A advogada brasileira Gabriela Cardozo, de 31 anos, morreu afogada na praia Rosedal, no México, na última quarta-feira (18/3). Gabriela morava em Nova York, mas estava aproveitando o “spring break” — período de recesso de primavera nos Estados Unidos — com amigos no município de Santa María Colotepec, próximo a Puerto Escondido.
Segundo relatos de testemunhas, a capixaba enfrentou dificuldades para retornar à faixa de areia após entrar no mar e precisou ser resgatada por salva-vidas, mas já estava sem sinais vitais quando foi retirada da água. Os familiares da capixaba já iniciaram os trâmites para a repatriação do corpo, mas ainda não há prazo para a chegada.
Circunstâncias do afogamento e condições do mar
Gabriela e os amigos chegaram ao México no domingo (15), e a volta para os Estados Unidos estava marcada para este sábado (21). De acordo com testemunhas que estavam com a advogada, Gabriela entrou no mar e, em pouco tempo, apresentou dificuldade para retornar à faixa de areia. A situação mobilizou guarda-vidas, que iniciaram o resgate ainda na água. Apesar da tentativa de socorro, ela foi retirada já sem vida.
Apenas três dias antes da advogada morrer afogada, a Coordenação Estadual de Proteção Civil e Gestão de Riscos (CEPCyGR) emitiu um alerta para que os banhistas evitassem entrar na água na região de Oaxaca. As autoridades avisaram sobre um fenômeno chamado de “mar de fundo”, que gera “ondas altas, fortes correntes marítimas e elevação do nível do mar”.
Outros afogamentos na região
Somente nesse ano, três pessoas morreram afogadas na região. Em Puerto Escondido, registraram-se dois falecimentos de turistas a consequência do mar agitado. O caso mais recente, ocorrido antes do afogamento da brasileira, aconteceu na quarta-feira anterior, na praia Zicatela, onde um turista estadunidense de 29 anos foi golpeado por uma onda que o impactou contra o fundo de areia.
Segundo Godofredo Vásquez, coordenador do grupo de salva-vidas em Puerto Escondido, durante a semana foram implementadas medidas restritivas nas praias Zicatela, Punta Zicatela e bahía principal, devido ao mar agitado. Mesmo com bandeiras vermelhas colocadas na faixa de praia, as ações preventivas e de resgate se incrementaram.
Quem era Gabriela Cardozo
Natural do Espírito Santo, Gabriela construiu uma trajetória marcada pelo alto desempenho acadêmico e pela atuação em ambientes corporativos de prestígio. Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP), destacou-se ainda durante a graduação ao conquistar o segundo lugar no ICC International Commercial Mediation Competition, uma das principais competições internacionais voltadas à mediação comercial.
O concurso reuniu equipes de 67 universidades de 40 países. Após concluir o curso, Gabriela iniciou sua carreira em São Paulo, onde atuou na área de consultoria empresarial e investimentos.

Apesar do currículo consistente, Gabriela mantinha uma presença discreta nas redes sociais. Imagem: Reprodução/ Redes Sociais
Trajetória acadêmica nos EUA
Em busca de ampliar sua formação, a advogada se mudou para Nova York, nos Estados Unidos. Na cidade, passou a cursar um MBA na Columbia Business School, uma das escolas de negócios mais renomadas do mundo.
Amigos definiram a capixaba como “estudiosa, dedicada e muito elogiada”. Pessoas próximas descrevem Gabriela como dedicada aos estudos e reconhecida por professores ao longo da trajetória acadêmica, com planos que envolviam a consolidação da carreira internacional.
Perfil reservado nas redes sociais
Apesar do currículo consistente, Gabriela mantinha uma presença discreta nas redes sociais. Seus perfis eram restritos, com poucas publicações abertas ao público, refletindo um estilo mais reservado fora do ambiente profissional.
Apesar de ser discreta, momentos antes do acidente a jovem chegou a publicar registros da viagem nas redes sociais.
Procedimentos e repatriação do corpo
Após a confirmação da morte, autoridades mexicanas foram acionadas para realizar os procedimentos legais necessários. No Brasil, familiares iniciaram os trâmites para a repatriação do corpo, mas ainda não há prazo para a chegada.
O caso segue sob responsabilidade das autoridades mexicanas, enquanto a família acompanha os desdobramentos à distância, aguardando a liberação necessária para o traslado.