Home PolicialFeminicídios batem recorde em 2025: 1 em cada 9 vítimas tinha medida protetiva ativa, aponta Anuário

Feminicídios batem recorde em 2025: 1 em cada 9 vítimas tinha medida protetiva ativa, aponta Anuário

Maior número de feminicídios da década revela ineficácia das medidas protetivas no ano de 2025

por Giovanna Costa
A+A-
Reiniciar
Mulher com olho roxo, expressão séria, ao lado de uma carteira de identidade do Brasil em fundo branco

O Brasil registrou recorde em feminicídios em 2025, com 1 em cada 9 vítimas contando com medida protetiva ativa no momento do crime, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento inédito destaca que, mesmo sob proteção judicial, milhares de mulheres foram assassinadas, indicando falhas graves no sistema de enfrentamento à violência de gênero. Os números alarmantes reforçam a urgência de repensar políticas públicas, integrar sistemas de justiça e ampliar mecanismos efetivos de proteção.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número total de assassinatos de mulheres em razão de gênero atingiu o maior patamar desde a criação da Lei do Feminicídio. O dado também trouxe visibilidade aos riscos contínuos enfrentados por mulheres já inseridas em programas de proteção, evidenciando obstáculos para que as medidas realmente salvem vidas.

O cenário de 2025 mostra que, apesar de avanços legislativos, a efetividade das respostas do Estado ainda não acompanha a escala do problema. O relatório do anuário aponta a necessidade de fortalecer integração de sistemas, melhorar comunicação entre Judiciário e segurança pública e garantir monitoramento rigoroso das medidas protetivas para priorizar a vida das mulheres.

O que é feminicídio e como o Brasil chegou a este recorde?

Feminicídio é o assassinato de mulheres por violência de gênero, conforme previsto pela Lei nº 13.104/2015 que alterou o Código Penal. Em 2025, os indicadores atingiram novo ápice após anos de crescimento constante, impulsionados principalmente pela ausência de fiscalização efetiva e mecanismos frágeis de proteção das vítimas, mesmo após registro de boletim de ocorrência e concessão de medidas judiciais.

Dados do Anuário reforçam que o aumento do feminicídio não se dá por acaso, mas por falhas claras no atendimento, no cumprimento das ordens judiciais e na ausência de resposta rápida das autoridades. Além disso, fatores como dependência econômica, medo da exposição social e falhas estruturais nos canais de denúncia contribuem para a persistência da violência.

O fenômeno também expõe desigualdade regional: Estados como Mato Grosso, Acre e Espírito Santo lideram os índices per capita, enquanto grandes capitais concentram parte significativa dos casos absolutos. A questão do racismo estrutural também atravessa os dados, já que mulheres negras são a maior parte das vítimas.

Por que tanta vítima de feminicídio já contava com medida protetiva?

Uma das revelações mais chocantes do balanço de 2025 é que 1 em cada 9 mulheres assassinadas já tinha medida protetiva ativa. Isso revela que, apesar do instrumento legal, a aplicação efetiva esbarra em limitações operacionais e falta de monitoramento em tempo real dos agressores.

Especialistas apontam que o ciclo de violência pode se intensificar após a busca por proteção, pois a notificação pode aumentar o risco imediato. No entanto, a falta de policiais, ausência de rondas periódicas e até mesmo o descumprimento silencioso das ordens aumentam a vulnerabilidade dessas mulheres.

Tecnologias como tornozeleira eletrônica para agressores ainda são subutilizadas e não estão disponíveis em todas as regiões. Ademais, falhas na comunicação entre Justiça e forças de segurança dificultam a prevenção de tragédias anunciadas.

Mulher levanta as mãos tentando se proteger de um braço levantado contra ela em fundo amarelo escuro

Qualquer mulher vítima de violência doméstica tem direito de pedir proteção judicial. Imagem: Agência Brasil.

Como funciona a medida protetiva no Brasil?

A medida protetiva é prevista na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) como ferramenta para afastar o agressor, definir limites geográficos e proteger física e psicologicamente a vítima. A solicitação pode ser feita em delegacias ou tribunais e deve ser analisada em até 48 horas, segundo legislação vigente.

Entre os tipos de medida estão o afastamento do lar, proibição de contato e aproximação, suspensão de posse de armas e recolhimento domiciliar do agressor. No entanto, a efetividade depende do cumprimento rigoroso pelo Estado e do acesso rápido à informação pela vítima e seus familiares.

O Anuário destaca que muitas mulheres não conseguem manter o sigilo da medida, enfrentam dificuldades para comunicar violações ao sistema de justiça e, por vezes, têm que dividir ambientes de trabalho ou transporte com o potencial agressor.

Desafios e falhas no enfrentamento aos feminicídios em 2025

A persistência do crescimento dos casos de feminicídio em 2025 tem origens em diversos fatores: sistema judicial sobrecarregado, insuficiência de delegacias especializadas e baixos índices de investigação conclusiva. A ausência de políticas integradas entre Saúde, Assistência Social e Segurança Pública impede ações preventivas e respostas rápidas diante de denúncias urgentes.

O relatório recomenda a ampliação de casas-abrigo, linhas diretas de denúncia e acompanhamento mais próximo da vítima, com equipe multidisciplinar e monitoramento eletrônico dos agressores. Políticas específicas para regiões de maior risco e para proteção de mulheres negras também são citadas como estratégias urgentes.

Quais soluções podem reduzir os feminicídios no Brasil?

O enfrentamento ao feminicídio exige integração entre sistemas, respostas rápidas e punição rigorosa. Destaca-se o fortalecimento de medidas protetivas por meio de monitoramento eletrônico efetivo, a expansão de delegacias especializadas e capacitação das equipes de base no atendimento à violência doméstica.

Outro ponto crucial é o aumento do acesso à justiça, especialmente em regiões isoladas ou de baixa renda, bem como o suporte psicológico e socioeconômico à vítima, para vencer a dependência e medo de denunciar. Financiamento estável e campanhas públicas de conscientização são estratégias recomendadas pelos especialistas.

Paralelamente, abrem-se debates sobre como responsabilizar o Estado por falhas no sistema protetivo e promover mudanças culturais que coloquem o respeito à vida das mulheres no centro das prioridades nacionais.

Como a sociedade pode ajudar a combater o feminicídio?

A sociedade tem papel fundamental no enfrentamento à violência de gênero, oferecendo apoio à vítima e incentivando denúncias. Entender os sinais de relacionamento abusivo e divulgar canais de apoio, como o Ligue 180, são atitudes que podem salvar vidas.

Ampliar rede de solidariedade, pressionar por políticas públicas e exigir transparência nos dados são caminhos para transformar o cenário. O combate ao feminicídio é dever coletivo e precisa de mobilização contínua.

Para essa e outras notícias, continue acompanhando o Jornal Mix.

Gostou? Então não fica de fora!

Siga o Jornal Mix nas redes e receba as notícias quentes em primeira mão. Misturou. Deu notícia. Tá no Mix!

Instagram TikTok YouTube X (Twitter) Facebook

Deixe sua Avaliação!

Compartilhe sua reação

Você também pode gostar

Deixe um comentário