Home Dicas e CuriosidadesPara onde vai o glitter que cai no ralo? O impacto ambiental invisível e o que a ciência propõe para o futuro da folia

Para onde vai o glitter que cai no ralo? O impacto ambiental invisível e o que a ciência propõe para o futuro da folia

Alternativas caseiras ajudam a evitar resíduos de microplásticos depois da folia

por Leandro Macedo
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Pote de glitter dourado derramado sobre superfície rosa, partículas brilhando

Sabe aquele momento de curtição no carnaval, quando você se enche de glitter e espalha brilho por onde passa? Adivinha só: o microplástico desse glitter não some quando você toma banho. Ele escorre pelo ralo, mas o destino dele vai te surpreender, e talvez te fazer pensar duas vezes antes do próximo mergulho na folia. Vem ver!

Por que o glitter é um problema invisível?

O segredo está no que pouca gente vê: o glitter comum é basicamente um microplástico revestido de alumínio. Quando cai no ralo, ele escapa dos filtros dos esgotos e acaba indo parar nos rios e mares. O motivo é simples: estudos mostram que esta partícula é pequena demais para a maioria das estações de tratamento reter. Por isso, vai direto para o meio ambiente, onde é confundida por alimentos por peixes e outros animais. Segundo especialistas em microplásticos no oceano, esses brilhinhos causam grandes impactos nos ecossistemas aquáticos e voltam para gente via cadeia alimentar.

  • São ingeridas por peixes e outros organismos aquáticos.
  • Podem acumular-se na cadeia alimentar, chegando até os humanos.
  • Permanecem no ambiente por décadas, já que não se degradam facilmente.

Estudos recentes mostram que os resíduos da folia permanecem por meses: análises na Praia do Flamengo (RJ) encontraram glitter na areia oito meses após o Carnaval de 2025, evidenciando a persistência desse poluente.

 Brilho de glitter azul, rosa, dourado e verde espalhado formando camadas no solo

O glitter causa impacto ambiental, e cientistas estão em busca de alternativas ecologicamente corretas. Imagem: Freepik

O que a ciência propõe

Pesquisadores e ambientalistas defendem alternativas mais seguras:

  • Glitter biodegradável: feito de celulose vegetal, que se decompõe naturalmente.
  • Pigmentos minerais: mica e outros minerais que produzem brilho sem plástico.
  • Tintas corporais ecológicas: opções à base de água e pigmentos naturais.

Além disso, há campanhas de conscientização para reduzir o uso de glitter plástico e incentivar fabricantes a adotar materiais sustentáveis.

Exemplos práticos de alternativas

  • Marcas brasileiras já oferecem “eco-glitter” de celulose, vendido em pó ou gel.
  • Oficinas de blocos sustentáveis ensinam a produzir brilho com amido de milho e corantes naturais.
  • Algumas cidades testam estações de lavagem de fantasias para evitar que resíduos caiam diretamente nos ralos.

Orientações para festas e blocos em 2026

Para curtir sem pesar no planeta:

  • Prefira eco-glitter ou maquiagem sustentável.
  • Evite lavar fantasias com glitter plástico em casa; se possível, retire o excesso antes.
  • Incentive blocos e escolas de samba a adotar materiais biodegradáveis.
  • Compartilhe informação: quanto mais foliões conscientes, menor o impacto coletivo.

Como evitar que o glitter vá parar nos oceanos?

  1. Enxugue o excesso. Depois da festa, em vez de lavar direto, use um pano úmido para tirar o máximo de glitter da pele. Junte tudo num recipiente, assim, você já impede boa parte de ir para o ralo.
  2. Use filtro no ralo. Coloque um filtro de café reutilizável (ou uma estrelinha de esponja) no ralo para segurar os microplásticos. Vai parecer pouco, mas cada partícula conta!
  3. Recolha o glitter do filtro. Junte e descarte no lixo comum, nunca no vaso sanitário ou jardim.
  4. Prefira glitter biodegradável. O próximo passo é simples: procure opções feitas de celulose vegetal. Assim, mesmo se um pouquinho escapar, o impacto ambiental será menor.

Seguindo esses passos, a gente ajuda a reduzir o número de microplásticos no meio ambiente e diminui muito o impacto do carnaval nos ecossistemas aquáticos.

Dica extra:

Você também pode produzir seu próprio “glitter” com sal grosso colorido com corante natural ou com pedacinhos de folhas secas trituradas. Dura menos, mas não prejudica a natureza!

Se na sua cidade tem coleta seletiva específica para resíduos não recicláveis, pergunte se dá para descartar o glitter por lá. Evite jogar restos de maquiagem no vaso sanitário, muitos desses produtos também liberam microplásticos!

Perguntas Frequentes

Glitter biodegradável é realmente melhor?

Ele se decompõe mais rápido por ação de microrganismos, reduzindo o acúmulo de resíduos persistentes na natureza. Ainda assim, é bom descartar corretamente.

Por que o glitter faz mal para os animais?

Animais aquáticos confundem microplásticos com alimento. Isso causa problemas digestivos, intoxicações e pode até chegar à nossa mesa pelos frutos-do-mar.

Qual a legislação sobre microplásticos?

No Brasil, ainda não existe lei federal que proíba glitter convencional, mas alguns países já restringem o uso. Mudanças podem acontecer conforme crescem os alertas ambientais.

Além do glitter, quais outros produtos liberam microplásticos?

Esmaltes, sabonetes esfoliantes com microesferas, e até roupas de poliéster, quando lavadas, soltam resíduos plásticos microscópicos.

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