Home PolicialEx-namorada assassinada: homem se entrega à polícia e história causa indignação nas redes sociais

Ex-namorada assassinada: homem se entrega à polícia e história causa indignação nas redes sociais

Dados sobre feminicídios no Brasil mostram aumento de denúncias e reforçam a importância das medidas protetivas

por Leandro Macedo
A+A-
Reiniciar
Mulher jovem de cabelos longos, pretos e lisos em ambiente de bar, com piercing no lábio inferior e expressão tranquila

O caso que envolve a ex-namorada assassinada em Belford Roxo ganhou repercussão nacional após a prisão temporária do investigado Vinícius Gomes Castro da Silva nesta segunda-feira, quatro de maio de 2026. A Justiça do Rio de Janeiro expediu o mandado após investigações apontarem o nome de Vinícius como principal suspeito pela morte de Samara Santos de Oliveira, de 21 anos.

O crime ocorreu em primeiro de maio. Segundo depoimentos coletados pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Samara retornava de uma festa de trabalho quando aceitou carona de um amigo. Testemunhas relataram que, ao chegar em casa, teria sido abordada pelo ex-namorado, que a coagiu a acompanhá-lo até um motel na região.

Contexto do crime e andamento da investigação

Conforme registra o inquérito, familiares de Samara informaram que a jovem tinha medida protetiva contra Vinícius, concedida após episódios anteriores de violência doméstica no fim de 2025. O documento proibia o investigado de se aproximar da vítima. Mesmo assim, Samara foi encontrada sem vida e, segundo os autos, chegou à Unidade de Pronto Atendimento de Belford Roxo já em óbito, trazida pela mãe e padrasto do suspeito.

O laudo preliminar da perícia aponta estrangulamento como possível causa da morte da jovem. O registro policial inclui informações de que o investigado pediu auxílio aos familiares alegando que Samara estaria desacordada dentro do carro, antes de ela ser levada à unidade de saúde.

Repercussão pública e manifestações da família

O assassinato de Samara provocou forte indignação nas redes sociais e presença de hashtags pedindo justiça. A mãe, Amanda Santos, discursou em frente à delegacia pedindo rigor nas investigações e proteção às mulheres que enfrentam relacionamentos abusivos. “Ela era trabalhadora, dedicada e vivia para ajudar a todos. Seguiremos lutando por justiça”, afirmou, segundo depoimento registrado nos autos do processo.

Jovem negro sorridente com camiseta branca Balenciaga, colar de prata e mão sobre o peito em ambiente interno

Vinicius Gomes Castro, de 26 anos, ex-namorado da vítima. Imagem: G1

Posição das autoridades e situação processual de Vinícius

O Ministério Público acompanha a investigação, que segue em fase inicial. Vinícius Gomes Castro da Silva permanece detido e deve aguardar a apuração dos fatos sob custódia, enquanto a defesa não apresentou nota oficial até o momento. Assim, um novo depoimento do suspeito está previsto para a próxima semana na Delegacia de Homicídios.

Segundo o Código Penal, o crime pode ser enquadrado como feminicídio (art. 121, §2º, VI), caso seja comprovado o contexto de violência de gênero, com penas que variam de doze a trinta anos de reclusão. A medida protetiva visa impedir contato ou aproximação do investigado à vítima e, quando desrespeitada, pode agravar a situação penal do suspeito, conforme prevê a Lei Maria da Penha.

Como funciona a medida protetiva e seus efeitos legais

Medidas protetivas de urgência (art. 22 da Lei 11.340/2006) são concedidas para preservar a integridade da vítima em casos de violência doméstica ou familiar. Caso a medida seja descumprida, o investigado pode responder por crime de desobediência (art. 330) e ter sua prisão preventiva decretada pelo juiz.

De acordo com dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a quebra de restrições impostas pela Justiça figura entre agravantes em processos de feminicídio. Em média, processos por feminicídio levam entre seis meses e dois anos para julgamento em primeira instância no estado.

Mobilização social e homenagens a Samara

Moradores de Belford Roxo e familiares organizaram uma homenagem silenciosa em memória de Samara no bairro Bonsucesso, onde a jovem morava. Movimentos de defesa dos direitos das mulheres reforçaram campanhas de conscientização e divulgaram canais de denúncia de violência doméstica.

Próximos passos e expectativas para o caso

O inquérito policial deve ser concluído até o fim de maio. Caso a denúncia seja acolhida, o acusado poderá responder por júri popular, procedimento comum em crimes de homicídio qualificado. Audiências para oitivas de testemunhas já estão agendadas. As autoridades orientam que novas informações sejam encaminhadas diretamente à DHBF.

A reportagem tentou contato com a defesa do investigado. Até o fechamento desta edição, não houve resposta.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza feminicídio segundo a lei brasileira?

Feminicídio está previsto no artigo 121, parágrafo segundo, inciso VI do Código Penal, quando a vítima é morta em razão do sexo feminino, envolvendo violência doméstica ou menosprezo à condição de mulher.

Qual é a punição prevista para crimes de feminicídio?

A pena pode variar de doze a trinta anos de reclusão, podendo aumentar caso existam agravantes como a presença de medida protetiva ou reincidência.

Como funcionam as medidas protetivas?

O juiz pode determinar o afastamento do agressor do lar, proibição de contato e outras restrições, de acordo com a Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha).

O que acontece se o investigado descumprir a medida protetiva?

Descumprir medidas protetivas pode levar à prisão preventiva, além de responder por crime de desobediência e agravar a situação penal.

Como denunciar violência doméstica?

Denúncias podem ser registradas pelo telefone 180 ou diretamente nas delegacias especializadas em atendimento à mulher em todo o país.


Deixe sua Avaliação!

Compartilhe sua reação

Você também pode gostar

Deixe um comentário