O BYD Denza Z abandona a coluna de direção mecânica e adota sistema steer-by-wire com três motores.
O esportivo elétrico de alto desempenho da BYD revelou sua arquitetura interna de direção por meio de desmontagem completa dos componentes do chassi, segundo publicações no Weibo. Esquemas de hardware vazados por fontes internas da indústria automotiva confirmam a eliminação total da tradicional coluna de direção mecânica.
O sistema básico opera com uma matriz de hardware proprietária de direção eletrônica (steer-by-wire) desenvolvida internamente pela Fudi Technology, divisão de componentes e engenharia da BYD.
Todas as três variantes do modelo utilizam sistema tri-motor composto por um motor dianteiro e dois traseiros, com picos de potência de 500 kW, 340 kW e 340 kW respectivamente, totalizando 1.180 kW (1.582 cv).
O que mudou na tecnologia de direção do Denza Z
O conjunto físico recém-descoberto apresenta o componente especializado do motor de direção Fudi POR8. Análises de desmontagem revelam que a BYD optou por não utilizar os designs convencionais de motores com enrolamento duplo usados por fornecedores tradicionais de nível 1, como Bosch e Nexteer.
O eixo dianteiro utiliza um layout de motor único com enrolamento único e precisão de 0,1°. Essa configuração minimiza o acúmulo de calor e o volume de componentes no compartimento da suspensão dianteira.
A configuração com um único motor dianteiro é complementada por dois motores de direção totalmente independentes no eixo traseiro. Essa configuração com três motores permite esterçamento máximo de ±20° nas rodas traseiras, reduzindo o raio de giro total do veículo para 4,62 metros.
Sistema de redundância de seis camadas garante segurança
Para atender aos rigorosos limites de segurança regulamentares, o conjunto POR8 incorpora arquitetura de redundância localizada de seis camadas. O sistema eletrônico combina dois microchips de controle mestre, circuitos de alimentação independentes de 12 V e 48 V e monitoramento da posição do motor em seis fases.

O futuro carro esportivo Denza Z utiliza um motor de direção dianteira de enrolamento único com precisão de 0,1°. Imagem: Car News China
Recursos adicionais de segurança incluem sensores de torque e ângulo com redundância dupla, sistemas operacionais de software duplos e segregados, e monitoramento automatizado de contingência sistêmica gerenciado pelo controlador de domínio central do chassi E³.
Especificações técnicas e desempenho
O layout tri-motor do Denza Z conta com motor dianteiro TZ220QYD de 500 kW (670 cv) e dois motores traseiros TZ226XYG com potência combinada de 680 kW (912 cv). A potência total de pico atinge 1.180 kW (1.582 cv).
| Especificação | Dados |
|---|---|
| Potência total | 1.582 cv (1.180 kW) |
| 0-100 km/h | Menos de 2 segundos |
| Velocidade máxima (versão Performance) | 350 km/h |
| Velocidade máxima (padrão) | 300 km/h |
| Dimensões (C x L x A) | 4.780 x 1.990 x 1.350 mm |
| Entre-eixos | 2.780 mm |
| Peso (coupé) | 2.220 kg |
| Peso (conversível) | 2.290 kg |
| Raio de giro | 4,62 metros |
A versão padrão nas carrocerias coupé e conversível alcança 300 km/h, enquanto a versão Performance atinge 350 km/h, destacando seu posicionamento voltado para pista.
Tecnologias complementares do chassi
A arquitetura avançada do chassi incorpora mecanismos de direção steer-by-wire ao lado do conjunto de suspensão ativa magnetorreológica DiSus-M. Esse sistema utiliza câmeras preditivas de leitura do piso para calcular ajustes de amortecimento em milissegundos, mantendo o Denza Z estável durante manobras agressivas.
A BYD afirma que o modelo conta com o primeiro sistema steer-by-wire totalmente desenvolvido na China, capaz de corrigir automaticamente erros do motorista e manter controle em condições extremas. Oferece também relações de direção adaptativas e aprendizado inteligente dos hábitos de condução, além do primeiro volante dobrável produzido em massa, que amplia o espaço da cabine em 14% com um toque de botão.
Versões e carrocerias disponíveis
O Denza Z foi registrado em três variantes junto ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China: versão coupé com teto rígido, conversível com capota macia e versão de alta performance.
Os modelos de entrada utilizam motor dianteiro de 268 cv (200 kW) combinado com dois motores traseiros de 215 cv (160 kW) cada, totalizando 482 cv. Essa configuração o coloca próximo de rivais como o MG Cyberster.
O Z será oferecido exclusivamente como 4 lugares e foi desenhado por Wolfgang Egger, atual chefe de design do grupo BYD e ex-designer da Audi, Lamborghini e Alfa Romeo.
Lançamento e expectativa comercial
A BYD pretende estrear a tecnologia durante o lançamento comercial do esportivo Denza Z de 1.582 cv, após extensas fases de desenvolvimento realizadas durante testes de supercarros em Nürburgring.
O Z fará sua estreia dinâmica oficial no Goodwood Festival of Speed 2026. O modelo chegará à China em julho como roadster de quatro lugares e conversível.
Estimativas iniciais na China situam o preço entre 400.000 e 500.000 yuans (aproximadamente US$ 59.000 a US$ 73.000), posicionando o Denza Z na mesma categoria do Maserati GranCabrio, porém com mais potência e carregamento mais rápido.
Contexto de mercado e vendas da marca
A apresentação técnica coincide com a implementação dos novos requisitos nacionais chineses para sistemas de direção eletrônica. De acordo com o China EV DataTracker, as vendas mensais de veículos da Denza no mercado interno aumentaram de 5.351 unidades em fevereiro para 6.762 em março, expandindo para 10.638 registros em abril.
O desempenho em maio acelerou ainda mais, atingindo 15.620 unidades, alta de 7,3% na comparação anual. Esse foi o primeiro mês verdadeiramente bem-sucedido para a marca em 2026, interrompendo a queda ano a ano.
O Z é o primeiro esportivo propriamente dito da Denza, marca premium que a BYD assumiu integralmente em 2024 após a Mercedes entregar sua participação remanescente. O modelo mira diretamente o Porsche 911 e o establishment de performance elétrico.
Para o Brasil, a BYD ainda não confirmou previsão de chegada do Denza Z. Considerando a estratégia da marca de priorizar mercados europeus e australianos, além do posicionamento ultra-premium do modelo, uma eventual comercialização no país dependeria de análise de viabilidade em um mercado onde supercarros elétricos ainda são nicho. Para mais notícias do mundo automotivo, acesse Jornal Mix.
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