Empresas de diferentes setores estão sob a expectativa de mudanças, mas poucos imaginam o impacto real de uma eventual redução da escala 6×1 no mercado de trabalho em 2026.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou um estudo mostrando que a transição para modelos com até 40 horas semanais tem efeito parecido com os reajustes históricos do salário mínimo. Segundo a análise, o mercado de trabalho apresenta potencial para absorver essa mudança. Mesmo com alterações importantes nas rotinas e custos operacionais, ele ainda pode se adaptar.
Entenda o que é a escala 6×1 e sua ligação com a legislação
A escala 6×1 determina que o empregado trabalha seis dias com direito a um dia de descanso. Este modelo é previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e está associado ao limite de 44 horas semanais.
No Brasil, essa configuração é mais comum em setores de comércio, serviços e indústria, onde operações contínuas exigem escala rotativa.
Análise do Ipea: impactos econômicos e sociais
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, em 10 de fevereiro de 2026, um estudo que compara os custos de uma redução da carga semanal para 40 horas aos efeitos de reajustes históricos do salário mínimo, como os de 12% em 2001 e 7,6% em 2012.
Segundo os pesquisadores, esses reajustes não resultaram em perda significativa de empregos. Isso demonstra a adaptabilidade do mercado de trabalho.
O custo para empresas e setores afetados
Empresas de grande porte, especialmente nos setores de indústria e comércio, tendem a absorver com facilidade o aumento de custos decorrente da redução de horários.
Nessas áreas, a folha salarial geralmente representa menos de 10% das despesas operacionais. Por outro lado, empresas de serviços, como vigilância e limpeza, podem ter elevação de 6,5% em seu custo operacional, o que exigiria abordagem gradual para adaptação da lei.

Veja, a seguir, quantos trabalhadores podem ser impactados com essa mudança. Fonte: Jornal Mix.
A diferença para as pequenas empresas e adaptação necessária
Entre negócios com até quatro funcionários, 87,7% utilizam jornada superior a 40 horas semanais. Esse percentual cresce para 88,6% em empresas com cinco a nove empregados.
A dificuldade de reorganizar as escalas é maior nessas situações, podendo demandar contratações parciais ou ajustes progressivos. O Ipea recomenda uma transição gradual e flexibilização para contratos de meio período, especialmente em setores como lavanderias, cabeleireiros, educação e organizações associativas.
Combate à desigualdade e perfil dos trabalhadores mais impactados
Trabalhadores com menor renda e escolaridade tendem a estar concentrados nos empregos de 44 horas. De acordo com o Ipea, quem trabalha até 40 horas recebe, em média, R$ 6.211; já os com jornada estendida ganham menos da metade e apresentam nível de instrução inferior.
Proporcionalmente, 83% dos empregados com até ensino médio e 53% dos com ensino superior completo estão nessa escala. A redução pode aproximar condições salariais e valorizar a hora trabalhada.
Quantos trabalhadores podem ser impactados?
Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), 74% dos celetistas informados, aproximadamente 32 milhões de pessoas, cumpriam jornada de 44 horas em 2023. Em 31 dos 87 setores analisados, mais de 90% dos trabalhadores têm expedientes acima de 40 horas semanais, indicando a amplitude do possível impacto das mudanças.
O debate político e as propostas em análise
Duas Propostas de Emenda Constitucional (PEC), uma proposta pela deputada Erika Hilton (PEC nº 8/2025) e outra pelo deputado Reginaldo Lopes (PEC nº 221/2019), estão em discussão na Câmara dos Deputados, prevendo redução de jornada e eliminação da escala 6×1.
O presidente da Câmara indicou que a votação está entre as prioridades de 2026, e o Governo Federal também anunciou o tema como uma das principais pautas do Legislativo.
O que muda para o trabalhador celetista?
Se aprovadas as alterações, contratos com regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) passarão a ter limitação semanal de 40 horas, impactando principalmente trabalhadores em setores operacionais e de serviços.
O ajuste pode elevar o custo da mão de obra em 7,84%. Para pequenas empresas, a transição escalonada e incentivos para contratos flexíveis tendem a facilitar a adaptação às novas exigências.
Pontos de atenção para empresas e trabalhadores
- Negócios menores devem acompanhar recomendações e eventuais políticas públicas de apoio à transição;
- Empresas com turnos contínuos podem precisar reavaliar quadros de funcionários e escalas;
- Trabalhadores de baixa renda e escolaridade se beneficiam da equiparação da jornada.
O acompanhamento pelas entidades representativas, como sindicatos e associações, pode facilitar a adaptação e esclarecimento de dúvidas durante esse processo.
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