Asteroide Bennu pode atingir a Terra em 2182 com força de 22 bombas nucleares; NASA calcula risco de apenas 0,037%.
O possível impacto está previsto para 24 de setembro de 2182, mas os dados da NASA indicam uma probabilidade muito baixa de colisão. Monitorado desde sua descoberta, o Bennu tem cerca de 500 metros de diâmetro e segue acompanhado por cientistas devido ao seu tamanho e trajetória próxima ao planeta.
Como a NASA identifica e calcula o risco dos asteroides?
A avaliação do risco de impacto do asteroide Bennu é feita com base em observações detalhadas, cálculos de órbita e simulações que utilizam tecnologia de ponta. A fonte principal desses dados é a missão OSIRIS-REx, lançada pela NASA em 2016. A sonda alcançou Bennu em 2018 e realizou estudos detalhados sobre a composição, rotação, massa, movimento e efeitos solares no asteroide.
Em outubro de 2020, a sonda coletou amostras da superfície, que chegaram à Terra em setembro de 2023, proporcionando informações inéditas para calibrar os modelos computacionais utilizados para prever o trajeto do objeto pelos próximos séculos. Além das forças gravitacionais, o cálculo do risco leva em conta o chamado efeito Yarkovsky, um fenômeno no qual a absorção de calor do Sol e a sua posterior emissão influenciam de maneira lenta, porém contínua, a trajetória do Bennu. Graças às observações da missão, o conhecimento sobre esse fenômeno foi significativamente aprimorado, aumentando a precisão dos modelos preditivos.
Por que 24 de setembro de 2182 é a data que mais preocupa?
Entre as centenas de possíveis aproximações do Bennu com a Terra ao longo dos séculos, a data de 24 de setembro de 2182 representa o cenário de maior risco calculado até agora. Segundo a própria NASA, embora o risco seja pequeno, esse dia traz as condições mais favoráveis para um eventual impacto, devido ao alinhamento orbital previsto neste período.
Porém, as probabilidades continuam muito baixas, com mais de 99,9% de chances de não ocorrer qualquer colisão neste dia específico. Isso significa que, apesar do destaque do ano 2182, a humanidade pode, a princípio, dormir tranquila quanto ao risco imediato deste asteroide.
Energia de 22 bombas nucleares: o que isso representa?
Se o asteroide Bennu atingisse a Terra, a energia liberada seria equivalente à detonação simultânea de 22 bombas nucleares como as lançadas sobre Hiroshima. Esse nível de energia, estimado pelos cientistas com base na massa e velocidade do asteroide, provocaria devastação em escala regional, destruindo cidades inteiras e causando impactos ambientais notáveis, como o lançamento de poeira e partículas para a atmosfera.
Contudo, não seria um evento com potencial de extinção global, como foi o impacto responsável pelo desaparecimento dos dinossauros. O estudo constante sobre a energia envolvida e o potencial destrutivo reforça a importância da pesquisa e da defesa planetária, áreas que vêm ganhando cada vez mais prioridade nas agendas das agências espaciais internacionais.
Missão OSIRIS-REx: papel fundamental no monitoramento do Bennu
A missão OSIRIS-REx da NASA, iniciada em 2016, revolucionou o monitoramento de asteroides ao trazer amostras inéditas da superfície de Bennu para estudo na Terra. Ao rastrear a órbita do asteroide, a missão permitiu que pesquisadores entendessem melhor as variáveis que podem alterar sua trajetória, como a gravidade de outros corpos celestes e o efeito Yarkovsky.
A coleta e o retorno das amostras em setembro de 2023 representam um marco científico, pois ajudam a desvendar os segredos da formação do Sistema Solar e a aprimorar os algoritmos que calculam futuras aproximações de asteroides potencialmente perigosos. Com os resultados da OSIRIS-REx, os cientistas aumentaram a precisão sobre o destino de Bennu, fortalecendo estratégias de prevenção para cenários futuros.

Com 500 metros de diâmetro e cruzar a órbita da Terra, Bennu é considerado um dos objetos mais monitorados. Imagem: Jornal Mix.
Como a aproximação em 2135 pode mudar tudo?
Em 2135, Bennu fará sua maior aproximação documentada da Terra, podendo ter sua órbita levemente alterada pela gravidade do planeta. Diferente do risco apontado para 2182, esse encontro em 2135 não traz ameaça de colisão. No entanto, a influência gravitacional terrestre tem o potencial de modificar a rota do asteroide o suficiente para afetar estimativas de futuras aproximações, incluindo aquelas que podem acontecer décadas depois.
A exatidão sobre esses possíveis desvios somente será conhecida após observações detalhadas da passagem, permitindo aos cientistas recalibrar seus modelos de previsão. O acompanhamento próximo dessa data será determinante para validar e melhorar estratégias de defesa planetária.
Defesa planetária e estratégias para o futuro
Com a melhoria dos métodos de rastreamento de objetos espaciais, a defesa planetária se tornou prioridade global para mitigar riscos de impactos catastróficos. Quanto maior a precisão sobre a trajetória de asteroides, maior a chance de desenvolver planos concretos para neutralizar possíveis ameaças.
Entre as soluções estudadas estão desvios por impacto, uso de explosivos e técnicas de alteração térmica. O monitoramento contínuo do Bennu serve como referência para novas missões, oferecendo aprendizados sobre como proteger a civilização de perigos provenientes do espaço.
Asteroides similares a Bennu podem representar risco real?
Centenas de asteroides cruzam a órbita terrestre, mas a maioria é pequena ou tem trajetórias que não oferecem riscos significativos nos próximos séculos. O Bennu ganhou destaque devido à sua dimensão, proximidade e facilidade de acompanhamento, além dos avanços científicos proporcionados por missões dedicadas. Mas o temor de colisão imediata não é fundamentado. Os sistemas de vigilância planetária continuam evoluindo, permitindo respostas rápidas e eficazes em caso de identificação de risco mais concreto para a Terra.
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