O comandante Felipe Marques Monteiro, piloto da CORE e policial civil do Rio de Janeiro, morreu neste domingo (17) após passar 14 meses internado em recuperação de um disparo de fuzil sofrido durante uma operação aérea.
A morte do agente, reconhecido por atuar em missões contra o crime organizado, foi confirmada pela família nas redes sociais e gerou homenagens entre colegas das forças de segurança.
Confira detalhes da trajetória do policial, do ataque ao helicóptero e da longa luta pela vida desde o atentado.
Felipe Marques Monteiro era morador de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O agente atuava no Serviço Aeropolicial da Coordenadoria de Recursos Especiais, unidade conhecida pela sigla SAER/Core e responsável por missões aéreas em apoio a ações terrestres.
Os principais dados sobre o policial são:
- Idade na data do falecimento: 46 anos completos
- Função na corporação: piloto e copiloto de helicóptero
- Unidade de atuação: SAER/Core da Polícia Civil do Rio
- Local de residência: cidade de Niterói
O agente atuava na aviação policial em missões de apoio aéreo a operações terrestres. A função exige treinamento especializado em pilotagem de aeronaves em ambiente urbano e em zonas de risco, com participação direta em ações de combate a quadrilhas armadas.

Esposa do comandante Felipe Marques acompanha de perto os 14 meses de luta pela vida dele após o disparo de fuzil. Imagem: Reprodução/Instagram/Keidna Marques
Os 14 meses de luta pela vida
O comandante foi atingido por um disparo na cabeça em março de 2025. O quadro clínico inicial foi considerado gravíssimo, e o policial passou por várias cirurgias logo após o socorro, com perda de cerca de 40% do crânio e uso posterior de prótese na região atingida.
O cronograma da luta pela vida incluiu:
- Socorro inicial no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon
- Transferência para o Hospital São Lucas, em Copacabana
- Alta hospitalar em dezembro de 2025, após 9 meses internado
- Reabilitação em centro especializado com nova fase de recuperação
O agente passou por nova cirurgia de prótese craniana no dia 20 de abril deste ano. O procedimento gerou complicações nas semanas seguintes, com sangramentos, hematomas e necessidade de inserção de dreno na cabeça para alívio da pressão na região operada.
Uma infecção grave foi o fator decisivo na piora do quadro. A esposa do agente atualizou o estado de saúde na sexta-feira (15) com a indicação do uso de medicações mais fortes, e o falecimento foi confirmado dois dias depois na unidade hospitalar.
O ataque ao helicóptero em operação policial
O comandante foi baleado durante a Operação Torniquete na comunidade da Vila Aliança. A ação aconteceu em março de 2025 no bairro de Bangu, Zona Oeste do Rio, e tinha como objetivo o combate a uma quadrilha especializada em roubo e desmanche de vans.
Os detalhes do ataque incluem:
- Local: comunidade da Vila Aliança, bairro de Bangu
- Zona: Oeste da capital fluminense
- Arma utilizada: fuzil de uso restrito das forças militares
- Função do policial: copiloto da aeronave em apoio aéreo
Mesmo gravemente ferido, o agente conseguiu colaborar para a estabilização da aeronave. O ato permitiu o pouso seguro do helicóptero da Polícia Civil e evitou uma tragédia maior, com salvamento dos demais tripulantes que estavam a bordo durante a missão de apoio.
A investigação sobre os responsáveis pelo crime
A investigação policial apontou um suspeito como mandante do ataque ao helicóptero. As apurações da Polícia Civil indicam que a ordem para os disparos teria partido de um chefe do tráfico local, com participação direta de outros integrantes da facção criminosa da região.
Os principais nomes citados na apuração são:
- José Gonçalves Silva, conhecido como Sabão
- Função apontada: chefe do tráfico de drogas da Vila Aliança
- Douglas Fernando Lúcio da Silva, 33 anos
- Local da prisão de Douglas: bairro de Santíssimo, Zona Oeste
Apenas Douglas Fernando foi preso pelas autoridades até o momento. A detenção aconteceu cerca de um mês após o crime, e o homem é apontado como participante direto do ataque ao helicóptero. Os demais suspeitos seguem foragidos das forças de segurança do estado.
As homenagens prestadas após o falecimento
O Governo do Estado do Rio de Janeiro divulgou nota oficial em reconhecimento à atuação do policial. A mensagem destacou a bravura, o compromisso e a entrega do comandante no exercício da função de proteger a população fluminense ao longo da carreira.
Os principais pontos da nota oficial são:
- Reconhecimento pela longa e corajosa batalha pela vida
- Solidariedade aos familiares, amigos e companheiros da Polícia Civil
- Destaque para a força e a fé demonstradas pela família
- Memória do legado preservada na segurança pública do estado
Colegas de profissão e amigos compartilharam mensagens nas redes sociais ao longo do domingo. O perfil oficial do comandante recebeu milhares de manifestações de pesar de pessoas que acompanhavam o caso desde o início da internação, com força demonstrada pelo agente.
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