Quem acompanha informações sobre saúde ou pensa em utilizar medicamentos para perda de peso precisa conhecer um comunicado recente da Anvisa. O órgão responsável pela vigilância sanitária no Brasil divulgou um alerta após constatar o crescimento de casos suspeitos de pancreatite entre usuários das chamadas canetas emagrecedoras.
A agência investiga seis óbitos no país, além de ter observado um salto significativo nas notificações de pancreatite relacionadas aos medicamentos agonistas de GLP-1, popularmente conhecidos como “hormônio da saciedade”. Esse panorama representa um sinal de cautela relevante para quem busca perder peso de maneira segura.
A seguir, você vai descobrir as razões por trás desse comunicado, quais são os medicamentos envolvidos, os sintomas que demandam socorro médico imediato e como se proteger ao pensar nesse tipo de tratamento.
Entenda o que são as canetas emagrecedoras e os motivos de preocupação
As chamadas “canetas emagrecedoras” consistem em medicamentos injetáveis aplicados sob a pele, geralmente uma vez por semana ou todos os dias, conforme o produto escolhido. A maior parte delas integra a categoria dos agonistas do GLP-1, um hormônio que o intestino produz após as refeições para regular a glicose, estimular a liberação de insulina e promover sensação de saciedade.
Os princípios ativos mais comuns incluem semaglutida, tirzepatida, dulaglutida, liraglutida e lixisenatida. Eles estão presentes em medicamentos como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy. Vários desses produtos foram criados para tratar diabetes tipo 2, porém passaram a ser utilizados também para controle de peso em pessoas que preenchem requisitos clínicos específicos.
Divulgadas amplamente por influenciadores e celebridades, essas canetas têm sido cada vez mais procuradas por pessoas que querem emagrecer rapidamente, frequentemente sem orientação de um profissional de saúde e sem qualquer critério médico.
Os dados que levaram a Anvisa a emitir o alerta
O Brasil contabilizou seis mortes suspeitas e 145 casos suspeitos de pancreatite, possivelmente ligados ao uso de “canetas emagrecedoras” entre 2020 e 2025. Essas informações foram comunicadas à Anvisa e constam no VigiMed, sistema oficial do órgão.
Ao considerar dados de pesquisas clínicas, os números podem alcançar 225 ocorrências. Conforme o painel disponível, esses eventos teriam acontecido em pacientes de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.
Segundo a Anvisa, em 2020 houve apenas uma notificação suspeita. Em 2025, esse número saltou para 45 registros. Tal crescimento segue a tendência de popularização dessas substâncias no território nacional.
Medicamentos sob investigação
De acordo com a Anvisa, os registros relacionam as mortes às marcas Saxenda (3 ocorrências), Ozempic (2 ocorrências) e Mounjaro (1 ocorrência). Ainda assim, a agência ressalta que nem todos os casos do sistema podem ser vinculados às marcas, indicando a possível existência de registros envolvendo canetas falsificadas, irregulares ou manipuladas com nomes idênticos ou parecidos aos originais.

Converse sempre com um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento. Imagem: Jornal Mix
Pancreatite: o que é e por que merece atenção
A pancreatite consiste em uma inflamação aguda do pâncreas que pode progredir para falência de órgãos nos quadros mais severos. O processo inflamatório ocorre quando enzimas digestivas passam a atacar o próprio órgão, causando autodigestão. A condição pode ser aguda, surgindo de forma repentina e temporária, ou crônica, persistindo por longo período.
Essa doença já aparece na bula das canetas emagrecedoras como possível efeito colateral. A agência ressaltou que o risco de desenvolver pancreatite aumenta em pessoas que usam o medicamento fora das indicações aprovadas, especialmente com finalidade estética e sem supervisão médica.
Sinais que exigem atendimento médico imediato
A Anvisa orienta que usuários desses medicamentos busquem socorro médico de imediato ao apresentarem dor abdominal forte e contínua, que pode se estender até as costas e vir acompanhada de enjoo e vômito — sinais que sugerem pancreatite.
Os profissionais de saúde devem suspender o tratamento diante da suspeita dessa reação e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.
Produtos irregulares representam risco ainda maior
A Anvisa intensificou as ações contra o comércio ilegal de medicamentos para emagrecimento no começo de 2026. Por meio de resolução publicada no Diário Oficial da União em 21 de janeiro, o órgão ordenou a apreensão e a proibição total da venda, distribuição e uso de lotes de Tirzepatida das marcas Synedica e TG.
A medida severa também abrange todos os produtos à base de Retatrutida, substância ainda em fase de testes que estava sendo comercializada ilegalmente no país. As apurações revelaram que esses produtos eram amplamente divulgados e vendidos através de perfis em redes sociais, como o Instagram, sem nenhum controle de qualidade ou permissão legal.
Riscos dos medicamentos sem registro
Usar medicamentos injetáveis de procedência desconhecida expõe você a perigos que vão muito além da falta de eficácia no tratamento. A ausência de boas práticas na fabricação pode resultar em contaminação por bactérias ou presença de substâncias tóxicas.
Os principais alertas da vigilância sanitária incluem:
- Conteúdo duvidoso: não existe garantia sobre a concentração correta do princípio ativo nem se a substância é verdadeira
- Risco de infecção: problemas na esterilização durante a produção clandestina podem provocar abscessos e infecções graves no local da injeção
- Ausência de suporte médico: caso ocorra reação adversa, não há laboratório responsável para oferecer esclarecimentos ou assistência técnica
Ações de controle implementadas no Brasil
Diante do aumento do uso e das notificações de efeitos colaterais, o órgão regulador adotou medidas de controle mais rigorosas. Desde abril de 2025, está em vigor a exigência de retenção de receita médica para a comercialização de canetas emagrecedoras nas farmácias, com o objetivo de coibir a automedicação e assegurar acompanhamento profissional.
A Anvisa esclarece que a relação risco-benefício desses medicamentos permanece inalterada, com benefícios terapêuticos superiores aos riscos quando utilizados conforme as indicações aprovadas.
Proteja-se: o que fazer agora
Se você usa ou pensa em usar caneta emagrecedora, o fundamental é compreender que esses medicamentos podem trazer benefícios reais quando prescritos de forma adequada, mas apresentam riscos se utilizados sem acompanhamento apropriado.
Converse sempre com um profissional de saúde antes de começar qualquer tratamento para emagrecer. Jamais compre medicamentos de fontes não autorizadas, principalmente em redes sociais. Sua saúde vale mais do que qualquer promessa de resultado rápido.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.