A Seleção Brasileira desembarcou nos Estados Unidos na manhã desta terça-feira (2) e iniciou a reta final de preparação para a Copa do Mundo de 2026. O uniforme totalmente cinza usado pelos jogadores viralizou nas redes sociais e rendeu uma enxurrada de memes.
Ricardo Almeida é o responsável pela criação das roupas para a apresentação dos jogadores e da comissão técnica da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo 2026. As peças seguem com a assinatura do paulista pela terceira vez consecutiva — ele vestiu a delegação antes das Copas da Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022.
Diferente das últimas edições, quando a delegação apostou em um estilo mais clássico, o novo uniforme trouxe uma proposta mais moderna e descontraída. Enquanto isso, a comissão técnica manteve o tradicional blazer, reforçando a divisão de estilos dentro da equipe.
Com predominância de tons de cinza e visual mais sóbrio, o traje desagradou parte do público, que usou o humor para criticar a escolha na internet. As comparações foram das mais variadas, envolvendo uniformes escolares, roupas de trabalho, personagens da cultura pop e até referências à imigração nos Estados Unidos.
O que motivou a escolha do estilista pelo novo visual?
Segundo Ricardo Almeida, “a intenção foi criar peças que mantivessem a elegância e a identidade da alfaiataria, ao mesmo tempo em que incorporamos proporções e desconstruímos a técnica formal”, traduzindo “uma linguagem contemporânea, conectada ao perfil dos jogadores, que acompanham tendências, consomem moda e utilizam o vestir como forma de expressão pessoal”.
O estilista apostou em uma alfaiataria contemporânea para os jogadores, com peças da linha RA2. A jaqueta tem modelagem desconstruída, caban sem ombreiras e uma estética mais leve e sofisticada, em um tom petróleo suave e levemente acinzentado.
As criações foram desenvolvidas ao lado da marca RA2, conduzida por Ricardo Almeida junto aos filhos, Ricardinho e Arthur, e por Gabriel Pascolato, sobrinho-neto de Costanza Pascolato. As peças dialogam com os dias atuais e com os anseios da Geração Z, à qual a maioria dos jogadores pertence, trazendo uma atualização estética à marca Ricardo Almeida, há mais de 40 anos no mercado.

Com predominância de tons de cinza e visual mais sóbrio, o traje desagradou parte do público . O conjunto viralizou nas redes sociais com comparações a pijamas, roupas de hospital e uniformes de mecânico. Imagem: Foto: Reprodução/Instagram
Por que o uniforme de viagem da seleção brasileira 2026 virou piada?
Nas redes sociais, o tom de brincadeira dominou as reações, e o uniforme rapidamente ganhou status de meme antes mesmo da estreia do Brasil no Mundial. O visual totalmente cinza, sem a gravata tradicional e com modelagem mais ampla, surpreendeu os torcedores acostumados à alfaiataria clássica das edições anteriores.
Alguns usuários compararam o look com roupas usadas em internatos. Outros fizeram referência ao ICE, órgão responsável pela fiscalização migratória dos Estados Unidos, e a O Diabo Veste Prada 2, sequência do filme sobre os bastidores da indústria da moda, lançada neste ano. Também foram apontadas semelhanças com roupas usadas por Julius Rock, pai do protagonista da série Todo Mundo Odeia o Chris.
Comparações com pijama, roupa de hospital e uniforme de mecânico dominaram as publicações. Torcedores brincaram que os atletas pareciam estar indo para um congresso de medicina ou cumprir pena em regime semiaberto, em vez de disputar uma Copa do Mundo.
Como foi o processo de confecção das peças?
O processo de confecção das peças personalizadas teve início ainda no ano passado. Em novembro de 2025, a equipe de Ricardo Almeida viajou até Londres para tirar as medidas dos atletas durante a última data FIFA daquela temporada.

A cerimônia de envio da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 foi marcada pelos visuais assinados por Ricardo Almeida, que dividiu opiniões. Imagem: Redes Sociais
Os ajustes finais foram realizados em março deste ano, aproveitando a estadia da equipe nos Estados Unidos para os amistosos contra as seleções da França e da Croácia. Todas as peças foram feitas sob medida para jogadores e comissão técnica.
O figurino foi dividido em dois modelos distintos: a comissão técnica utiliza paletós clássicos, enquanto os jogadores vestem cabans, um tipo de casaco curto e encorpado. Os cabans foram desenvolvidos sem estruturas internas ou ombreiras para priorizar leveza, conforto e fluidez.
Qual a diferença entre o uniforme dos jogadores e da comissão técnica?
O visual da delegação brasileira apresentou uma clara divisão estilística entre atletas e membros da comissão. O contraste acentuado entre os dois grupos gerou ainda mais comentários nas redes sociais.
| Característica | Jogadores | Comissão Técnica |
|---|---|---|
| Peça principal | Caban (casaco de marinheiro) | Blazer tradicional |
| Modelagem | Ampla e desconstruída | Clássica e estruturada |
| Camisa | Camiseta de algodão | Camisa social branca |
| Gravata | Não utiliza | Presente |
| Ombreiras | Sem ombreiras definidas | Com estrutura tradicional |
| Cor | Petróleo suave/cinza | Petróleo suave |
Quem é Ricardo Almeida, estilista que assina o uniforme?
O estilista é referência em alfaiataria no Brasil e trabalha com moda desde os anos 1970, tendo aberto a marca homônima em 1983. Aos 71 anos, o paulistano já vestiu diversas celebridades e se destaca por peças de alfaiataria masculina de luxo.
É a terceira vez que CBF e Ricardo Almeida se unem para vestir a seleção. Ele desenvolveu uniformes para as Copas da Rússia (2018), do Catar (2022) e agora para os Estados Unidos e México (2026).
Em declaração sobre a parceria, o estilista afirmou: “Queremos que a Seleção leve ao mundo não apenas a força do nosso futebol, mas também a sofisticação da nossa moda de luxo.”
Próximos passos da Seleção nos Estados Unidos
Após a despedida no Rio de Janeiro, a delegação chegou a Nova Jersey e já tem treino marcado para o fim da tarde. O voo durou cerca de dez horas e, após o pouso, a equipe ainda enfrentou aproximadamente duas horas de deslocamento até o hotel em Basking Ridge, que será a base do Brasil na fase de grupos.
A CBF utilizou uma aeronave VIP com 96 assentos de primeira classe para reduzir o desgaste da viagem. Carlo Ancelotti terá pela primeira vez desde a convocação todos os 26 jogadores à disposição. O Brasil enfrenta o Egito em amistoso no próximo dia 6 de junho. Para mais notícias sobre a Copa do Mundo 2026, acesse Jornal Mix.