A Páscoa de 2026 vai custar mais caro para o bolso dos brasileiros — e não é pouco. O ovo de chocolate que estava na lista de presente no ano passado pode ter subido quase R$ 12 desde então. A culpa? Uma crise global do cacau que começou longe daqui, mas chegou com força total nas prateleiras dos supermercados brasileiros.
Quem pensava em deixar para comprar na última hora vai precisar rever os planos — e talvez o orçamento também.
Continue lendo para entender por que o preço do chocolate explodiu.
A crise que veio de longe
Tudo começa a milhares de quilômetros do Brasil. Os dois maiores produtores de cacau do mundo respondem juntos por cerca de 60% de toda a oferta global da fruta. Em 2024, as plantações desses países foram devastadas por um fenômeno climático que trouxe chuvas irregulares, secas e condições ideais para o avanço de doenças fúngicas nas lavouras. O resultado foi uma queda drástica na produção e um déficit estimado em 700 mil toneladas no mercado mundial.
Com menos cacau disponível, o preço da amêndoa nas bolsas internacionais disparou — e foi justamente nesse momento de pico que as chocolateiras fizeram suas compras para a Páscoa de 2026. Mal acaba uma Páscoa, as indústrias já estão comprando insumos para a próxima. Como as compras do ano passado foram feitas num momento de alta histórica, os preços chegaram agora na gôndola do supermercado.
Por que a queda do cacau ainda não chegou ao seu bolso
Pode parecer contraditório, mas os preços internacionais do cacau estão em queda — a arroba na Bahia recuou de R$ 803,69 para R$ 238,19 em apenas um ano. O problema é que esse alívio chega tarde demais para a Páscoa de 2026.
O cacau, porém, não é o único vilão. Leite, açúcar, frete com caminhões frigoríficos e a variação do dólar também pesam na composição do preço final. Mesmo com o recuo da matéria-prima, os custos de energia, logística e produção continuam elevados — e o consumidor sempre sente o impacto com defasagem. A expectativa é de que 2027 possa trazer alguma acomodação, mas sem garantia de queda expressiva nos preços das prateleiras.
Quais ovos ficaram mais caros em 2026?

Ovos artesanais também sentem o impacto da alta do cacau e chegam mais caros às mesas dos brasileiros nesta Páscoa. Imagem: Agência Brasil
Os reajustes são expressivos nas marcas mais populares do país. O Sonho de Valsa de 277g, da Lacta, foi o mais afetado, com aumento de 26,64% — de R$ 45,00 para R$ 56,99. Em seguida está o Crocante de 227g, da Garoto, cujo preço cresceu 24,98%, passando de R$ 48,00 para R$ 59,99. A única variação negativa foi a do Tortuguita Baunilha 120g, da Arcor, que ficou 0,02% mais barato.
Quem sente mais no bolso
Diante de preços mais altos, o consumidor pode optar pela substituição por produtos mais baratos, redução de quantidade comprada ou migração para alternativas fora da categoria tradicional de ovos de chocolate. A tendência é de um consumo mais planejado e criterioso nesta Páscoa.
Por outro lado, parte dos consumidores está disposta a pagar mais pela qualidade: “A indústria está criando produtos menores e formatos compactos para atender a essa demanda”, conta Gustavo Dermendjian, sócio de uma chocolateria artesanal.
O artesanal cresce mesmo com a crise
Chocolaterias artesanais projetam crescimento de até 30% na Páscoa de 2026, mesmo sob os efeitos da disparada do preço do cacau. Marcas do segmento trabalham com expectativas que variam entre 12% e 30% de aumento no faturamento em relação a 2025.
Cresce também a demanda por linhas com maior teor de cacau, menos açúcar e ingredientes mais alinhados a um estilo de vida equilibrado. O premium deixa de estar apenas no preço e passa a estar também na composição.
O que a indústria projeta para este ano
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), no ano passado foram produzidas 806 mil toneladas de chocolates e 45 milhões de ovos de Páscoa. Com a estabilidade da economia e baixo índice de desemprego, a associação acredita numa Páscoa igual ou melhor do que em 2025.
Fique por dentro
O chocolate ficou mais caro — mas a tradição da Páscoa segue firme. Seja no ovo artesanal ou na caixinha de mercado, o que não muda é a vontade de presentear e celebrar.
Quer ficar por dentro de tudo que afeta o seu bolso e o seu dia a dia? No Jornal Mix, as informações que importam chegam antes — e de forma clara, objetiva e sem enrolação. Acompanhe o portal e não perca nenhuma novidade sobre economia, consumo e muito mais.