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Família se recusa a sepultar parente em área sem muro usada como pasto em Ipiaú, na Bahia

Prefeitura confirma que a área anexa passa por ampliação e vai receber muro de cerca de 3,20 metros, com espaço para mais de mil covas.

por Luanna Silva
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Uma família se recusou a sepultar Aderval Rodrigues Andrade, de 54 anos, em uma área anexa ao Cemitério Jardim da Saudade II, em Ipiaú, no sul da Bahia, após encontrar o terreno sem muro e sem infraestrutura na tarde de quinta-feira, 2 de julho de 2026.

 

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O que a família encontrou no local

Segundo relatos dos parentes, o espaço reservado para o sepultamento não tinha muro de proteção nem estrutura adequada, e era usado como área de pastagem de animais. Vídeos gravados durante o cortejo e compartilhados nas redes sociais mostram a indignação da família diante das condições do terreno.

De acordo com a filha do falecido, Amanda Fontes Andrade, a funerária havia informado apenas sobre uma taxa referente ao cemitério, sem detalhar onde o corpo seria enterrado. Ela conta que, ao chegar guiada pelo carro da funerária, se deparou com animais sendo retirados de perto das covas.

Corpo levado para outro distrito

Diante da situação, os familiares optaram por não realizar o enterro no local. O corpo foi então levado para o distrito de Algodão, onde o sepultamento ocorreu. A família afirma ter enfrentado dois anos de luta contra um câncer antes da perda e classificou o episódio como um momento de dor ainda maior.

O que diz a prefeitura

Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Serviços Públicos, a SEDUR, Nasser Barros, informou que se reuniu com os familiares para prestar esclarecimentos. Ele explicou que a ampliação do cemitério se tornou necessária porque parte da área atual tem formação rochosa no subsolo, o que impede a abertura de novas covas.

Conforme o secretário, o terreno ao lado foi cercado de forma provisória e receberá um muro de aproximadamente 3,20 metros de altura, com capacidade prevista para cerca de 1.050 sepultamentos. Ele acrescentou que os cemitérios municipais registram, em média, cerca de 30 sepultamentos por mês, o que reforçaria a necessidade da expansão.

Um debate sobre dignidade

O caso reacendeu a discussão sobre as condições dos espaços públicos destinados às despedidas na cidade e a cobrança por transparência nas obras. Enquanto a prefeitura garante que o projeto está em andamento, familiares defendem que todos têm direito a um local digno para o descanso final.

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