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Enfermeira que matou os três filhos quer confessar o crime para não ser presa

Advogado busca dividir processo em duas etapas para alegar insanidade no momento do crime

por Aialla Andrade
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Lindsay Clancy sentada em cadeira de rodas vestindo roupa preta no tribunal ao lado de oficiais

Uma tática jurídica diferente pode mudar o rumo de um dos casos mais impactantes dos Estados Unidos nos últimos anos. Lindsay Clancy, de 35 anos, está disposta a formalizar por escrito seu envolvimento na conduta que resultou na morte de seus três filhos, segundo documento apresentado por sua defesa.

A enfermeira de Duxbury, Massachusetts, é acusada de assassinar seus filhos Cora, de 5 anos, Dawson, de 3 anos, e Callan, de 8 meses. O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2023, quando Clancy teria estrangulado as crianças com faixas elásticas de exercício, após enviar o marido para buscar comida em um restaurante distante.

Estratégia busca dividir julgamento em duas fases

A equipe de defesa solicitou que o julgamento seja dividido em duas fases: a primeira para determinar se Clancy matou os filhos, e a segunda para avaliar se seu estado mental na época a tornava incapaz de responder por seus atos.

No entanto, o juiz William Sullivan, da Corte Superior de Plymouth, negou o pedido, argumentando que as questões de culpa e responsabilidade criminal são sobrepostas. O magistrado afirmou que seria “quase impossível dividir as provas de forma limpa entre duas fases”.

Sullivan concluiu que um julgamento único será “a forma mais eficiente e menos confusa de apresentar este caso ao júri”.

Defesa insiste na reconsideração após negativa

O advogado Kevin Reddington argumentou que, com a aceitação formal de Clancy sobre seu envolvimento nas mortes, a única questão relevante para o julgamento seria seu estado mental no contexto da defesa de inimputabilidade.

Vale destacar que a proposta não significa uma declaração de culpa formal. A estratégia visa que Clancy nunca contestou seu papel nos crimes, mas argumenta em documentos judiciais que estava em estado de insanidade quando as crianças foram mortas.

 Lindsay Clancy, enfermeira, mãe, de Duxbury, em tribunal com cabelos castanhos longos e roupa preta, com fotos das crianças vítimas

Lindsay Clancy, enfermeira de Massachusetts acusada de matar seus três filhos, está disposta a admitir o crime formalmente se a defesa de insanidade for aceita, evitando assim a prisão. Imagem: Reprodução: WCVB5 ABC

O que acontece se for considerada inimputável

Caso o júri considere que Clancy não tinha responsabilidade criminal devido à sua condição mental, ela não seria libertada, mas enviada a um hospital psiquiátrico estadual, onde passaria por avaliações periódicas para determinar se pode viver em comunidade.

Alegações sobre medicação excessiva e psicose pós-parto

A defesa de Clancy alega que ela não é criminalmente responsável, sustentando que psicose pós-parto e excesso de medicamentos poderosos causaram a tragédia.

Ela também moveu um processo por erro médico contra seus profissionais de saúde mental, alegando que não diagnosticaram seu transtorno bipolar e a submeteram a um tratamento desorganizado com múltiplos medicamentos que resultou em um surto psicótico.

Em documentos do processo civil, Clancy descreveu o momento:

“Eu perdi todo o controle. Meu corpo começou a agir sem qualquer controle da minha parte. Eu estava apenas seguindo comandos, ‘toda ação’. Esta voz exigia ação”.

Promotoria alega premeditação

Os promotores sustentam que Clancy enviou o marido para um restaurante na noite do crime para ter tempo de matar os filhos. Eles também afirmam que ela não sofria de depressão pós-parto.

A acusação aponta evidências de que a enfermeira planejou as mortes e chegou a escrever que “meio que” se arrependia dos filhos mais velhos.

Tentativa de suicídio após o crime

Após os assassinatos, as autoridades afirmam que Clancy cortou os pulsos e o pescoço e saltou de uma janela do segundo andar em uma tentativa fracassada de tirar a própria vida. Como resultado, ela ficou paralisada da cintura para baixo e permanece internada no Hospital Estadual de Tewksbury, onde continua recebendo tratamento.

Os pais de Clancy estiveram presentes no tribunal pela primeira vez. Eles afirmaram ter passado a maior parte dos últimos três anos em um hotel próximo ao hospital para visitar a filha diariamente.

Próximos passos do processo

Clancy deve passar por uma avaliação psicológica forense entre 10 e 12 de abril, com uma audiência de status agendada para 23 de abril. Seu julgamento por homicídio está marcado para começar em 20 de julho, após vários adiamentos.

Ela declarou inocência em três acusações de homicídio e três de estrangulamento relacionadas às mortes dos filhos.

Histórias como essa revelam o quanto o sofrimento pode afetar profundamente a vida das pessoas, ressaltando a importância de cuidar da saúde mental. Se você ou alguém que conhece está enfrentando dificuldades emocionais, não hesite em buscar ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) está disponível 24 horas pelo telefone 188 para oferecer apoio gratuito e acolhedor. Cuidar da mente é um passo fundamental para prevenir tragédias e preservar vidas. Lembre-se: não é preciso enfrentar a dor sozinho.

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