Sete anos após a morte de Jeffrey Epstein, o nome do financeiro e criminoso sexual voltou a dominar manchetes internacionais. Investigadores do estado do Novo México, nos Estados Unidos, iniciaram buscas em uma fazenda isolada onde Epstein costumava receber convidados — e as alegações que motivaram a operação são perturbadoras: a possibilidade de que corpos de vítimas estejam enterrados no local.
O que estava encerrado desde 2019 agora é investigado com força total. O que os arquivos do governo americano revelaram que mudou tudo?
O que é o Zorro Ranch e qual a ligação com o caso Epstein
Epstein adquiriu o Zorro Ranch, em Stanley, no Novo México, em 1993, da família do ex-governador Bruce King. A propriedade fica a cerca de 48 km ao sul da capital Santa Fé, em uma área de mais de 7.500 acres, com uma mansão de mais de 3 mil metros quadrados, piscina, banheira de hidromassagem e outras estruturas.
Uma propriedade com um histórico obscuro
Documentos judiciais e processos civis acusaram Epstein de agredir sexualmente adolescentes e mulheres no rancho. Uma das vítimas descreveu o local, em 2019, como “um parque”, onde garotas eram incentivadas a andar a cavalo, usar ATVs e desfrutar da piscina.
Apesar disso, Epstein nunca chegou a ser formalmente indiciado no Novo México. A procuradoria estadual confirmou, em 2019, que havia entrevistado possíveis vítimas que visitaram o rancho — mas as investigações foram encerradas naquele mesmo ano a pedido dos promotores federais de Nova York.
Por que as buscas foram retomadas agora em 2026
Os arquivos do Departamento de Justiça mudam o cenário
Em 30 de janeiro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou milhões de arquivos relacionados a Epstein. Entre os documentos estava um e-mail de 2019, recebido por um apresentador de rádio local, que alegava que “em algum lugar nas colinas fora do Zorro, duas garotas estrangeiras foram enterradas por ordens de Jeffrey e Madame G.” A alegação não foi verificada, mas também não ficou claro em que medida ela havia sido investigada pelas autoridades antes da renovação recente do interesse.
Os arquivos também incluíam um e-mail de um suposto ex-funcionário do Zorro Ranch, que se oferecia para fornecer vídeos de Epstein abusando de menores em troca de um Bitcoin.
A decisão do procurador-geral do Novo México
O procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, reabriu a investigação criminal sobre o rancho em fevereiro de 2026, vinculando a decisão à divulgação recente dos arquivos de Epstein. A retomada das investigações representa uma virada depois de anos de silêncio oficial.

Investigadores realizam buscas no Zorro Ranch, antiga propriedade de Jeffrey Epstein no Novo México. Foto: REUTERS/Rebecca Noble.
Como foram conduzidas as buscas no rancho
O Departamento de Justiça do Novo México anunciou que a busca foi realizada com apoio da Polícia Estadual do Novo México e do Escritório do Xerife do Condado de Sandoval, cuja jurisdição inclui o rancho.
O departamento lançou recentemente uma linha digital de denúncias para pessoas com “informações confiáveis” sobre o Zorro Ranch e o período em que Epstein esteve no Novo México.
A cooperação dos novos proprietários
O espólio de Epstein vendeu a propriedade em 2023, com os recursos destinados a credores, para a família de Don Huffines, um candidato republicano ao cargo de controlador do estado do Texas. Huffines declarou nas redes sociais que planeja transformar o local em um centro de retiro cristão. Os novos donos cooperaram com a investigação e concederam acesso para as buscas.
A “comissão da verdade” criada pelo Novo México
A “comissão da verdade” legislativa do Novo México realizou sua primeira reunião pública em fevereiro, com membros que afirmaram coordenar esforços com o Departamento de Justiça estadual. A comissão conta com um orçamento de US$ 2 milhões e tem seu primeiro relatório previsto para julho de 2026.
Em comunicado divulgado durante as buscas, os membros da comissão afirmaram: “Por anos, esta propriedade foi um símbolo de perguntas sem resposta. Hoje marca um passo importante em direção à transparência e à responsabilização que a justiça exige.”
O caso Epstein e suas conexões políticas
A divulgação dos arquivos expôs conexões sociais de Epstein com políticos, empresários e cientistas que visitavam o rancho. Os documentos se tornaram um tema politicamente sensível para o governo do presidente Donald Trump. O caso nunca foi completamente investigado no Novo México. A reabertura da investigação pelo gabinete do procurador-geral do estado indica que novas evidências ou informações surgiram e que justificam uma análise mais aprofundada da propriedade e das atividades de Epstein.
O que se sabe sobre as vítimas e sobreviventes
O Departamento de Justiça do Novo México deixou claro que o suporte às vítimas é parte central da investigação. Em comunicado, o órgão afirmou que continuará “apoiando os sobreviventes e seguindo os fatos onde quer que eles levem.”
No domingo anterior às buscas, o Women’s March organizou uma manifestação nos portões do rancho, onde Epstein “traficou meninas por décadas enquanto o FBI falhou em agir”, segundo o comunicado do grupo.
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