Uma mulher de 37 anos foi presa por estelionato em Joinville, Santa Catarina, após viver 14 meses se passando por adolescente de 12 anos, conforme confirmou a Polícia Civil em 2 de junho de 2026. Segundo a corporação, a investigada se identificava como Gabriele e foi adotada por uma família local, usando comportamentos infantis para manter o disfarce.
A Polícia Civil afirma que a suspeita já era conhecida por aplicar golpes semelhantes em outros estados e atuava no Norte catarinense. O delegado Rodrigo Bueno Gusso detalhou que a mulher foi acolhida por uma igreja e transferida a uma residência apoiada financeiramente pela comunidade religiosa.
A prisão foi possível após denúncia interna de um familiar, resultando em sua detenção dentro da casa das vítimas, no distrito de Pirabeiraba, e encaminhamento ao Presídio Regional de Joinville. O nome verdadeiro da suspeita ainda não foi revelado pelas autoridades.
A acusada alegava problemas de saúde e justificava a presença de traços adultos afirmando ter sido submetida a tratamentos hormonais por abuso durante a infância. Ela também simulava crises de pânico e se recusava a frequentar a escola, dizendo temer perseguição. O caso está sob investigação por estelionato (art. 171 do Código Penal, obter vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo a erro) e por uso de falsa identidade (art. 307, atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem ou causar dano a outrem).
Como o crime de estelionato foi aplicado em Joinville?
Segundo a Polícia Civil, a mulher usou nome fictício e comportamentos infantilizados para enganar a família e obter moradia, apoio financeiro e medicamentos em Joinville.
O delegado Rodrigo Bueno Gusso informou que a investigada procurou uma igreja afirmando ter fugido de situações de maus-tratos. A partir disso, conquistou a confiança da comunidade religiosa e da família anfitriã, que chegou a custear uma festa de “12 anos”.
Ela utilizava chupeta, mamadeira e alegava ser autista, comorbidade que não foi comprovada. Investigações revelaram manipulação emocional, simulando carência e necessidades especiais para manter o engano por mais de um ano.
O que diz a legislação sobre estelionato e falsa identidade?
No Brasil, o crime de estelionato está previsto no artigo 171 do Código Penal, com pena atual de um a cinco anos de reclusão e multa, agravada se cometido contra idoso ou pessoa vulnerável.
Já o artigo 307 tipifica o uso de falsa identidade, com pena de três meses a um ano de detenção, podendo ser aumentada diante de circunstâncias que agravem o dano ou dificultem a defesa da vítima. Cada infração é apurada conforme inquérito policial, respeitando o direito à ampla defesa.

Mulher de 37 anos se passou por adolescente de 12 anos e viveu por cerca de 14 meses em Joinville, SC. Imagem: Alternative Online
Quais são as etapas processuais após a prisão?
Após a prisão em flagrante em dois de junho, a suspeita foi conduzida para detenção no presídio regional. O inquérito foi instaurado e deverá ser remetido ao Ministério Público para avaliar se oferece denúncia criminal, segundo as regras do Código de Processo Penal.
O caso segue em investigação, podendo resultar em processo judicial com direito à defesa técnica e contraditório. Até o trânsito em julgado — decisão final sem possibilidade de recurso, a investigada é considerada inocente.
Como funciona a adoção irregular e quais são os riscos para as famílias?
O processo de adoção legal é regulado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e prevê cadastro, avaliação e decisão judicial. Adotar sem esses requisitos pode expor famílias a riscos civis e criminais, além de dificultar a verificação de identidade e histórico do adotando.
No caso apurado em Joinville, a família não oficializou o processo junto à Vara da Infância, abrindo caminho para o golpe e prejuízos emocionais e materiais.
Qual é a repercussão do caso e o que dizem as defesas?
O caso ganhou destaque nacional após a confirmação oficial e ecoou nas redes sociais e em veículos de comunicação em 2 de junho. Segundo a Polícia Civil, há registros de práticas semelhantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
A reportagem tentou contato com a defesa da investigada, que não se manifestou até o fechamento desta edição. O Ministério Público e o Judiciário ainda não divulgaram posicionamentos públicos sobre o andamento processual.
O que esperar dos próximos passos?
A investigação segue com coleta de depoimentos, perícia documental e análise de antecedentes criminais da suspeita. O inquérito deve orientar se haverá denúncia formal por estelionato e falsa identidade, ambos previstos no Código Penal.
O desfecho depende do rito judicial, que inclui avaliação do Ministério Público, apresentação de defesa e eventual julgamento. Famílias interessadas em adoção devem buscar informações nos órgãos oficiais para evitar situações semelhantes.
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