Com as notícias sobre novos casos de Mpox, é comum que surjam muitas dúvidas e preocupações. Informações incorretas ou desencontradas podem causar pânico e levar a julgamentos ou preconceitos contra algumas pessoas. Por isso, é fundamental combater a desinformação, distinguindo os fatos dos boatos.
Confira, a seguir, as principais informações de autoridades de saúde e especialistas para esclarecer as dúvidas sobre o que é verdade e o que é mito em relação à Mpox.
Mito: A transmissão da Mpox é fácil e acontece pelo ar, como a Covid-19
A principal forma de contágio da Mpox é através do contato físico próximo e direto com as lesões de pele, bolhas ou crostas de uma pessoa infectada. A transmissão também pode ocorrer por meio de secreções respiratórias, mas isso exige um contato prolongado e face a face. Objetos pessoais contaminados, como roupas de cama e toalhas, também são uma via de transmissão. Diferentemente da Covid-19, a Mpox não se espalha facilmente pelo ar em contatos casuais.
Álvaro Costa, médico infectologista consultor do Ministério da Saúde, ouvido em reportagem ao G1, reforça: “Não é uma doença altamente transmissível pelo ar”. O beijo, por envolver contato íntimo de mucosas e proximidade intensa, pode transmitir o vírus caso existam lesões ativas na boca ou no rosto.
Verdade: Os sintomas iniciais se parecem com os de uma virose comum
Antes do aparecimento das lesões na pele, que são a marca mais conhecida da doença, os primeiros sinais da Mpox são semelhantes aos de outras infecções virais. Geralmente, o quadro começa com febre súbita, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço intenso e, um sintoma característico, o surgimento de gânglios inchados (ínguas), que podem aparecer no pescoço, axilas ou região genital. As lesões cutâneas costumam surgir alguns dias depois, evoluindo de manchas para bolhas e, finalmente, crostas.

Identifique rapidamente os sintomas mais comuns da Mpox e saiba quando buscar avaliação médica ao perceber alterações no corpo. Imagem: Jornal Mix
Mito: A Mpox afeta apenas homens gays e bissexuais
Qualquer pessoa, independentemente de gênero ou orientação sexual, pode contrair Mpox. Associar a doença a um grupo específico é incorreto e gera estigma. Durante o surto de 2022, observou-se uma maior prevalência de casos em redes de homens que fazem sexo com homens (HSH), uma classificação técnica de saúde.
Uma das hipóteses científicas é que o vírus tenha se disseminado inicialmente dentro dessas redes sociais e sexuais interconectadas, mas isso não restringe a doença a este grupo. O vírus se transmite por contato próximo, não por orientação sexual.
Verdade: As lesões podem aparecer em diversas partes do corpo
A erupção cutânea da Mpox não tem um local fixo para aparecer. As bolhas e pústulas podem surgir no rosto, mãos, pés, peito, costas e também nas áreas genitais, perianais e dentro da boca. A quantidade de lesões varia muito de pessoa para pessoa, com alguns pacientes apresentando poucas feridas e outros, centenas.
Apenas quando todas as crostas caem e a pele está totalmente cicatrizada é que o risco de transmissão é praticamente eliminado, um processo que pode levar de duas a quatro semanas.
Mito: A doença tem baixa letalidade e não é perigosa
A gravidade da Mpox depende da variante (clado) do vírus. O clado 2, responsável pelo surto global de 2022, apresentou taxas de letalidade mais baixas, geralmente abaixo de 1%. No entanto, o clado 1, circulante em algumas regiões da África, é considerado mais grave, com taxas de mortalidade que podem chegar a 10% em surtos anteriores.
Para a maioria das pessoas, especialmente em países com bom acesso a serviços de saúde, o quadro é leve ou moderado. Contudo, a doença pode ser grave e até fatal em pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV sem tratamento, transplantados ou em tratamento oncológico.
Verdade: A vacina da varíola comum protege contra a Mpox
Estudos observacionais indicam que a vacinação prévia contra a varíola comum oferece cerca de 85% de eficácia na prevenção da Mpox. Isso ocorre porque os vírus que causam as duas doenças pertencem à mesma família, a Orthopoxvirus. Pessoas que foram vacinadas contra a varíola no passado podem ter uma doença mais branda caso se infectem com a Mpox.
Mito: Macacos são os principais transmissores da doença atualmente
Apesar do nome antigo da doença, “varíola dos macacos”, originado da descoberta do vírus em macacos de laboratório em 1958, esses animais não são os responsáveis pela transmissão no surto atual entre humanos. A Mpox é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos, mas os reservatórios naturais mais prováveis são roedores e outros pequenos mamíferos na África. A transmissão hoje ocorre predominantemente de pessoa para pessoa.
Verdade: O tratamento é focado no alívio dos sintomas
Para a maioria dos casos, que são leves, não há um tratamento específico. A abordagem é de suporte clínico: cuidar das lesões para evitar infecções secundárias, controlar a febre e a dor, e garantir boa hidratação e nutrição. Os sintomas tendem a desaparecer sozinhos em algumas semanas. Existe um antiviral, o tecovirimat, mas seu uso é restrito a casos graves ou pacientes com alto risco de complicações.
Segundo Marcos Vinicius Borges, infectologista da SBI, em depoimento ao g1, “ele é usado de forma criteriosa. Não é necessário para todos os casos”.
Mito: Todas as pessoas devem se vacinar contra a Mpox
A vacinação não é recomendada para a população em geral neste momento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica a imunização para grupos prioritários com maior risco de exposição ou de desenvolver formas graves da doença. Isso inclui profissionais de saúde na linha de frente, equipes de laboratório, pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados e indivíduos com múltiplos parceiros sexuais. A estratégia é a vacinação focada, não em massa.
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