Criminosos têm usado mochilas, caixas e uniformes falsificados de aplicativos de entrega para atravessar a portaria de condomínios e furtar moradores e funcionários, prática já registrada por câmeras de segurança em pelo menos dois estados brasileiros.
Como o falso entregador entra no prédio
No Distrito Federal, um suspeito chegou a um residencial de motocicleta carregando uma mochila com a logomarca de um aplicativo de entregas. Ele estacionou nas proximidades e aguardou o momento em que um morador acessou o local para entrar sem autorização.
Já dentro do empreendimento, o homem circulou pelas áreas comuns, se aproximou de uma das câmeras que monitoravam a entrada e retirou o equipamento. Toda a ação foi gravada por outros aparelhos de vigilância instalados no condomínio.
Do lado de fora, ele colocou uma máscara, guardou o material em uma sacola e deixou o local. Minutos depois, voltou e abandonou o objeto perto do portão antes de fugir novamente. Mesmo com a devolução, a invasão foi registrada e a Polícia Civil investiga a autoria.
Descuido de minutos custa caro na guarita
Em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, um jovem de 21 anos aproveitou a distração de um porteiro e levou o celular que estava sobre a bancada da guarita. Ele havia escalado o muro para chegar até ali e fugiu pelo mesmo caminho.
A prisão em flagrante foi feita por policiais da 7ª Delegacia, que recuperaram o aparelho. Segundo a apuração, o rapaz usava tornozeleira eletrônica e responde a nove processos por crimes contra o patrimônio.
O que diz a lei
A ocorrência foi enquadrada como furto qualificado mediante escalada, previsto no artigo 155 do Código Penal, o CP, conjunto de normas que define os crimes no Brasil. A punição varia de dois a oito anos de reclusão, além de multa.
Como a portaria pode barrar o disfarce
Especialistas em segurança condominial apontam que a modalidade cresce porque explora a ausência de protocolo claro no controle de acesso. A recomendação é confirmar a encomenda com o destinatário antes de liberar a passagem e nunca permitir que alguém aproveite o portão aberto por terceiros.
Sistemas de gestão que cadastram moradores, funcionários, visitantes e prestadores também reduzem o risco, já que apenas pessoas previamente autorizadas conseguem acessar o prédio. Treinamento das equipes e comunicação rápida entre síndico e condôminos completam a barreira.
Atenção também na área comum
Objetos de valor deixados sobre balcões, bancadas e mesas são os alvos mais fáceis. Guardar o aparelho antes de abrir a porta e não usá-lo como apoio na hora de receber o pedido são hábitos simples que evitam prejuízo.
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