O motorista de aplicativo Rafael dos Santos encerrou uma corrida e mandou dois passageiros descerem do carro, em Taubaté, no interior de São Paulo, após um deles associar de forma pejorativa uma música do grupo Racionais MC’s à cor da pele. O caso aconteceu na madrugada de 4 de junho e voltou a repercutir após a divulgação do vídeo nas redes sociais.
O que aconteceu durante a corrida
Segundo o relato do motorista, tudo começou quando uma canção do grupo de rap paulistano tocava no veículo. Um dos passageiros teria classificado a música como “horrível de preto”, comentário que Rafael entendeu como uma manifestação racista, e não apenas uma crítica de gosto musical.
Diante da fala, o condutor interrompeu a viagem e pediu que a dupla deixasse o carro. As imagens foram registradas pela câmera instalada no próprio veículo e mostram o momento em que ele confronta os ocupantes e exige respeito.
Motorista se identifica como negro e rebate a ofensa
No vídeo, Rafael reage diretamente ao comentário e afirma ser negro e descendente de negros. Ele cita a família ao dizer que o avô e a mãe também são pretos e reforça que não aceitaria aquele tipo de fala dentro do carro.
O motorista explicou depois que não teria se incomodado caso o passageiro apenas pedisse a troca da canção. Para ele, o problema esteve na associação entre a produção artística e a cor da pele. Segundo Rafael, música não tem cor.
A playlist era de outra viagem
De acordo com o condutor, a seleção de músicas do Racionais MC’s tocava no carro por causa de um pedido feito por clientes de uma corrida anterior. O repertório continuou no ar quando a dupla embarcou, sem que ele tivesse escolhido as faixas especialmente para aquela viagem.
O Racionais MC’s é um dos grupos mais influentes do rap nacional e construiu a carreira justamente com letras que denunciam o racismo e a desigualdade social no país.
Caso é apurado pela polícia
Embora o episódio tenha ocorrido em junho, o vídeo só foi publicado pelo próprio motorista dias depois, quando ganhou grande repercussão nas redes sociais e gerou uma onda de mensagens de apoio a Rafael.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o caso passou a ser apurado pela Polícia Civil e pode ser enquadrado como injúria racial, crime previsto na legislação brasileira. Os passageiros não foram identificados publicamente.
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