos os remédios que usa, relate sintomas novos e siga rigorosamente as orientações médicas.

Boas práticas para sua saúde e prevenção de complicações

Além de sempre consultar profissionais qualificados, preste atenção à sua rotina. Manter hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse reforça os benefícios do tratamento e reduz o risco de problemas. Toda mudança significativa no corpo merece ser levada ao médico.

Jamais compartilhe sua caneta com terceiros, nem siga dicas de internet ou de pessoas leigas para ajustar dosagens.

Mulher incomodada com seu corpo, olhando para o espelho.

Descubra alternativas mais seguras para emagrecer em 2026. Imagem: Jornal Mix.

Perguntas frequentes

  1. Toda notificação de morte significa que o remédio foi a causa?
    Não. Segundo a Anvisa, a notificação indica suspeita. Só uma investigação clínica detalhada pode confirmar a relação de causa e efeito.
  2. Produtos de manipulação ou importados têm mais risco?
    A Anvisa explica que, muitas vezes, não se sabe a origem do produto nas notificações. Remédios sem registro ou manipulação irregular aumentam riscos, pois fogem do controle de qualidade.
  3. Como posso relatar reações adversas?
    Profissionais e pacientes podem usar o sistema Vigimed para relatar problemas de saúde possivelmente ligados a medicamentos. Isso ajuda no monitoramento dos riscos.
  4. Onde acompanhar mais conteúdos como este?
    Para mais conteúdos como este, continue acessando o portal Jornal Mix

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