Neste domingo (15), o Brasil se prepara para a maior celebração do cinema mundial, a 98ª edição da cerimônia do Oscar, com uma intensidade raramente vista. A expectativa em torno do filme “O Agente Secreto” e de seu protagonista, Wagner Moura, transformou a Noite do Oscar em um evento de torcida coletiva, como em final de Copa do Mundo, unindo cinéfilos e o grande público em uma corrente de otimismo.
Confira a seguir o que alimenta essa mobilização e o que esperar.
O fenômeno “O Agente Secreto” nas bilheterias e na cultura
O centro deste entusiasmo é o filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Garantindo indicações de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura, mas também ao público. Segundo dados do portal FILME B, o filme é um sucesso de bilheteria, liderando entre os indicados ao Oscar com 2.464.071 ingressos vendidos e uma arrecadação superior a R$ 50 milhões. Este feito é ainda mais notável por se tratar do filme de menor orçamento entre os dez concorrentes ao prêmio principal, um detalhe que reforça sua trajetória simbólica.
O diretor Kleber Mendonça Filho destaca a presença do filme na premiação do Oscar como uma forma de “soft power brasileiro”, a capacidade do país de projetar sua identidade cultural globalmente. Apesar da celebração, o cineasta admite sentir a pressão da expectativa nacional.
Wagner Moura: da indicação ao palco da cerimônia

Wagner Moura indicado ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Ator.
Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil
A torcida brasileira tem um rosto principal: Wagner Moura. Indicado ao prêmio de Melhor Ator, ele chega à disputa com o prestígio de uma vitória recente no Globo de Ouro. A competição é acirrada, com nomes como Timothée Chalamet e Michael B. Jordan entre os favoritos. Há também a expectativa por um reconhecimento a atores como Ethan Hawke, que, apesar de uma carreira consolidada, nunca recebeu a estatueta.
Além de concorrer, Moura terá um papel de destaque na cerimônia. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou que o ator brasileiro será um dos apresentadores da noite, dividindo o palco com estrelas como Nicole Kidman, Pedro Pascal e Sigourney Weaver. A presença dupla, como indicado e apresentador, amplia a visibilidade do Brasil no evento.
A celebração coletiva: cinemas lotados para torcer
O clima de torcida se materializa em eventos por todo o país. No Rio de Janeiro, o produtor Cavi Borges organiza uma festa de transmissão no Grupo Estação que se tornou uma tradição. O que começou há 25 anos como uma pequena reunião de cinéfilos, hoje ocupa múltiplas salas de cinema. “No ano passado, foi o ápice: quase duas mil pessoas. Quando o Brasil ganhou o Oscar [com o filme ‘Ainda Estou Aqui’], o cinema tremeu. Foi histórico”, relembra Borges.
Para 2026, a festa promete ser ainda maior, com bolão, quiz e até concurso de sósias de Wagner Moura. Borges vê nesse movimento um efeito positivo para o cinema brasileiro como um todo.
“Muita gente que não frequentava cinema de arte começou a aparecer. Quando as pessoas entram na sala por causa de um filme que virou fenômeno, elas descobrem que existe muito mais”, afirma, ressaltando que o Brasil produz cerca de 300 filmes por ano, mas poucos chegam ao grande público.
A disputa internacional e a nova categoria no Oscar
Apesar do otimismo brasileiro, a corrida pelo prêmio de Melhor Filme permanece aberta. Veículos especializados nos Estados Unidos apontam “Pecadores”, de Ryan Coogler, como um forte candidato. No entanto, publicações de cinema independente, como o site IndieWire, colocaram “O Agente Secreto” no topo de seus rankings, mostrando que a disputa está longe de ser decidida.
O Brasil tem outra chance histórica em uma categoria inédita. A Academia estreia este ano o prêmio de Melhor Direção de Elenco, e o brasileiro Gabriel Domingues está entre os indicados pelo seu trabalho em “O Agente Secreto”. A seleção de mais de 60 atores, mesclando nomes conhecidos e talentos emergentes, foi amplamente elogiada e coloca o país em uma posição de destaque na nova disputa.
Independentemente dos resultados de domingo, a mobilização afetiva e o debate gerado pelo filme já representam uma grande vitória para a cultura nacional.
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