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Polícia de SC finaliza investigação sobre morte do cão Orelha e aponta adolescente como autor

Adolescente é apontado como autor de agressão fatal ao cachorro comunitário em Florianópolis; polícia pede internação

por Yasmin Souza
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Manifestantes segurando cartazes em protesto pela morte do cão Orelha em Florianópolis.

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta terça-feira (3) a investigação sobre a morte do cão Orelha, animal comunitário agredido no início de janeiro. Um adolescente foi apontado como autor do crime, e a polícia pediu sua internação provisória — medida equivalente à prisão no sistema de adultos.

O caso mobilizou protestos em várias cidades do Brasil, gerou comoção nas redes sociais e colocou em debate a legislação sobre maus-tratos contra animais no país. Além do cão Orelha, as investigações também apuraram a tentativa de afogamento do cão Caramelo, outro mascote da região. Quatro adolescentes foram responsabilizados por esse episódio.

O que aconteceu na madrugada de 4 de Janeiro

O cão comunitário Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro de 2026, por volta das 5h30, na Praia Brava, bairro turístico no Norte da Ilha de Florianópolis. De acordo com os laudos da Polícia Científica, o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido causada por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

Resgate e morte do animal

Moradores encontraram Orelha agonizando embaixo de um carro. O cachorro apresentava lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de estar desidratado e sem reflexos. O animal foi levado a uma clínica veterinária, recebeu tratamento com soroterapia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.

O cão tinha cerca de 10 anos de idade e era cuidado coletivamente por moradores, comerciantes e pescadores da região. Dócil e brincalhão, Orelha fazia sucesso com turistas e frequentava festas locais. A médica veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, descreveu que ele era querido por toda a comunidade.

Como a Polícia Civil identificou o adolescente

A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA). Para chegar à autoria, a polícia montou uma força-tarefa que analisou mais de 1 mil horas de filmagens de 14 câmeras de monitoramento da região.

Contradições no depoimento

O delegado Renan Balbino explicou que o adolescente se contradisse em diversos momentos. Imagens de câmeras de segurança mostram o jovem saindo do condomínio onde estava hospedado às 5h25 da manhã. Ele retornou às 5h58 com uma amiga.

No depoimento, contudo, o adolescente afirmou que havia ficado dentro do condomínio, na piscina. A polícia já dispunha as imagens que comprovavam o contrário. Além das gravações, testemunhas e outras provas confirmaram a presença dele fora do condomínio no horário do ataque.

Roupa usada no crime

Um ponto importante da investigação foi a identificação da roupa utilizada pelo autor. No mesmo dia em que a polícia identificou os suspeitos, o adolescente viajou para os Estados Unidos. Ele permaneceu no exterior até 29 de janeiro.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Florianópolis, foi abordado por agentes. A delegada Mardjoli Valcareggi explicou que, durante a revista, um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom. O familiar alegou que a peça havia sido comprada durante a viagem, versão posteriormente desmentida pelo próprio adolescente.

A polícia também utilizou um software francês de análise de localização para rastrear a posição do suspeito durante o ataque.

Cão Orelha, vítima de agressão, antes de sua morte em Florianópolis.

Investigação sobre morte do cão Orelha é concluída e aponta autor jovem. Foto: Polícia Civil Santa Catarina.

Pedido de internação e indiciamentos

Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil solicitou a internação provisória do adolescente apontado como agressor de Orelha. A medida é equivalente à prisão no sistema de adultos. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina e ao Poder Judiciário para apreciação.

Adultos indiciados por coação

Além do adolescente, três adultos foram indiciados por coação a testemunha. Segundo a polícia, eles teriam tentado interferir no andamento das investigações. O processo tramita em segredo de Justiça, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O que diz a lei sobre maus-tratos a animais

A Lei 14.064/2020 aumentou a pena para quem maltrata cães e gatos no Brasil. Antes, o crime previa detenção de 3 meses a 1 ano. Com a nova legislação, a pena passou para reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda.

Se o crime resultar na morte do animal, a pena pode ser aumentada em até um terço. A reclusão prevê cumprimento em estabelecimentos mais rígidos, como presídios de segurança média ou máxima.

No caso de adolescentes, as punições seguem o ECA e podem incluir medidas socioeducativas como advertência, prestação de serviços à comunidade ou internação.

O que diz a Defesa do Adolescente

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes do adolescente, afirmaram que as informações divulgadas pela Polícia Civil dizem respeito a elementos meramente circunstanciais. Segundo a defesa, essas evidências não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.

A defesa também protestou por ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito e classificou as investigações como frágeis. Os advogados afirmaram que a necessidade de apontar um culpado a qualquer preço pode prejudicar a busca pela verdade.

Quem era o cão Orelha

O cão Orelha vivia na Praia Brava há pelo menos 10 anos. Era um cachorro comunitário, cuidado por moradores, comerciantes e pescadores da região. O bairro possui três casinhas de cachorro construídas especialmente para os animais considerados mascotes locais: Orelha, Pretinha e Caramelo.

Segundo a veterinária que o acompanhava, Orelha era conhecido por ser dócil e brincalhão. Ele frequentava festas, acompanhava pescarias e fazia sucesso posando para fotos com turistas. A morte brutal do animal deixou a comunidade em choque.

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