Home PolíticaApoline se posiciona contra Erika Hilton na Comissão da Mulher; entenda a polêmica

Apoline se posiciona contra Erika Hilton na Comissão da Mulher; entenda a polêmica

Criadora de conteúdo com milhões de seguidores argumenta que vivências biológicas impedem representação plena

por Aialla Andrade
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Apoline em blusa lilás com tatuagens nos braços, usando colar e pulseira dourados, em área externa com jardim

Um vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (6) reacendeu debates sobre identidade de gênero e representação política no Brasil. A influenciadora trans Apoline criticou a liderança da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, gerando repercussão imediata. Em conversa com o influenciador Rico Melquiades, a criadora de conteúdo disse que não concorda com a parlamentar, também trans, à frente da pasta.

O vídeo da influenciadora trans criticando a deputada por assumir a comissão na Câmara está circulando pelas redes sociais. A declaração foi registrada nos stories, ampliando ainda mais o alcance das críticas.

O que disse Apoline sobre Erika Hilton

Ao ser questionada sobre a liderança de Erika, Apoline foi taxativa: “Eu adoro a Erika, eu acho ela perfeita, intacta, mas eu com certeza não [concordo]”, disse a criadora de conteúdo, que afirmou que a deputada deveria assumir uma comissão em defesa das mulheres trans.

Apoline acrescentou haver demandas e vivências que as mulheres cis passam que as mulheres trans jamais vão passar e, por isso, ela acredita que Erika não deveria ocupar esse lugar. A influenciadora argumentou que a ocupação de espaços de poder precisa ser estratégica e respeitar as particularidades de cada luta.

Durante o desabafo, a criadora de conteúdo defendeu que as pautas específicas da comunidade trans precisam de uma condução que olhe para a base da pirâmide social. Ela citou a vulnerabilidade enfrentada por mulheres trans no Brasil e argumentou que essas demandas deveriam ser prioridade máxima de quem se propõe a representar esse grupo.

Quem é Apoline

Com quase 12  milhões de seguidores no Instagram, Apoline utiliza o espaço online para compartilhar seu processo de transição de gênero. Além disso, ela afirma que deseja inspirar outras pessoas em situações semelhantes.

A humorista Apoline é uma influenciadora brasileira de 32 anos e considerada a “afilhada artística” de Carlinhos Maia. Natural de Alagoas, a influenciadora realizou uma cirurgia de redesignação sexual em Blumenau, Santa Catarina, em 2025. O procedimento teve duração aproximada de três horas e meia.

Montagem com Apoline, influenciadora trans, à esquerda, e deputada Érika Hilton discursando ao microfone, com bandeira do Brasil ao fundo.

Apoline gravou vídeo criticando Érika Hilton por assumir a Comissão de Defesa da Mulher, sugerindo que ela deveria ocupar uma comissão voltada às mulheres trans. Imagem: Reprodução/ Redes Sociais

A eleição de Erika Hilton para a Comissão da Mulher

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados elegeu, em 11 de março de 2026, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir o colegiado neste ano. Ela recebeu 11 votos, e houve dez votos em branco.

No discurso de posse, a parlamentar lembrou que é a primeira mulher trans a presidir a comissão.

“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres”, declarou.

Resistência de parlamentares conservadoras

Deputadas de oposição lamentaram a eleição de Erika Hilton e afirmaram que a comissão deveria ser presidida por uma mulher cisgênero. Chris Tonietto (PL-RJ) declarou:

“Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”.

A oposição no Congresso Nacional protocolou um recurso contra a eleição da deputada federal como presidente da Comissão. Hilton é a primeira mulher transexual a comandar o colegiado.

Posicionamento de Erika Hilton

Em entrevista ao Metrópoles, a parlamentar argumentou que não é necessário ser biologicamente mulher para entender a urgência das políticas públicas voltadas para o tema.

“A questão de ser uma mulher trans não impede que nós tenhamos uma visão global sobre quais são as urgências das políticas públicas”, afirmou.

Erika minimizou as críticas à sua eleição e disse que o foco da comissão deve ser o enfrentamento de problemas estruturais que afetam as mulheres no país.

“Estou mais preocupada com o fato de que vamos trabalhar em prol da dignidade das mulheres. Precisamos enfrentar o feminicídio, a cultura do estupro, a violência doméstica e facilitar legislações que salvem a vida das mulheres”, afirmou.

Pesquisa aponta divisão na opinião pública

Ao serem questionados sobre a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher, apenas 12%, entre os 2500 entrevistados em pesquisa do PoderData, disseram concordar com a escolha. Os dados foram coletados de 21 a 23 de março de 2026, por meio de ligações para celulares e telefones fixos, com 2.500 entrevistas em 132 municípios nas 27 unidades da Federação.

Debate sobre representatividade

A escolha de Erika Hilton gerou reação de parlamentares bolsonaristas e também expôs divisões dentro da própria esquerda, entre quem a reconhece como representante legítima das mulheres e setores do feminismo que contestam essa posição com base no sexo biológico.

Em entrevista à Rádio Nacional, Erika argumentou que o conceito de mulher não deve ser restrito a questões biológicas, mas compreendido como um ser social, cultural e político. A deputada rebateu os argumentos da oposição sobre questões biológicas de gênero e observou que a chapa eleita para comandar a comissão tem outras três mulheres que podem lidar com temas que necessitem de “experiência biológica”.

O caso segue gerando discussões nas redes sociais e no Congresso Nacional, com posicionamentos distintos tanto entre parlamentares quanto entre figuras públicas da comunidade LGBTQIA+.

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