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Amado Batista e BYD aparecem em “lista suja” do trabalho escravo

Lista do MTE traz grandes empresas e figuras públicas sob investigação por violações dos direitos humanos no trabalho

por Luanna Silva
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Cantor Amado Batista, de 75 anos, vestido de branco, sorrindo enquanto segura microfone em apresentação com fundo escuro

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou sua lista de empregadores envolvidos em trabalho escravo, incluindo 169 novos nomes, totalizando 613. Entre os destacados estão o cantor Amado Batista, ligado ao setor agrícola, e a fabricante de veículos BYD, em Camaçari (BA). Publicada semestralmente, a lista visa dar visibilidade ao combate ao trabalho escravo e alertar a sociedade sobre essas práticas, com fiscalizações realizadas principalmente em 2024 e 2025, abrangendo diversas regiões e setores. A atualização representa um aumento de 6,28% e destaca ações recentes, inclusive em Camaçari (BA) e Goianápolis (GO). Quer saber mais sobre os detalhes dessas investigações?

Detalhes das autuações e condições encontradas pelo Ministério do Trabalho

BYD é responsabilizada por condições degradantes e trabalho análogo à escravidão

Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, a Superintendência Regional do Trabalho na Bahia vistoriou as instalações da BYD em Camaçari, investigando denúncias sobre a vinda e condições de trabalhadores estrangeiros na construção da fábrica. Em 19 de dezembro de 2024, fiscais identificaram 471 chineses trazidos irregularmente, com 163 em condições análogas à escravidão, e comprovaram que a relação de emprego era direta com a montadora, contrariando a CLT.

A inspeção revelou fraude migratória promovida pela BYD, trabalho forçado, jornadas longas sem descanso e alojamentos precários, como camas sem colchão, falta de armários, cozinhas insalubres e banheiros insuficientes (um para cada 31 trabalhadores). Também houve restrição à liberdade de locomoção e graves riscos à saúde. Em resposta, a BYD firmou, em janeiro de 2026, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, no valor de R$ 40 milhões.

Autuações contra Amado Batista envolvem trabalhadores rurais em Goiás

Em 2024, o MTE notificou Amado Batista após fiscalizações em duas propriedades rurais em Goianápolis, onde foram encontradas jornadas exaustivas e alojamentos precários para 14 trabalhadores, sendo quatro em condições análogas à escravidão. A defesa de Amado Batista contestou as denúncias, afirmando que os trabalhadores permanecem em suas funções normalmente e que as irregularidades ocorreram em uma fazenda arrendada, sob responsabilidade de empresa terceirizada. O comunicado também cita o pagamento das obrigações trabalhistas e a assinatura de um TAC em 2024, além de medidas administrativas para encerrar a autuação.0

Pernas com calça jeans e botas de borracha verde em solo de terra preparado para plantio em área rural

Veja os impactos da atualização e reações de envolvidos. Imagem: Freepik.

Impactos da atualização e reações de envolvidos

Empregadores incluídos no Cadastro de Empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão sofrem restrições de acesso a financiamentos públicos e podem ser proibidos de contratar com o poder público, segundo as regras do MTE. A presença de grandes nomes como BYD e Amado Batista impulsiona o debate nacional sobre direitos humanos, grandes investimentos estrangeiros e responsabilidades das cadeias produtivas, tanto no setor industrial quanto rural.

O MTE ressalta que a divulgação da lista tem papel preventivo, permitindo que empresas contratantes consultem a regularidade de fornecedores e evitem a ocorrência de novos casos. O Ministério Público do Trabalho (MPT) destaca a importância dos TACs como ferramenta para promover a reparação e evitar reincidências.

Linha do tempo: principais datas e desdobramentos

  • Dezembro de 2024: Início das fiscalizações na BYD em Camaçari (BA); identificação dos trabalhadores estrangeiros em situação irregular.
  • Janeiro de 2026: BYD assina TAC de R$ 40 milhões com Ministério Público do Trabalho.
  • Ano de 2024: Fiscalizações em propriedades rurais ligadas a Amado Batista, em Goianápolis (GO); assinatura do TAC referente aos casos.
  • 7 de abril de 2026: Atualização da “lista suja” pelo MTE com inclusão de 169 novos nomes.

Perguntas Frequentes

O que é a lista suja do trabalho escravo?

A lista suja é um cadastro oficial do governo federal que reúne nomes de empregadores autuados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, segundo critérios do MTE.

Qual foi a atuação do Ministério do Trabalho no caso da BYD?

Fiscais do MTE identificaram trabalhadores estrangeiros em situação irregular e resgataram pessoas submetidas a condições degradantes e jornadas excessivas, levando à assinatura de um TAC milionário.

Como Amado Batista respondeu à inclusão na lista?

A assessoria do cantor afirmou que não houve resgate de trabalhadores em suas propriedades, alegou que todas as obrigações trabalhistas foram pagas e que as autuações estão sendo administrativamente contestadas.

O que acontece com quem é incluído na lista suja?

Empregadores listados enfrentam obstáculos para obter crédito em bancos públicos e podem ser impedidos de firmar contratos com órgãos governamentais.

Como consultar a lista completa de empregadores incluídos?

O Cadastro de Empregadores está disponível no site oficial do Ministério do Trabalho e Emprego, atualizado semestralmente nos meses de abril e outubro.

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