Uma técnica de enfermagem teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após tentar retirar uma recém-nascida de dentro da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, no Piauí, escondida em uma bolsa preta. A ação foi registrada pelas câmeras de segurança do hospital e interrompida pela tia da bebê, que desconfiou da profissional e recuperou a criança cerca de cinco minutos depois. As imagens foram divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo.
Suspeita disse à família que levaria a bebê para exames
Segundo as imagens, às 13h40 a técnica aparece em um corredor da unidade carregando a recém-nascida. De acordo com o relato da família ao Fantástico, ela afirmou à mãe que precisava levar a criança para exames de rotina, entre eles o teste do pezinho.
A profissional, identificada como Auricélia Rocha, atuava na maternidade havia pouco mais de dois anos, mas estava de folga no dia do caso. Conforme o g1, o registro profissional dela foi suspenso após a repercussão.
Tia estranhou a situação e seguiu a funcionária
A tia da bebê, Daniela Beatriz, decidiu esperar do lado de fora da sala. Dois minutos depois, viu a técnica sair sem a criança, carregando uma bolsa preta grande, e entrar em um banheiro. Ao deixar o local, a funcionária estava com outra roupa, segundo o relato da família.
Às 13h45, Daniela interceptou a profissional no corredor, puxou a bolsa e encontrou a sobrinha ali dentro. Em depoimento à reportagem, ela contou que retirou a bebê e saiu pedindo socorro. A mãe da recém-nascida, uma adolescente que havia viajado do interior do Piauí até a capital para o parto, disse que a filha voltou para os seus braços graças à rapidez da irmã.
Maternidade nega falha na segurança
O diretor administrativo e financeiro da unidade, José Alberto Alencar, lamentou o ocorrido, mas afirmou que não houve falha no sistema de segurança. Segundo ele, a maternidade utiliza leitores faciais, portas com controle por senhas e códigos e mantém equipes treinadas para esse tipo de ocorrência.
Polícia encontrou quarto de bebê montado na casa da suspeita
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Luccy Keiko, o caso é tratado como tentativa de sequestro. Como a comunicação do crime demorou, não houve prisão em flagrante, e a detenção só foi cumprida depois que a Justiça decretou a preventiva.
Na residência da técnica, os investigadores encontraram um quarto preparado para receber uma criança, com berço, banheira, fraldas e roupas, segundo o delegado Hugo Alcântara. A apuração aponta ainda que parentes acreditavam que ela estava grávida, embora nenhum exame que comprovasse a gestação tenha sido apresentado. Para a polícia, a suspeita agiu sozinha.
Defesa alega transtorno psiquiátrico
Após a repercussão, a família internou a técnica em uma clínica psiquiátrica, e uma equipe policial aguardou a alta médica para cumprir o mandado de prisão. Em depoimento, ela optou por permanecer em silêncio.
Em nota, a defesa informou que a suspeita foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, faz uso de medicamentos psiquiátricos e teria comprometimento para compreender a gravidade dos fatos investigados. O delegado responsável afirmou que a investigação não trabalha, até o momento, com a hipótese de insanidade mental capaz de afastar a responsabilidade pelos atos.
Casos como esse mostram como um detalhe fora do lugar pode mudar tudo. Fique de olho no Jornal Mix para acompanhar os desdobramentos desta investigação e as histórias que o Brasil está comentando agora.
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