A Polícia Civil de Goiás prendeu em flagrante, na sexta-feira (15), uma mulher de 64 anos suspeita de manter o próprio filho, de 46 anos, acorrentado e em condições desumanas na casa onde viviam, em Rio Verde, na região sudoeste do estado. O homem sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), ficou acamado, perdeu os movimentos e teve a fala comprometida.
Segundo a delegada responsável pela investigação, Fernanda Simão, o homem ficou sem acesso à água e à comida por vários dias. A mulher foi autuada pelos crimes de tortura e maus-tratos, e a Polícia Civil representou pela prisão preventiva diante da gravidade do caso e da existência de denúncias anteriores envolvendo a mesma vítima.
O caso foi descoberto após denúncia da Secretaria Municipal de Assistência Social. Policiais civis e equipes da rede de assistência social foram até a residência e encontraram o homem vivendo em condições degradantes.
Condições em que a vítima foi encontrada
No local, a polícia encontrou a vítima acorrentada a uma cama, com sinais de contenção prolongada nos punhos e tornozelos. A corporação relatou que ele estava debilitado e em condições precárias de higiene.
A apuração aponta que a alimentação era irregular e que o homem dormia em uma área externa improvisada, exposto ao frio e à chuva. Ele passava grande parte do dia sozinho e amarrado pelos braços e pernas.
A vítima era submetida a sofrimento psicológico, ouvindo da mãe frases como “tomara que você morra sufocado” e “eu tenho nojo de você”. A polícia também descobriu que ela o obrigava a comer as próprias fezes.

Homem de 46 anos apresentava dificuldades de locomoção e fala após sofrer três AVCs e era mantido preso pelos punhos e pernas. Imagem: Polícia Civil
Declarações da delegada responsável
Segundo a investigadora Fernanda Simão, chamou a atenção “a frieza e o desprezo” da mulher pela vida do filho. A delegada afirmou que a situação era “extremamente desumana” e que a vítima passou por “situações de extremo sofrimento”.
A suspeita ficou em silêncio durante o depoimento à polícia. De acordo com as informações policiais, o pai da vítima não foi localizado e não há registro do seu nome no documento de identificação do homem.
Acolhimento da vítima e situação da investigada
A vítima foi encaminhada para atendimento médico e acolhimento institucional pela rede de proteção social. A prisão foi mantida após audiência de custódia.
A Defensoria Pública do Estado de Goiás informou que representou a investigada na audiência de custódia. Em nota, o órgão disse que cumpriu o dever legal de garantir a defesa de quem não pode pagar advogado e que não vai comentar o caso.
Segundo a Defensoria, após a audiência deve ser iniciado o processo criminal. A investigada terá prazo para apresentar defesa, que poderá ser feita pela própria Defensoria ou por advogado particular.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil de Goiás continua apurando as circunstâncias dos crimes de tortura e maus-tratos. A existência de denúncias anteriores envolvendo a vítima deverá ser investigada para apurar possível continuidade das agressões ao longo dos anos. O caso segue sob responsabilidade da 8ª Delegacia Regional de Polícia de Rio Verde. Para mais notícias, acesse Jornal Mix.