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Caso chocante: neto morde e engole parte da orelha da avó em agressão

Família relata histórico de agressões e desvio de aposentadoria cometidos pelo acusado

por Aialla Andrade
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Brasão da Polícia Civil do Estado de Goiás em preto e branco sobre fundo com cubos 3D cinza

Um homem foi preso após agredir a própria avó, de 73 anos, no interior da residência onde moravam, em Anápolis (GO), na segunda-feira (18/5). A idosa foi resgatada com lesões graves pelo corpo e mutilação na orelha.

A Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI) de Anápolis investiga a ocorrência, classificada como lesão corporal duplamente qualificada e injúria qualificada. O acusado teve a fiança negada e foi encaminhado diretamente ao presídio.

Segundo familiares, o suspeito era sustentado pela avó, que o criou desde os dois dias de vida. A família afirmou que o crime representou o ápice de um longo histórico de violência doméstica, que incluía xingamentos, pequenos furtos e o desvio da aposentadoria da idosa.

Como ocorreu a agressão

Orelha de idosa de 73 anos com ferimento grave e área pixelada após ataque do neto em Anápolis

Homem de 28 anos arrancou pedaços da orelha da avó a mordidas e confessou ter engolido os fragmentos. Agressor foi autuado por lesão corporal e injúria qualificadas. Imagem: Polícia Civil

Conforme as investigações, o homem consumia bebida alcoólica quando a vítima se levantou para beber água. Nesse momento, ele a derrubou no chão e iniciou as agressões físicas.

Além da mutilação na orelha, a idosa sofreu mordidas no ombro e nas costas. Os policiais a encontraram com sangramento intenso e em estado de abalo emocional.

Após o ataque, a idosa conseguiu se trancar no quarto. Na manhã seguinte, foi encontrada por uma vizinha com o ferimento aberto. A vizinha procurou a Delegacia do Idoso no início do expediente.

Suspeito confessou ter engolido parte da orelha

Ao ser interrogado sobre o paradeiro dos pedaços da orelha da vítima, o agressor confessou ter “mastigado e engolido” o fragmento corporal, sem demonstrar arrependimento.

Segundo o delegado Manoel Vanderic, titular da DEAI, o acusado apresentava comportamento alterado no momento da prisão. Ele ria sem motivo aparente e dizia frases desconexas, sendo necessário o uso de algemas para garantir a segurança dos policiais.

Ao ser questionado sobre o motivo da agressão, o homem não demonstrou remorso e alegou apenas que estava sob o efeito de bebidas alcoólicas.

Histórico de violência na família

Uma filha da idosa relatou à polícia que a violência vinha ocorrendo há muito tempo. O agressor praticava injúria, violência psicológica, desviava a aposentadoria da avó e furtava pequenos objetos da residência.

A família já havia tentado convencê-la a denunciar o rapaz anteriormente. A idosa chegou a registrar uma reclamação no passado, mas, por se tratar de crime de ação privada na época, acabou retirando a representação, o que impediu o prosseguimento das investigações.

Apesar das agressões, a vítima mantinha forte vínculo emocional com o neto, o que dificultava denúncias anteriores.

Tipificação penal e próximos passos

O acusado foi autuado em flagrante por lesão corporal duplamente qualificada — em razão do vínculo familiar e da condição de idosa da vítima — e por injúria qualificada. De acordo com a legislação penal brasileira, o art. 61, II, h, do Código Penal prevê agravante para crimes contra maiores de 60 anos, enquanto o art. 129, § 7º, determina aumento de pena de um terço em casos de lesão corporal dolosa contra idosos.

As investigações seguem sob responsabilidade da DEAI de Anápolis. A unidade recebe entre 10 e 15 denúncias diárias de violência contra idosos, com a maioria dos crimes praticados por familiares das vítimas.

Não há informação sobre o estado de saúde atual da idosa ou se ela passou por procedimento cirúrgico para reconstrução da orelha. Para mais notícias , acesse Jornal Mix.

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